segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

MORRE EX-DIRETOR BALEADO EM MOTIM DE 1994

BLOG DO CAVALCANTI
Segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Morre ex-diretor do Hospital Penitenciário

Claudinei Carlos dos Santos ficou paraplégico após os tiros que sofreu durante motim em 1994


Claudinei foi a maior vítima daquele motim

Antônio Carlos de Holanda Cavalcanti

Aos 64 anos, faleceu nesta madrugada o ex-diretor do antigo Hospital Penitenciário, Claudinei Carlos dos Santos, que estava desde o dia 6 de dezembro hospitalizado, após ter sofrido uma parada respiratória que acabou agravando outros problemas de saúde.

Claudinei e seu filho, Edilei Souza dos Santos, foram dois dos quase 30 reféns de um motim iniciado naquele estabelecimento, no dia 7 de julho de 1994, uma sexta-feira, em que os amotinados, liderados pelo detento Fernando Rodolfo Dias, o Fernandinho, Dilonei Melara e outros, após dominarem os funcionários do Hospital Penitenciário (HP), exigiram três automóveis para fugirem. Foram escolhidos 10 reféns para acompanhar os presos na fuga, sendo distribuídos nos três veículos entregues pela Polícia.

Segundo lembro, os veículos entregues aos amotinados teriam sido 'formatados' para que não pudessem ultrapassar velocidades entre 70 a 80 km/h, ou que dessem pane logo após os primeiros quilômetros rodados, o que facilitaria a recaptura dos foragidos. No entanto, não contaram com a ousadia daqueles apenados, especialmente Fernandinho e Melara, que em determinado momento abandonaram o veículo em que estavam, dominaram um taxista e trafegaram em alta velocidade por algumas ruas da Capital, sempre perseguidos por policiais, até chegarem na rua Alberto Bins, em seguida invadindo de taxi o Hotel Plaza São Rafael, quebrando as portas de vidro da sua entrada. Naquela noite estava sendo realizado um seminário, ou algo parecido, de psiquiatria no Plaza, obviamente batendo um enorme pânico entre os presentes, já que além do barulho causado pela entrada 'triunfal', ainda houve tiroteio com os policiais. Melara e Fernandinho fizeram duas técnicas reféns e só na manhã do sábado se entregaram e voltaram a ser presos.

Um pouco antes dessa invasão ao Hotel Plaza, o veículo no qual estava Claudinei, acompanhado dos criminosos Melara, Fernandinho, Linn e Carlos Jefferson, o Bicudo, sofreu uma pane, em uma esquina da rua Ivo Corseil, com a Sacadura Cabral, no bairro Petrópolis. Bicudo, que estava na direção, fugiu à pé. Claudinei tentou assumir a direção do carro, a mando dos outros bandidos, mas em um tiroteio com os policiais, Claudinei foi alvejado no peito e nas costas, ficando estirado na rua, ao lado do automóvel. O filho de Claudinei foi alvejado no tiroteio por mais de dez tiros, mas sobreviveu.

Os outros veículos tomaram direções diferentes, mas também foram perseguidos por policiais e houve tiroteios em outros locais. Nenhum preso conseguiu concretizar a fuga e o bandido Linn morreu em um dos tiroteios.

Devido ao tiro que sofreu nas costas, Claudinei restou paraplégico. Ele e seu filho ingressaram com uma ação por danos morais contra o Estado, que em 1999 foi condenado, em primeira instância, a pagar uma indenização de R$ 700 mil e R$ 300 mil, respectivamente, mas, segundo a família o dinheiro não foi ainda pago.

Lembro que aquele foi um dos dias mais frios de todos os tempos no Rio Grande do Sul e eu estava residindo em Nova Prata, pois administrava o presídio local. Nevou durante o dia e a noite em Nova Prata e em todos os municípios da Serra, acumulando neve, principalmente à noite, como eu nunca tinha visto.
Acompanhei a cobertura das rádios locais, que também perseguiam os veículos onde estavam os reféns e os policiais, mais parecendo uma narração de um filme policial, culminando com a espetaculosa invasão do Hotel Plaza São Rafael. Esse fato deveria ser objeto de um filme policial, pois tem todos os ingredientes imagináveis.

Uma lástima o que aconteceu com Claudinei dos Santos, bom e competente colega que ficou paraplégico e com sua movimentação bastante limitada, fruto de uma ação tresloucada e irresponsável comandada por bandidos de alta periculosidade.

Claudinei será velado no Crematório de Viamão, junto ao Parque Saint'Hilaire.

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