quinta-feira, 3 de novembro de 2011

TASER AJUDA A CONTER REBELADOS



Grupo de Ações Especiais da Susepe utiliza arma não letal em situações de crise dentro de casas prisionais no Estado. Simulação de confronto em presídio mobiliza agentes do Gaes, na Capital. CORREIO DO POVO, Porto Alegre, 14h40min do dia 1 de novembro.

Um detento, armado com uma faca, se recusa a sair da cela e ameaça agentes penitenciários. Aos gritos, afirma: "Não vou me entregar para vocês, não vou", em meio a estocadas no ar. Nesse momento, é acionado o Grupo de Ações Especiais (Gaes), da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Sete agentes, com escudos e usando balaclavas, entram em ação. O líder da equipe carrega uma pistola taser _- arma não letal. Hoje, a Susepe conta com 20 armas desse tipo - uma delas para o Gaes.

Após explodir uma bomba de efeito moral, os agentes se aproximam cautelosamente do detento. Aos poucos, o grupo cerca o rebelado. Até o chefe da equipe chegar perto o suficiente para disparar com a pistola, acertando o alvo. Em 25 segundos, a situação é controlada, e o preso, que caiu no chão com o choque, é algemado e levado a outro local. A cena fez parte de um dos treinamentos diários a que os agentes do Gaes se submetem.

De acordo com o coordenador do grupo, Sandro Severo, a arma, recebida em meados deste ano, foi usada uma vez em situação real, para controlar um detento que se negava a sair para o corredor da galeria. O caso ocorreu em 21 de outubro, no presídio de São Jerônimo. "A porta da cela foi aberta e comecei a conversar com o preso", contou o líder do Gaes, integrante da Susepe há 12 anos. "Assim que me aproximei o suficiente, encostei a arma no braço dele, disparando a centelha, impedindo qualquer tipo de reação."

Esse tipo de armamento, salientou Severo, só tem de ser usado com certeza da necessidade do disparo. Muitas vezes, a exemplo de São Jerônimo, não é preciso lançar os dardos, com pontas similares a de um arpão. Basta apenas encostar a ponta do cano da taser, cuja centelha - a descarga elétrica - dura cinco segundos. "O efeito é imediato, fazendo com que a pessoa perca o controle do corpo e caia", disse. "Quando for usar a pistola, o melhor é mirar de um jeito que um dardo acerte o ombro e o outro a perna", aconselhou Severo. A pistola tem um cartucho acoplado, em que estão acondicionados dois dardos. Quando disparados, eles ficam ligados à arma por um fio de cobre, que leva a energia - de baixa amperagem - até o corpo do rebelado. Os dardos usados são inutilizados, por serem considerados materiais contaminados. Existem três cores para o cartucho em que estão os dardos. "O laranja, você pode estar a 10,4 metros do alvo; o azul, a 7,5 metros e o amarelo, a 4,5 metros", explicou.

Muitas vezes não há necessidade de usar a taser. O impacto psicológico na massa carcerária é grande. O barulho da arma - um zumbido estridente - faz com que muitos detentos se rendam imediatamente. Conforme Severo, os presidiários que já foram atingidos pelos dardos sabem como é desagradável ser alvejado pela taser e passam a experiência para os colegas de cárcere. "A informação se espalha", relatou Severo. Após acertar um insurgente, o agente penitenciário deve seguir três procedimentos. O primeiro é registrar o caso na DP, informando o uso da taser. Em seguida, o detento alvejado é levado para exames de lesões e depois é feito relatório ao Departamento de Segurança e Execução Penal, da Susepe.

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