terça-feira, 21 de maio de 2013

ANJOS TORNOZELEITES

O SUL,  21/05/2013



WANDERLEY SOARES


Em termos de segurança, o cidadão de bem paga o ônus maior, inclusive com a própria vida

O Estado (entenda-se Estado como Executivo, Legislativo e Judiciário), tenho abordado aqui de minha torre, está num atrapalho danado na tentativa da construção de uma política menos vexaminosa no campo do sistema penitenciário. Experimentos variados são adotados sem que haja reflexo positivo para a sociedade num plano geral, pois é preciso apontar que os bandidos fazem parte desta sociedade. Projetos de ressocialização de apenados não apresentam resposta sequer aproximada do que seria o desejável e, no frigir dos ovos, invariavelmente, é o cidadão de bem que paga o maior ônus por isso, inclusive com a sua própria vida.

Nesta moldura, está agora em vigor, como uma fórmula de solução para apenados que cumprem pena pelo chamado regime semiaberto, uma engenhoca chamada de tornozeleira eletrônica. Tal projeto, ora em primeira etapa de execução, visa a colocar nas ruas cerca de 400 pessoas condenadas pela Justiça. Ao contestar meu posicionamento crítico sobre o artefato, quando aponto que os tornozeleites (o neologismo é meu) terão livre circulação, a SSP (Secretaria da Segurança Pública do RS), através de sua assessoria de Comunicação, pediu espaço para reafirmar a visão oficial sobre o projeto e, não obstante ser argumento por demais conhecido, atendo a solicitação sem que isso seja favor algum. Sigam-me


Monitoramento

Eis a mensagem da SSP, assinada pelo jornalista Antonio Candido, coordenador de Comunicação Social da pasta: "O Programa de Monitoramento Eletrônico é personalizado para cada preso e delimita o caminho e o tempo necessário para chegar e sair de casa e do trabalho, determinando horários para percorrê-lo. Cada preso terá sua rota monitorada entre a casa e o local de trabalho, com o cálculo de tempo máximo para o deslocamento. As informações do trajeto, localização e velocidade são repassadas instantaneamente à Susepe. Caso algum crime seja cometido no trajeto de um apenado, no momento em que ele estivesse em deslocamento, ele será o principal suspeito. Há alertas para desvio de rota, rompimento ou dano do equipamento e entrada em área de exclusão. Caso não haja o contato em alguma dessas situações, o detento será dado como foragido do sistema. Ainda, no caso de danificar a tornozeleira, responderá a processo-crime por dano ao patrimônio público. Todas as regras foram determinadas pela Justiça, juntamente com a Susepe". Sigam-me um pouco mais, não se dispersem


Circulação

A Justiça, não obstante tenha seus demônios, não condena anjos. De outra nuvem, o apenado em busca de ressocialização, seja ou não tornozeleite, terá conduta irrepreensível no semiaberto. Além disso, hoje, "livre circulação" corresponde a acesso 24 horas por dia em celulares e internet, universo não alcançado pela tornozeleira. Ainda assim, como um humilde marquês, tentarei crer nos anjos tornozeleites


Leite

Continuo a afirmar, ainda que solitário, que não houve adulteração no leite e, sim, envenenamento. No mínimo, o risco de genocídio.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Também tento crer nas tornozeleiras, mas não axcredito na eficácia desta medida sem controle e punição ágil e exemplar. Quando ao leite, estou contigo: foi ENVENENAMENTO de grande parcela de uma população que ainda não sabe ter sido contaminada.

Um comentário:

Daniel Maremoda disse...

Olá, amigo "Blog do Anastácio" é com muita satisfação que passei a seguir este blog quão importante para promoção e divulgação da carreira de agente penitenciário e das demais carreiras do sistema nacional de Segurança pública. Solicito a interação e parceria entre os blogs. Um forte abraço!
Daniel Maremoda
www.agentepenitenciarioba.blogspot.com.br