sexta-feira, 15 de abril de 2011

CADEIA MODELO - A PRISÃO ONDE TODOS TRABALHAM


CADEIA MODELO. A prisão onde todos trabalham. Mutirão Carcerário, que chega ao fim hoje, encontrou bons exemplos no Rio Grande do Sul, como o Presídio Estadual de Taquara - LETÍCIA BARBIERI | TAQUARA, ZERO HORA 15/04/2011

Em 2009, um resgate de presos expôs o Presídio Estadual de Taquara pela fragilidade na segurança: homens armados renderam agentes e abriram caminho para cinco detentos fugirem da prisão. Foi o estopim para a transformação da penitenciária em exemplo. Hoje, 100% dos presos lá encarcerados trabalham, e os usuários de crack são censurados pelos próprios detentos.

A avaliação sobre a casa de Taquara é do Mutirão Carcerário, uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça, que chega hoje ao seu término, para averiguar a situação dos presos. O objetivo do esforço que desde março mobilizou 22 magistrados, encarregados de analisar 20 mil processos referentes a 31 mil apenados, foi checar quais detentos têm direito a receber benefícios, como progressão de regime ou mesmo a liberdade.

Ao analisar os processos de 115 casas prisionais do Estado, os magistrados encontraram bons exemplos. No caso de Taquara, apontado como modelo, a mudança se iniciou com uma triagem dos presos mais perigosos e daqueles que não pertenciam à região, que levou à transferência de 46 homens. Quadrilheiros e assaltantes de banco e carros-fortes não podiam mais ser mantidos em uma casa de detenção que nem sequer tem muros. O primeiro passo havia sido dado, mas o diretor Evandro Oliveira Teixeira queria mais:

– Eu sabia que somente o trabalho os ajudaria. O negócio era fazê-los trabalhar – relata o diretor.

Um grupo de 15 apenados foi chamado, e o plano, apresentado. Começava aí um projeto-piloto que, em poucos meses, transformou a cadeia em uma espécie de fábrica. Um contrato foi firmado com uma metalúrgica. Nas mãos dos 145 homens que cumprem pena são confeccionados de 4 milhões a 5 milhões de chaveiros por mês.

A cada três dias trabalhados, os presos diminuem um da pena a ser cumprida. A empresa paga cerca de R$ 15 para cada mil chaveiros produzidos. Cada um recebe conforme a produtividade, em um valor que gira em torno dos R$ 350. Desde janeiro de 2010, Taquara não registra tentativas de fuga e ocorrências de indisciplina.

Trabalho reduz as brigas

A ansiedade que resultava em brigas internas e indisciplina dentro da prisão de Taquara foi descarregada na produção dos chaveiros.

Luis Renato Caetano da Silva, 38 anos, deixou de ser mais um homem a cumprir a sua pena e passou a ser o coordenador-geral da produção. Há hierarquia dentro da fábrica improvisada na cadeia. E determinações. Os usuário de crack são os primeiros a ser colocados nos eixos.

– Não toleramos o crack. Prejudica em tudo. O cara que usa não consegue trabalhar, não toma banho. Em cela com 15 pessoas, não dá – avisa Silva.

Com o salário, os detentos fazem os mais variados investimentos. Um deles comprou uma moto, paga em prestações, para a companheira visitá-lo. Outro garante o pagamento do rancho no mercado para os filhos, todos os meses. Silva conta com orgulho que pode financiar sozinho o curso de informática para a filha de 15 anos:

– Antes, toda semana encostava uma ambulância para buscar um preso quebrado. Agora deixamos de ser tratados como bichos e passamos a ser gente.

O mutirão - Iniciado em 14 de março e com previsão de término hoje, o Mutirão Carcerário atua no Estado em duas frentes. Em uma delas, a iniciativa do Conselho Nacional de Justiça analisa os casos de todos os 31 mil presos a fim de avaliar quais estão aptos a progredir de regime ou ser libertados. Outra tarefa é produzir uma análise da situação carcerária do Estado, conhecendo presídios do Estado. O relatório, que ainda não tem data para ser concluído, será entregue para autoridades como o governador Tarso Genro.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - é muito bom e segue o que prevê a constituição estadual do RS para as políticas prisionais. A unica coisa que não concordo é o Estado ensinar ou oportunizar conhecimentos técnicos aos presos sobre especialidades que podem favorecer ou estimular habilidades que possam vir a ser utilizadas para fins criminosos.

2 comentários:

Luana Dias disse...

parabens a diretoria deste presidio.Com certeza isso vai ajudar muito na recuperacao dos presos. Estao tendo a oportunidade de ajudar a sua Familia,e isso faz com que se sintam util,e ao mesmo tempo mais responsaveis. Mais uma vez PARABENS a Diretoria.

Euler Martins disse...

Preso tem que trabalhar na cadeia , e quanto mais trabalhar mais conforto teria . Trabalhando poderia ter : refeição melhor , refrigerante , cigarro , doces , biscoitos , radio , tv , encontro com a esposa , etc ... Aqueles que não trabalhar só agua e ração . Ai o sujeito ia associar o trabalho ao conforto . Se o sujeito fica dez anos preso sem trabalhar recebendo café da manhã , almoço e jantar , ele nunca vai dar valor ao trabalho . Preso teria é que dar lucro para o estado , e não dar despesa . Nos Estados Unidos o preso é uma mão de obra disputada pelas empresas .