quinta-feira, 8 de agosto de 2013

RETORNO À VIDA LONGE DAS GRADES

ZERO HORA 08/08/2013 | 06h02

Detento que passou mais tempo na prisão no Estado retoma vida longe das grades. Depois de quase quatro décadas na cadeia, Camilo da Silva Melo trabalha para edificar a Justiça


Desfrutando a liberdade provisória, Camilo trabalha em obra da empresa EngefortFoto: Lauro Alves / Agencia RBS

Letícia Duarte


Depois de 37 anos preso, o homem que passou mais tempo no sistema prisional gaúcho se esforça para protagonizar um novo marco. Empregado com carteira assinada, o detento que chegou a acumular 108 anos de pena por afrontar a lei agora trabalha para edificá-la, ao participar da construção do prédio anexo do Tribunal de Justiça do Estado.

A sonhada liberdade condicional chegou no início deste mês para Camilo da Silva Melo, 54 anos, encerrando um ciclo em que dividiu espaço com alguns dos mais conhecidos criminosos do Rio Grande do Sul nas últimas décadas, como o assaltante de bancos Dilonei Melara e o traficante Carioca (Humberto Luceno Brás de Souza). As mãos que antes empunhavam revólveres calibre 38 hoje passam os dias amarrando arames com ferramenta turquesa, conferindo medidas com uma trena no canteiro de obras da empresa Engefort, na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, na Capital. Aquele que antes só entrava em bancos para assaltar hoje pisa em agências para sacar salário — aproximadamente R$ 800. E se orgulha de já ter recebido até proposta de empréstimo do gerente. Coincidência ou não, em uma agência que ele já tinha assaltado.

— Agora minhas armas são essas aqui — orgulha-se, apontando para as ferramentas do primeiro emprego formal de sua vida.

Nem ele mesmo acreditava que conseguiria mudar o destino ao qual parecia condenado desde a infância. A primeira privação de liberdade chegou aos 12 anos, quando roubava tomates dos caminhões da Ceasa. Depois de mais de 20 fugas na antiga Febem e roubos cada vez mais ousados, foi levado para o Presídio Central antes mesmo de completar 17 anos, numa época em que o debate sobre direitos humanos ainda engatinhava. Ao chegar, viu pelo chão das galerias o sangue escorrendo de dois corpos esquartejados em uma guerra de grupos rivais. Camilo descobria, precocemente, a lei que impera nas cadeias.

— Me ensinaram muitas coisas, diziam que roubar tomate e assaltar banco dava no mesmo, então era melhor assaltar um banco porque dava mais dinheiro e ajudava a pagar o advogado pra sair da cadeia. Mas nunca matei ninguém — diz.

A partir dali, a carreira no crime só se agravou. Condenado a seis anos por um assalto a joalheria, ganhou mais 40 anos de pena por participar de um motim com mais de 30 reféns em 1987, que resultou na morte de um policial e de um detento. Acredita que esse foi seu grande erro, mas o arrependimento foi tardio. De tanto apanhar na prisão nos anos seguintes, perdeu todos os dentes. Achava que não tinha mais nada e perder e se entregou de vez no crime. Com outras fugas e novos assaltos a banco nas décadas seguintes, viu sua pena se multiplicar até chegar a um ponto em que pensava que nunca mais conseguiria sair. Até o dia em que viu o juiz de fiscalização de presídios, Sidinei Brzuska, e começou a gritar das galerias. Implorava por uma nova chance.


Trajetória de Camilo é acompanhada pelo juiz Sidinei Brzuska, que registrou seus novos passos no Facebook

O juiz perguntou quem era o homem e um mês depois o chamou para uma audiência. Na frente do magistrado, Camilo garantiu que queria mudar de vida. Ganhou um voto de confiança e foi para o semiaberto em 2011, pelo bom comportamento que demonstrava nos anos anteriores, quando trabalhava na faxina da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.

Transferido para a Fundação Patronato Lima Drummond, começou a cumprir a promessa. Disposto a aprender uma profissão, foi matriculado em um curso de pedreiro. E se emocionou ao receber o perdão da refém que havia aprisionado durante o antigo motim do Central, Maria Lúcia Médici, que atualmente é vice-presidente da instituição.

— Ela disse que me perdoava, e isso mexeu muito comigo. Se as pessoas me perdoam, tenho mais motivos para seguir em frente — reflete.

"Sonho em ficar livre para sempre porque o crime não compensa"

Apesar da alegria de poder vez e ver a neta de seis meses crescer, admite que já pensou em desistir. Voltar pra casa é também reencontrar as goteiras de uma peça, os furos no cimento da parede, do piso. Por falta de roupeiro, as roupas dele e da mulher, que vende pastéis, ficam jogadas pela casa. E convites não faltaram para que regressasse à criminalidade.

— O caminho do crime seria muito mais fácil, mas meu sonho é ficar livre para sempre. O crime não compensa — conclui sorridente, exibindo a prótese dentária que conseguiu comprar com seu suor, para substituir os dentes perdidos na prisão.

A torcida para que ele persista é grande na empresa onde trabalha há um ano e cinco meses. A engenheira civil Elise Peruzzo, responsável pela obra, lamenta que outros tenham desistido depois de ganharem a liberdade condicional. Dos quase 30 presos que começaram a trabalhar na Engefort, quase metade debandou.

— A gente não pode retirar das pessoas a oportunidade de mudar. Nunca alguém ficou tanto tempo no nosso sistema, não podemos perdê-lo — analisa o juiz Brzuska, que faz questão de acompanhar os passos de Camilo, e até registra em fotos momentos marcantes de seu caminho de volta.


ZERO HORA

terça-feira, 6 de agosto de 2013

REBELADOS SÃO TRANSFERIDOS DE PRESÍDIO


Ijuí News  29/07/2013

17 detentos rebelados em Santa Rosa são transferidos para Ijuí



Presos ficam na Modulada de Ijuí temporariamente. Foto: Abel Oliveira/BD


Pelo menos 17 detentos do Presídio Estadual de Santa Rosa receberam autorização de transferência temporária para a Penitenciária Modulada de Ijuí, depois de uma rebelião de quatro horas, na noite deste domingo (28/7).

Por volta das 23h os presos incendiaram colchões em protesto pela superlotação da Casa. A Brigada Militar foi acionada e conseguiu controlar a situação já na madrugada desta segunda-feira.

Alguns presos feridos foram encaminhados ao Hospital da cidade. O Presídio de Santa Rosa tem capacidade para 120 detentos, mas aloja cerca de 350. Destes, 33 são mulheres.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MAIS TORNOZELEIRAS

ZERO HORA 02 de agosto de 2013 | N° 17510


CARLOS GUILHERME FERREIRA

Estado projeta vigiar mil detentos até o fim do mês. Susepe avalia como positivo resultados do uso do equipamento que monitora os passos de presos


Após 67 dias de funcionamento do sistema de vigilância eletrônica no Rio Grande do Sul, 301 apenados dos regimes aberto e semiaberto são monitorados por meio de tornozeleiras. A expectativa da Divisão de Monitoramento Eletrônico (DME), da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), é de chegar a mil presos até o fim do mês – número previsto para dezembro, na meta original.

Conta para a estimativa otimista a liberação, pela Justiça, de aproximadamente 500 autorizações para novos equipamentos. Cabe ao apenado, porém, a decisão de aderir ao sistema.

O funcionamento traz otimismo ao chefe da DME, Cezar Moreira. Ele estima que entre 70% e 80% dos apenados com direito à tornozeleira aceitam usar o recurso. E 80% dos que instalaram a peça, conforme dados de até 23 de julho, não se envolveram em problemas ou rejeitaram o sistema. De 184 monitorados até aquele momento, houve 37 registros. Entre as ocorrências, estão oito prisões em flagrante, seis pedidos para deixar o programa e 15 fugas (nas quais houve captura e transferência para o regime fechado). Três presos tiveram mortes violentas.

Apesar de incipientes, os dados agradam ao professor Juan Mario Fandino Marino, do núcleo de pesquisa sobre violência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

– Aceitar a tornozeleira é uma vitória da Justiça. É um caminho promissor que está se abrindo – afirma.

Fandino faz a ressalva de que o sistema ainda engatinha e que seria preciso avaliar até onde se poderia ir. Mas comemora a chance de saída do conflagrado ambiente dos albergues prisionais para aqueles dispostos a uma recuperação (e a abertura de vagas nas cadeias). Acredita, também, em crescimento de adesões, devido à perspectiva de que a Justiça autorize novas tornozeleiras – por enquanto, restritas às Varas de Execuções Criminais de Porto Alegre e Novo Hamburgo. Dos 500 ofícios já aprovados, segundo a Susepe, cerca de 200 são do semiaberto.

Benefício para apenados com emprego e bom comportamento

Há critérios para definir quem pode entrar no sistema de tornozeleiras. Conforme Moreira, a Susepe faz uma triagem a partir de aspectos como residência fixa, bom comportamento e emprego para encaminhar os nomes à Justiça.

O órgão poderia instalar entre cem e 150 equipamentos por semana, a um custo de R$ 260 por apenado. As peças são entregues por uma empresa, em regime de comodato, conforme a demanda na Susepe. Cada uma toma aproximadamente 40 minutos na instalação, entre cadastro de zona de circulação e de dados da pessoa. Quando em funcionamento, as peças enviam sinais de localização para um software na central onde é feita a vigilância.


Juiz critica a falta de controle no semiaberto

Para o juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, Sidinei Brzuska, o aumento do número de apenados com tornozeleiras pode ser avaliado por dois aspectos. O primeiro, negativo: uma espécie de reconhecimento, por parte do Estado, da incapacidade de manter em ordem os apenados do sistema semiaberto. Mas também há de se ressaltar, afirma, a possibilidade de saber onde eles estão, por meio do monitoramento.

– Temos um problema sério de falta de controle no semiaberto, o que tem produzido interdições. Se o Estado não tem controle, que coloque a tornozeleira – afirma, em referência às casas prisionais de Viamão, Mariante e Charqueadas (em vias de interdição), o que totaliza cerca de mil vagas.

Por isso, Brzuska acredita ser possível chegar a mil apenados com tornozeleiras, já que a VEC tem concedido as autorizações para a Susepe.


COMO FUNCIONA
- O equipamento eletrônico vibra se houver problemas.
- Conectada a uma central, a peça permite o rastreamento do apenado, 24 horas por dia.
- Uma vez com a tornozeleira, que é lacrada, ele não pode retirá-la.
- O apenado tem uma rota determinada entre residência e trabalho, com tempo necessário para cumpri-la.
- Conforme o crime, pode haver uma zona de exclusão.
- Se o apenado sair da zona determinada, a tornozeleira vibra e aciona a central.
- A Susepe, então, entra em contato, por celular.
- A cada 24 horas, o apenado tem de recarregar a tornozeleira.
- Ela é ligada a uma tomada, como se fosse um celular, com um fio de cinco metros de extensão.

O HISTÓRICO
- Os estudos técnicos da Susepe para implantar tornozeleiras eletrônicas começaram em 2008.
- Entre 2010 e 2011, houve uma fase de testes com 200 apenados. Registraram-se, dentre eles, duas prisões por tráfico, uma fuga e um assalto.
- Em maio deste ano, a Secretaria da Segurança Pública do Estado anunciou a implantação do projeto, com meta imediata de 400 tornozeleiras – e de mil até o fim do ano.

POR QUE É IMPORTANTE
- As tornozeleiras podem ajudar a desafogar o sistema prisional no Rio Grande do Sul.
- Como presos do regimes aberto e semiaberto poderão ser vigiados eletronicamente, essas vagas poderiam ser preenchidas por apenados que já têm o direito à progressão de regime mas que permanecem trancafiados em presídios em razão da superlotação de albergues e colônias penais.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, Sidinei Brzuska, reafirma o que todo mundo sabe, mas só os altos cargos dos poderes não querem reconhecer ou não há vontade em investir nesta ponta do sistema de justiça criminal. O Poder Executivo (responsável pela guarda e pela custódia dos apenados) e o Poder Judiciário (responsável pela supervisão da execução penal) têm sido incapazes "de manter em ordem os apenados do sistema semiaberto", de controlar os benefícios e monitorar os apenados. Até o MP e a Defensoria se omitem em deveres nesta área. A minha sugestão para realizar este controle e monitoramento é criação de um órgão ou departamento para exercer estas funções através de agentes da condicional. Sem este órgão ou departamento, os custos com tornozeleiras são desperdício do dinheiro público, a prisão domiciliar uma falácia e o trabalho externo uma farsa.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ESTUPRADOR DE CRIANÇA É MORTO DENTRO DA CELA E TEM PÊNIS ARRANCADO

R7 - 1/8/2013 às 01h00

Polícia investiga mutilação e morte na cadeia de estuprador de criança no RJ. Corpo de Marcos de Souza Silva foi achado com perfurações e com pênis arrancado

Pedro Neville, do R7


Segundo a polícia, o suspeito tirou a menina de dentro de casa e, após estuprá-la, a abandonou em entulhosReprodução Rede Record

A Polícia Civil investiga os responsáveis pela morte de Marcos de Souza Silva, de 21 anos, que foi encontrado na quarta-feira (31) com múltiplas perfurações pelo corpo e mutilações no presídio Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos dos Goytacazes, no norte do Estado.

O assassinato foi cometido um dia após um exame de DNA comprovar que havia resquícios de sêmen de Marcos no corpo da menina Gabriely Batista da Silva, de dois anos, que morreu após ser estuprada em Rio das Ostras, na região dos Lagos.

De acordo com o delegado Carlos Augusto da Silva, titular da Delegacia de Guarus (134ª DP), um aparelho de televisão foi encontrado em uma das celas do presídio Tinoco da Fonseca. A suspeita é de que detentos tenham resolvido “fazer justiça” após assistirem a uma reportagem do caso Gabriely.

O corpo de Marcos foi achado com a região genital mutilada e com uma orelha arrancada. Havia também sinais de abusos sexuais, além de perfurações no tronco e no crânio.

Oito detentos foram levados para realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal da região. Na delegacia, eles se recusaram a prestar esclarecimentos, conforme contou o delegado Carlos Augusto ao R7.

—Eles não estão colaborando. Alguns são traficantes e existe uma lei de silêncio entre eles. Ao que tudo indica, houve uma falha dos agentes penitenciários ao colocá-lo [Marcos] junto com os outros presos. Os detentos aproveitaram a trocas de turno dos agentes para matar o rapaz.

Marcos de Souza, que, segundo as investigações, era usuário de crack, foi preso por furto em 6 de julho, poucos dias após a morte de Gabriely. O envolvimento dele no assassinato foi descoberto pela polícia no dia 12, quando o jovem foi transferido de uma casa de custódia para o presídio Carlos Tinoco da Fonseca.

O delegado Carlos Augusto quer entender o motivo de o rapaz não ter sido separado dos outros detentos, como é de praxe para suspeitos de estupros e crimes hediondos.

— A informação que a gente tem é de que a delegada Carla Tavaes [da 128º DP] solicitou um seguro pelo crime que ele praticou. Pedi os registros de entrada no presídio para apurar qual foi o caminho que ele percorreu. Não há câmeras viradas para o corredor onde o crime ocorreu. Vamos investigar se houve omissão dos agentes penitenciários.

A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária informou que abriu sindicância para apurar as circunstâncias da morte.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Onde a justiça é desacreditada, abrem-se as portas para os bandidos, rebeldes e JUSTICEIROS.

terça-feira, 30 de julho de 2013

CINCO ANOS DEPOIS

ZERO HORA 27 de julho de 2013 | N° 17504

Agentes penitenciários são presos por morte de colega. Servidor foi assassinado porque teria descoberto suposto envolvimento de carcereiros em crimes


Um caso que parecia entrar para a galeria dos crimes insolúveis ganhou novo rumo ontem com a prisão preventiva de três agentes penitenciários por envolvimento no assassinato de um colega, em Porto Alegre. O crime ocorreu há cinco anos. Durante esse período, o caso revoltou a categoria pela brutalidade e pela falta de pistas do matador.

Paranaguá Leal Rodrigues, 55 anos, Daniel Tadeu Medeiros Collar, 47 anos, e Luís Antônio Rodrigues Fernandes, 51 anos, passaram para o outro lado das grades por ordem da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre. Os três agentes e o segurança Luís Mario Rodrigues, 54 anos, também preso, são suspeitos de participação na morte do agente penitenciário William Mansur Tadrous de Souza, 39 anos, em junho de 2008.

Os três agentes penitenciários foram presos ontem pela manhã em suas casas na Capital, por equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O segurança não foi localizado, mas horas depois se apresentou ao Deic. Paranaguá e Collar estavam afastados das funções desde abril de 2012 por responder a um outro processo criminal e Fernandes estava cedido à Polícia Civil havia cerca de quatros anos, trabalhando no setor de investigações da 1ª Delegacia da Polícia Civil na Capital. A prisão de Fernandes causou surpresa na repartição.

– Colegas choraram quando souberam. Ele é uma pessoa do bem, dedicado, um excelente funcionário. Não acredito na participação dele nesse caso. Era amigo da vítima. Inclusive, cobrava da Delegacia de Homicídios a elucidação do caso – lamentou o delegado Paulo César Jardim.

Segundo denúncia do Ministério Público, assinada pela promotora Lúcia Helena de Lima Callegari, o crime foi praticado para silenciar William, que saberia do envolvimento de colegas em crimes de roubo e corrupção.

A vítima sofreu uma emboscada quase em frente ao apartamento que vivia no bairro Cristo Redentor, na zona norte da Capital. Alvejado na cabeça, William morreu três dias depois. O caso foi investigado pela Delegacia de Homicídios, mas o inquérito acabou concluído sem apontar a autores.

Revoltados, amigos e parentes procuraram o Ministério Público, levantando suspeitas de que colegas estaria envolvidos no crime. Eles estavam intrigados com uma afirmação de William, dias antes de morrer:

– Pior que presos são alguns colegas.

Suspeitos teriam soltado presos em troca de dinheiro

A promotora de Justiça Lúcia Callegari começou a remexer no caso há cerca de três meses. E solicitou cópias de uma investigação do MP de 2008 que resultou em um processo na 1ª Vara Criminal do Foro Regional do Partenon (ainda em andamento) contra cinco agentes penitenciários – entre ele Paranaguá Leal Rodrigues e Daniel Tadeu Medeiros Collar.

Na época, lotados no Instituto Penal Padre Pio Buck, na Capital, eles foram denunciados por soltar presos para cometer roubos, em troca de pagamento em dinheiro. Os cinco foram acusados de crimes como formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção passiva e peculato, em parceria com os apenados e com uma advogada.

Os documentos chegaram às mãos da promotora anexados a 20 CDs com centenas de horas de gravações de interceptações telefônicas, somando 39 volumes de papeis. Foi analisando os grampos e depoimentos de pessoas ligadas a William que a promotora reuniu elementos para denunciar os quatro homens pela morte do agente penitenciário.

– William era uma pessoa do bem e tinha descoberto crimes cometidos pelos colegas – afirmou a promotora.

JOSÉ LUÍS COSTA

O ALVO DA EMBOSCADA - Nascido em Santa Vitória do Palmar, na fronteira com o Uruguai, William Mansur Tadrous de Souza, 39 anos, primogênito – e único filho homem – de um zelador de prédio e de uma dona de casa, vivia desde a infância na zona norte de Porto Alegre. Trabalhou desde os 16 anos em escritórios de empresa de material de construção, financeira e banco, até ingressar na Susepe, em 1993. Foi agente em cadeias e albergues em Caxias do Sul, Osório, Gravataí e Porto Alegre. Solteiro e sem filhos, vivia com os pais.

A DENÚNCIA DO MP - Os argumentos baseados em depoimentos e escutas telefônicas
- William trabalhava no Instituto Penal Irmão Miguel Dario, na Capital, e fazia bico como segurança de uma empresa particular sob a coordenação de Paranaguá Leal Rodrigues e do segurança Luís Mario Rodrigues.
- William e dois colegas teriam descoberto o envolvimento de Paranaguá e os denunciados em roubos.
- No dia do assassinato, em 14 de junho de 2008, William deveria ir para casa pela manhã. Mas teria sido convencido por Rodrigues a substituí-lo no posto de segurança particular por 12 horas. Para o MP, seria uma forma de monitorar os passos de William.
- Após William ser baleado e internado em estado grave, Paranaguá foi ao hospital e falou por telefone com Rodrigues. Paranaguá teria dito: “Está indo, está encaminhando... com morte cerebral”
- Sabedor que estava com telefone grampeado, Paranaguá evitaria falar sobre o motivo do crime pelo celular, mas simularia empenho para elucidação e levantaria desconfianças contra outros agentes para confundir a investigação.
- Conversa interceptada entre dois agentes na qual eles afirmariam que Paranaguá é o autor do crime. Conversa entre Paranaguá e um ex-PM que admite ter matado duas pessoas.

CONTRAPONTOS

O que diz o advogado Ricardo Breier, defensor de Luís Antônio Rodrigues Fernandes - Ainda não posso me pronunciar sobre o caso porque tive acesso aos autos apenas no final da tarde de hoje (ontem). Vou analisar as provas colhidas pela investigação durante o final de semana.

O que diz o advogado dos demais acusados - Zero Hora tentou contato com o advogado, mas ele não atendeu aos telefonemas.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

CORTAR CABEÇA É COMUM NA PENITENCIÁRIA DE ITIRAPINA

ESTADÃO. Texto atualizado às 9h40 de 15/7/2013

Após mais de 21 horas, rebelião no interior de São Paulo chega ao fim. Dois presos morreram decapitados e 68 visitantes foram impedidos de deixar a Penitenciária de Itirapina

Por Sandro Villar e Mateus Coutinho, estadao.com.br

Após mais de 21 horas, foi encerrada na manhã desta segunda-feira, 15, a rebelião que deixou dois presos decapitados e mortos e 68 visitantes, incluindo crianças, mulheres grávidas e idosos, reféns na Penitenciária de Itirapina, no interior de São Paulo. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (SAP), a situação se normalizou por volta das 8h20. A Tropa de Choque entrou no presídio após o final das negociações para revistar os presos e levá-los de volta às suas celas.

Nenhum refém ficou ferido. A Tropa de Choque veio de São Paulo, mas não houve necessidade de invasão. Policiais militares de Piracicaba e Rio Claro também foram para Itirapina. Policiais e diretores do presidio negociaram a maior parte do tempo com os detentos. "Resolvemos no diálogo, mexendo com o psicológico deles (presos)", afirmou o soldado Leandro Casonato, de 41 anos, da PM de Itirapina. Sobre os presos decapitados, o policial disse ao Estado que "cortar cabeças é comum na Penitenciária de Itirapina".

A rebelião começou às 11 horas de domingo, 14, depois que uma mulher, que visitaria o marido, foi barrada na portaria. O marido dela protestou e a confusão começou. Os presos impediram a saída dos visitantes no período da manhã. Por meio de uma mulher, liberada pelos detentos com a condição de avisar a imprensa sobre o motim, os presidiários apresentaram suas reivindicações.

Eles exigem a ampliação do horário de visitas. Atualmente, as visitas podem ser feitas até as 15 horas. Os presidiários querem que o horário seja ampliado até as 16 horas.

A Tropa de Choque só entrou no presídio após o fim da rebelião. "Os policiais farão a vistoria de praxe", resumiu Rosana Garcia, assessora de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

O presídio está superlotado. A capacidade é para 210 detentos e hoje a penitenciária abriga 692.









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APÓS 21 HORA,S REBELIÃO CHEGA AO FIM COM DOIS PRESOS DECAPITADOS E 68 REFÉNS


Após mais de 21 horas, rebelião no interior de São Paulo chega ao fim. Dois presos morreram decapitados e 68 visitantes foram impedidos de deixar a Penitenciária de Itirapina

14 de julho de 2013 | 21h 00

Sandro Villar e Mateus Coutinho - O Estado de S. Paulo


Após mais de 21 horas, foi encerrada na manhã desta segunda-feira, 15, a rebelião que deixou dois presos decapitados e mortos e 68 visitantes, incluindo crianças, mulheres grávidas e idosos, reféns na Penitenciária de Itirapina, no interior de São Paulo. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (SAP), a situação se normalizou por volta das 8h20. A Tropa de Choque entrou no presídio após o final das negociações para revistar os presos e levá-los de volta às suas celas.

Nenhum refém ficou ferido. A Tropa de Choque veio de São Paulo, mas não houve necessidade de invasão. Policiais militares de Piracicaba e Rio Claro também foram para Itirapina. Policiais e diretores do presidio negociaram a maior parte do tempo com os detentos. "Resolvemos no diálogo, mexendo com o psicológico deles (presos)", afirmou o soldado Leandro Casonato, de 41 anos, da PM de Itirapina. Sobre os presos decapitados, o policial disse ao Estado que "cortar cabeças é comum na Penitenciária de Itirapina".

A rebelião começou às 11 horas de domingo, 14, depois que uma mulher, que visitaria o marido, foi barrada na portaria. O marido dela protestou e a confusão começou. Os presos impediram a saída dos visitantes no período da manhã. Por meio de uma mulher, liberada pelos detentos com a condição de avisar a imprensa sobre o motim, os presidiários apresentaram suas reivindicações.

Eles exigem a ampliação do horário de visitas. Atualmente, as visitas podem ser feitas até as 15 horas. Os presidiários querem que o horário seja ampliado até as 16 horas.

A Tropa de Choque só entrou no presídio após o fim da rebelião. "Os policiais farão a vistoria de praxe", resumiu Rosana Garcia, assessora de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

O presídio está superlotado. A capacidade é para 210 detentos e hoje a penitenciária abriga 692.