sábado, 9 de dezembro de 2017

O BRASIL NÃO É O PAÍS MAIS QUE MAIS ENCARCERA NO MUNDO

Blog Felipe Moura Brasil 11/02/2017


Brasil é, no mínimo, o 34º em número de presos por 100 mil, mas jornais caem na maquiagem do relatório do Infopen. José Eduardo Cardozo conseguiu emplacar na imprensa, em pleno período de discussão sobre a redução da maioridade penal, a notícia de que o Brasil tem a 4ª maior população carcerária do mundo, com 607 mil presos, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos e Rússia.

Por Felipe Moura Brasil





José Eduardo Cardozo conseguiu emplacar na imprensa, em pleno período de discussão sobre a redução da maioridade penal, a notícia de que o Brasil tem a 4ª maior população carcerária do mundo, com 607 mil presos, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos e Rússia.

Os dados são de um relatório do Infopen, divulgado pelo Ministério da Justiça, e também mostram a superlotação em presídios nacionais.
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Como sempre, os jornais reproduzem o release oficial, sem informar os leitores de que, bem, o Brasil tem a 5ª maior população do mundo, atrás apenas de China, Índia, EUA e Indonésia, de modo que ficar em 4º em número absoluto de presos é absolutamente natural.

No ranking mundial de número de presos por habitantes, o Brasil ocupa, na verdade, a vergonhosa 36ª posição, com 289 presos por 100 mil habitantes, de acordo com o Centro Internacional de Estudos Prisionais (ICPS, na sigla em inglês).

O relatório do Infopen aumentou esse número de 289 para 300 presos por 100 mil, o que não melhora em praticamente nada a posição do Brasil, que ficaria então em 34º.

Acontece que o relatório faz parecer que o Brasil ficaria em 4º também neste quesito, como “acreditou” uma parte da imprensa. É mentira. E eu provo.

O Infopen apresenta na figura abaixo “um panorama geral da situação prisional dos vinte países com maior número de presos no mundo”. Veja:



Em seguida, vem a maquiagem sutil do Infopen: “Cotejada a taxa de aprisionamento desses países, constata-se que, em termos relativos, a população prisional brasileira também é a quarta maior: somente os Estados Unidos, a Rússia e a Tailândia têm um contingente prisional mais elevado.”

O relatório dá margem à confusão, porque indica a posição do Brasil em número de presos por 100 mil habitantes não no ranking de todos os países do mundo, mas no dos 20 países com maior número absoluto de presos. E esses 20 países não são necessariamente os que têm o maior número de presos por 100 mil.

As listas são diferentes, é claro, e eu mostro a verdadeira, que o Infopen faz questão de não mostrar, embora cite o ICPS quando lhe convém.



Na lista correta do ICPS, Estados Unidos (em 2º), Rússia (em 8º) e Tailândia (em 10º) também estão obviamente na frente do Brasil, com a diferença de que há mais algumas dezenas de países à frente do nosso, que não estavam na figura do relatório.

O Estadão e o UOL, no entanto, noticiaram a falsa posição do Brasil em termos proporcionais no ranking mundial (embora os números de cada país sejam praticamente os mesmos da lista correta, repare):

“Em termos proporcionais, o Brasil possui 300 presos para cada 100 mil habitantes, uma taxa menor apenas à verificada nos Estados Unidos (698 presos para cada 100 mil habitantes), na Rússia (468) e na Tailândia (457).”

Mentira. O Brasil está, no mínimo, em 34º lugar.


Mas o conto da 4ª posição é útil à militância de esquerda, ávida em mostrar que prender mais bandido é uma coisa assim muito ruim para o Brasil e, se o país está prendendo mais, é porque algo está errado, não porque ele precisa.

Levando-se ainda em conta que o Brasil é o líder isolado em número absoluto de homicídios, e que apenas 8% dos casos chegam a ser solucionados, obviamente conclui-se que a polícia prende muito menos do que deveria, ao contrário do que petistas e demais esquerdistas querem provar.

Com frequência, como já mostrei aqui, eles também usam o velho expediente de relacionar a taxa nacional de encarceramento – elevada pelos estados que prendem mais – à taxa nacional de homicídios – elevada pelos estados que prendem menos – para fazer parecer que prender bandido não reduz a criminalidade e o Brasil “precisa de menos pessoas presas”.

Na verdade, precisamos é de mais e melhores prisões, mas há 12 anos o PT prefere usar a precariedade do sistema prisional para legitimar que os bandidos – integrantes da classe revolucionária, como ensinava Herbert Marcuse – fiquem soltos aterrorizando a população brasileira.

Como disse o deputado Efraim Filho (DEM-PB) há uma semana, na comissão da maioridade penal:

“O governo aqui falou, por exemplo, que os presídios são medievais, mas foi ele que contingenciou os recursos para construir os presídios.”

Pois é. Os jornais não deveriam contingenciar essas informações.

Felipe Moura Brasil ⎯ https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

terça-feira, 7 de novembro de 2017

OS PRESÍDIOS SUPERLOTADOS E A INSEGURANÇA




JORNAL DO COMÉRCIO 07/11/2017

07/11/2017 - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/opiniao/594765-os-presidios-superlotados-e-a-inseguranca-no-estado.html)


EDITORIAL


Os presídios superlotados e a insegurança no Estado



"Sou obrigada a descumprir a lei diariamente." A frase é da juíza de Execuções Criminais Sonáli da Cruz Zluhan, que assumiu o Juizado do Presídio Central de Porto Alegre. A casa prisional já foi considerada a pior do País. Atualmente, a unidade abriga 4.669 presos, em um espaço com capacidade para 1.824. São números que provam a falência do sistema. 


Os brasileiros bradam por punições justas e o encarceramento dos que são condenados. É o ritual de todas as sociedades civilizadas. A ativação, mesmo que parcial, do presídio de Canoas desafogou delegacias e liberou viaturas da Brigada Militar. Mas a Polícia Civil e a Brigada continuam prendendo, o que é necessário.

Porém, falta dinheiro para a criação de, pelo menos, mais 5 mil vagas prisionais no Rio Grande do Sul. A penúria financeira do Estado prejudica justamente os setores que mais necessitam de investimentos, a educação, a saúde e a segurança pública.

Nesta última, por óbvio, está um sistema prisional capaz, bem estruturado e com fiscalização. Cadeias não devem ser depósito de presos, mas locais organizados e onde quem errou pague seus débitos com a sociedade. Seja um simples cidadão, seja o engravatado que surrupiou verbas públicas.

O fato é que a insegurança continua apavorando os porto-alegrenses. Hoje, muitos roubam, e isso vai desde altos cargos da República até o furto de celulares praticado por ladrões em ruas e avenidas da Capital.

Especialistas em segurança pública afirmam que chegou no "mercado" a geração criada com videogames violentos, filmes e programas de televisão em que a morte é banalizada. Além, é claro, da impunidade que grassa no Brasil.

Grupos de trabalho, frases de efeito e, no fim, pouco, muito pouco é realizado. Falta dinheiro, é verdade. Mas também a questão prisional raramente foi encarada como prioridade.

Ah, mas quando se abre uma escola se fecha um presídio. Pois no Brasil, há anos, abrem-se poucas escolas no Ensino Fundamental - muitos municípios estão quebrados - e não se constroem cadeias.

A rigor, cada município deveria ter o seu presídio. Os condenados não seriam afastados das famílias, e as penas seriam cumpridas com mais rigor. E sem as famigeradas facções que comandam o crime desde as infectas e superlotadas cadeias.

Como quase tudo, o que está acontecendo nesta onda de violência não tem apenas uma causa, mas é consequência do somatório de erros que começam pela ausência de núcleo familiar bem constituído e chegam no desemprego, na falta de ocupação e nas drogas, flagelo que só tem aumentado e está na raiz da maior parte dos crimes.

O problema é amplo e envolve desde a corrupção ativa e passiva a que os brasileiros - tudo indica - se acostumaram como sendo uma nódoa intratável até a indisciplina e a falta de planejamento nos serviços públicos. Inchados, dirigidos alguns com viés ideológico e não técnico, a ojeriza pelo lucro que brota aqui e ali quando os governos estão exauridos, mesmo cobrando impostos em demasia dos brasileiros.

Os déficits fermentam nos tesouros e ninguém dá solução. É um problema que se arrasta há décadas. Precisamos de ação, decisões, Parcerias Público-Privadas (PPPs). E que não se perpetuem as reuniões, a epidemia do "assembleísmo", que nada resolve e posterga o que precisa ser, mas nunca é, realizado.

- Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/opiniao/594765-os-presidios-superlotados-e-a-inseguranca-no-estado.html)


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -
EXECUÇÃO PENAL IRRESPONSÁVEL. A JUSTIÇA TEM QUE CUMPRIR E FAZER CUMPRIR A LEI. Cadê a apuração de responsabilidade, uma das competências do juizado da execução penal? Quem está obrigando a juíza a "descumprir a lei"? A execução penal insegura, desumana, ociosa e dominada pelas facções tem culpados, mas o Judiciário, o MP e a Defensoria se omitem em apurar, denunciar, requerer providências, processar e condenar o responsável pela morosidade em julgar os presos provisórios, pela conivência em esta situação caótica e pela não construção de unidades prisionais capazes de abrigar os presos da justiça e atender a finalidade da pena e os objetivos da execução.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A DETERIORAÇÃO DOS PRESÍDIOS




EDITORIAL



Mesmo com a recente liberação do presídio de Agudo, o número de instituições carcerárias interditadas no Rio Grande do Sul aumentou de 30, em agosto, para 33, conforme o último levantamento da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), divulgado agora. As interdições, motivadas por decisões judiciais, demonstram que, além de não conseguir ampliar o número de vagas no sistema, o poder público tampouco consegue manter as já existentes em condições adequadas de abrigar presos. A reestruturação do sistema penitenciário é apontada sempre como uma das prioridades na área de segurança pública. A falta de recursos, porém, faz com que os resultados práticos fiquem sempre abaixo das necessidades.

Das prisões gaúchas hoje sem condições de manter detentos, quatro têm interdição total, incluindo o Presídio Regional de Passo Fundo, e 29 operam com alguma ressalva em municípios espalhados por todo o Estado. Em consequência, milhares de condenados não têm como ser recolhidos por falta de condições físicas. Boa parte circula sem qualquer monitoramento, pois também não há tornozeleira eletrônica para todos. A impossibilidade de o poder público agir no mesmo ritmo das necessidades põe em xeque a política de encarceramento em massa. Ao mesmo tempo, reforça a urgência de um debate mais amplo para a definição de alternativas em condições de conciliar as necessidades e a realidade financeira do setor público.

Juízes das Varas de Execuções Criminais (VECs), responsáveis por fiscalizar a situação das cadeias, cobram providências de forma constante. A Susepe, com frequência, não tem nem como respondê-las, muito menos como atendê-las, por falta de condições. O agravante é que, também em muitas delegacias de polícia, a situação só não chegou ao ponto da interdição devido a providências como a recente entrada em operação do módulo 2 da Penitenciária de Canoas, a Pecan 2. Mas é necessário fazer muito mais.

A precariedade da situação carcerária, que vem de gestões anteriores, precisa ser enfrentada de vez, antes de se tornar insustentável. Quanto mais tempo os alertas do Judiciário levarem para surtir algum efeito nas prisões, maior será o custo bancado pelo Estado. Do jeito como se encontra hoje, o sistema prisional só favorece as facções criminosas, que se fortalecem justamente a partir das fragilidades do poder público.

Os Órgãos da Execução Penal são os responsáveis pela questão prisional. Cadê as políticas penitenciárias do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária?  Cadê a apuração de responsabilidade pelo Poder Judiciário que é poder o supervisor da Execução Penal?


















COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A mídia continua com uma visão míope da questão prisional. Não existe um "sistema penitenciário" a cargo do Poder Executivo, mas uma execução penal sob competência e incumbências de poderes e órgãos da execução penal determinada em lei específica. Esta visão distorcida impede de analisar o contexto que está envolvida a questão prisional e as responsabilidades do Judiciário, do MP, da Defensoria, do Departamento Penitenciário, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e de outros órgãos que compõe o "sistema de execução penal". E nesta análise surge um questionamento: por que os poderes e órgãos competentes não apuram a responsabilidade e condenam os culpados pelas irregularidades, ilicitudes e crimes cometidos que transforma a execução penal num caos?


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

DELEGACIAS COM ALAGAMENTOS E PRESOS NOS PÁTIOS


GAUCHAZH 15/10/2017


Com presos nos pátios e alagamentos, sindicato quer interditar delegacias das regiões Metropolitana e Carbonífera. Com pelo menos 166 detentos mantidos em carceragens de DPs, entidade pede vistoria do Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária em 12 prédios


Leticia Mendes / especial




Após dias de chuva intensa no Estado, DP de São Leopoldo, no Vale do Sinos, que já enfrenta superlotação, ficou alagada na sexta-feiraUgeirm / Divulgação


O caos prisional, que tem transformado delegacias gaúchas em presídios improvisados, é o principal motivo apontado pela Ugeirm Sindicato — entidade que representa escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil — para solicitar vistorias e a interdição de 12 prédios. Nesta segunda-feira, o sindicato começará a percorrer as prefeituras e sede dos bombeiros de nove cidades da Região Metropolitana e Carbonífera. O intuito é conseguir que os detentos sejam retirados das DPs e que as construções com problemas estruturais sejam reformadas.


O sindicato solicitará que sejam vistoriadas pelos bombeiros e vigilância sanitária quatro delegacias de Porto Alegre: 2ª e 3ª DPPAs, Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc).



Ainda pedirá que sejam verificadas as condições das DPPAs de Alvorada, Viamão, Gravataí e São Leopoldo, da Central de Polícia de Canoas, da Central de Polícia de Novo Hamburgo, e das DPs de São Jerônimo e de Charqueadas. Aos bombeiros, o sindicato pretende pedir que sejam verificadas as condições dos planos de prevenção e proteção contra incêndios (PPCIs).


— A questão não é só dos presos, mas das condições todas, de saídas de emergência, por exemplo — diz o presidente da Ugeirm, Isaac Ortiz.


Já com as prefeituras, a entidade espera, por meio das secretarias de saúde e unidades da vigilância sanitária, comprovar que as condições são de insalubridade, devido à permanência dos presos por tempo excessivo.


— As pessoas não têm onde tomar banho nem onde tomar água. Tem gente doente. É uma situação séria. Uma vergonha para nós. Se cometeu crime, tem de ir para a cadeia sim, mas a gente tem de ter um princípio mínimo de humanidade — critica.


Em São Leopoldo, na sexta-feira, havia 15 presos, quatro deles mantidos em viaturas. Com a chuva intensa da última semana, o prédio da DPPA alagou devido a problemas no escoamento do esgoto e de goteiras. Outra delegacia que o sindicato espera que seja vistoriada é a de Charqueadas, na Região Carbonífera, de onde três presos escaparam após abrir um buraco em uma cela, no fim do mês passado.


— Tenho certeza que todas as delegacias não passam pela vistoria. As DPs não têm as mínimas condições. Em Alvorada, por exemplo, os presos tomam banho na rua, do lado de um colégio. Tem alagamentos, tem goteiras também. As condições de higiene são terríveis. Os presos estão cumprindo pena nas delegacias. A gente espera uma resposta urgente das prefeituras e dos bombeiros — diz Ortiz.


Em Canoas, onde existe uma Central de Polícia, no último dia 4, a reportagem flagrou presos esperando vaga em presídios dormindo ao relento.

Detentos dormem no pátio da Central de Polícia de Canoas, na Região MetropolitanaRonaldo Bernardi / Agencia RBS


A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança do Estado informou que só se manifestará sobre o assunto após ser notificada oficialmente sobre o teor da solicitação do sindicato. Procurado, o comando do Corpo de Bombeiros informou que se manifestará nesta segunda-feira assim que receber a solicitação da Ugeirm. A corporação ainda disse que, até o começo do feriado, 99 guias aguardavam para serem analisadas e vistoriadas pelo 1º Comando Regional (1° CRB), com sede em Porto Alegre.


"Situação pública e notória de ilegalidade"
Desde 2016, cenas como as de presos em viaturas é recorrente na Capital e em cidades das regiões Metropolitana e CarboníferaRonaldo Bernardi / Agencia RBS


Segundo o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, delegado Fábio Motta, atualmente há, pelo menos, 160 presos sendo mantidos em delegacias da Região Metropolitana. O policial reconhece que a situação é irregular.


— É uma situação pública e notória de ilegalidade que vem sendo mantida. As delegacias não têm a mínima estrutura para a manutenção dessas pessoas — afirma.


Em relação à questão da estrutura, no entanto, o delegado argumenta que na Região Metropolitana estão algumas das melhores delegacias do Estado, como a Central de Polícia de Canoas, inaugurada em 2012, e a Central de Polícia de Novo Hamburgo.


Canoas, no entanto, concentra atualmente o maior número de presos, com 64 nas celas e no pátio. No início da última semana, o número de suspeitos de crime no local chegou a 85. A capacidade da delegacia é de 20 presos.


— Tem presídio pequeno, no Interior, que não tem esse número de preso, ainda mais sem estrutura nenhuma de alimentação, higiene, ou dormitório. Não existe nada disso.


O que mais preocupa são as vidas lá dentro. Os policiais não são treinados para isso e são condicionados a uma situação dessas. Isso coloca vidas em risco. Ricardo Breier, Presidente da OAB-RS


Em Canoas, há um preso que está no local há 60 dias. Em Gravataí, segundo o delegado, o problema também não é estrutural. No entanto, na sexta-feira, 29 detentos estavam sendo mantidos no local — 28 deles dentro de viaturas que ficam em frente à DP. Conforme Motta, o prédio de São Leopoldo deverá passar por reforma.



Ambiente de tensão para vítimas e policiais



Gritaria e tumulto por parte dos presos é uma situação que se tornou comum em frente às delegacias, como a DPPA de Gravataí. Um ambiente de tensão, que afeta inclusive as pessoas que foram alvos de crimes e buscam o atendimento da polícia.


— Não é o ambiente propício para que a vítima de um crime seja acolhida. Ela chega, se depara com esse ambiente e muitas vezes desiste de registrar — relata o delegado Fábio Motta.


Ainda conforme o policial, a situação se reflete na saúde dos policiais, que deixam o trabalho da investigação, para o qual foram treinados, para exercerem a função de carcereiros, em um ambiente sem estrutura.


— Mesmo que o policial tivesse preparação para essa função, é difícil tu cuidar de preso em um ambiente inadequado. O pessoal está adoecendo, por conta do estresse. Tomando medicamentos para dormir.


A interdição do Instituto Penal Padre Pio Buck, por conta de decisão judicial na quarta-feira, poderá impactar na situação das delegacias. A decisão determinou que os presos sejam transferidos do local. Caso não sejam abertas novas vagas, os presos que antes eram encaminhados para o albergue deverão permanecer nas delegacias.


— Queremos que os presos sejam transferidos, buscamos melhores condições para os policiais e para a população. A justiça interditou o Pio Buck e o prédio tem melhores condições do que todas essas delegacias — critica Ortiz.

PRESOS EM DELEGACIAS NESTE DOMINGO:


Porto Alegre — 14 presos em DPPAs
Canoas — 58
Gravataí — 23
Viamão — 20
Novo Hamburgo — 18
Cachoeirinha — 13
Alvorada — 10
São Leopoldo — 10
TOTAL = 166
Fonte: Departamento de Polícia Metropolitana.



"Daqui a pouco as DPs serão comandadas por facções", alerta presidente da OAB



O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio Grande do Sul, Ricardo Breier, afirma que a entidade acompanha com preocupação desde o ano passado a manutenção de presos em delegacias. Conforme o advogado, a OAB-RS oficiou o governo estadual cinco vezes sobre o perigo da medida, que ele considera como "retrocesso". Para o advogado, o risco maior é para as pessoas que procuram a delegacia para registrar ocorrências e para os servidores.


— O que mais preocupa são as vidas lá dentro. Os policiais não são treinados para isso e são condicionados a uma situação dessas. Isso coloca vidas em risco. Se algo acontecer com o cidadão ou com o policial o governo será o responsável.


Breier critica ainda o fato de a Brigada Militar e de viaturas permanecerem nas delegacias, na custódia de presos, enquanto poderiam estar na rua no policiamento. O advogado ressalta que a integridade do preso também fica comprometida nessa situação. Ele critica o fato de que nesses locais não é possível separar suspeitos de crime de menor periculosidade com outros ligados a facções. Conforme o advogado, presos em flagrante só poderiam permanecer na delegacia por 24 horas.


— Há uma ilegalidade geral. Os presídios estão sendo comandados pelas facções. Daqui a pouco as delegacias serão comandadas pelas facções e vamos ter episódios, como no Rio e em São Paulo, de resgates de presos. As facções estão muito organizadas e violentas. Basta ver as execuções.


O advogado relata que analisou todos os projetos de campanha dos governadores, desde o início dos anos 90, para verificar quais os planos relacionados à área da segurança, e critica a falta de medidas eficazes para a criação de vagas em presídios.


— Todos os programas já alertavam que era necessário investimento sobre a pena de colapso. Isso serve para a campanha, mas na hora da execução, não se faz. O caos que chegamos aqui é pela absoluta incompetência dos governantes. O Estado nunca teve uma política séria no sistema prisional. Nada foi feito. Agora quem está pagando, é o cidadão.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - NÃO EXISTE "CAOS PRISIONAL", E SIM "CAOS NA EXECUÇÃO PENAL". Falar em "caos prisional" é empurrar o problema  no Executivo e lavar as mãos na omissão e leniência dos demais atores. Está na hora dos jornalistas, especialistas e prisidiólogos envolverem todos os atores que são responsáveis pela caos,omissos em seus deveres, competência e incumbências. Há um rol de poderes e órgãos responsáveis pela execução penal que permitem que isto ocorra, são coniventes com as irregularidades, lavam as mãos, empurram com críticas e medidas paliativas, e devolvem o terror aos policiais e à população, nada fazendo para apurar os culpados, denunciar, processar, punir e exigir providências cabíveis e previstas em lei. Cadê o poder supervisor, o poder fiscal, a defensoria, o conselho penitenciário, o governador, os deputados? Cadê todos?

terça-feira, 12 de setembro de 2017

SITUAÇÃO PRISIONAL NA OEA


Estado tem mais de 13 mil presos a mais que capacidade total do sistema
JORNAL DO COMÉRCIO, 12/09/2017

SITUAÇÃO DO PRESÍDIO CENTRAL SERÁ ANALISADA PELA OEA



Situação do Presídio Central será analisada pela OEA - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/geral/584908-situacao-do-presidio-central-sera-analisada-pela-oea.html)
Situação do Presídio Central será analisada pela OEA - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/geral/584908-situacao-do-presidio-central-sera-analisada-pela-oea.html)
Igor Natusch


Alvo de movimentações junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) desde 2013, a situação do Presídio Central de Porto Alegre volta a ter desdobramentos na esfera internacional. A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) da entidade confirmou que vai conduzir de forma imediata a análise da denúncia de violações no complexo, que sofre de forma crônica com a superlotação e com problemas estruturais e de gestão. O Estado brasileiro é o principal denunciado, mas o Executivo do Rio Grande do Sul também pode responder de forma subsidiária pelas irregularidades, uma vez que é responsável pela gestão do sistema prisional gaúcho.

A análise de uma denúncia pelo Cidh passa por duas etapas. Na primeira, é definida a aceitação ou não da petição, passando depois à análise do mérito. Embora a primeira etapa não tenha sido concluída, a corte já havia emitido medidas cautelares, exigindo do País ações para melhorar a situação. Diante de indícios de que os problemas seguem ocorrendo, a Cidh decidiu conduzir o processo imediatamente - ou seja, irá avaliar admissibilidade e mérito ao mesmo tempo, um procedimento incomum por parte do colegiado. A divulgação do relatório ainda não tem data definida.

"Os principais pontos continuam os mesmos", diz Gilberto Schäfer, presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), uma das signatárias da denúncia. O principal, argumenta, é a permanente superlotação do complexo. Atualmente, segundo a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), há 4.663 pessoas no Central, unidade tratada hoje pelo Executivo gaúcho como Cadeia Pública de Porto Alegre. A capacidade prevista para o complexo fica em torno dos 1,8 mil detentos. Ao todo, o Estado tem 37.041 pessoas em prisões e penitenciárias - mais de 13 mil acima da capacidade de engenharia definida pela própria Susepe, de 24 mil apenados. Há, ainda, 110 pessoas nos dois centros de triagem conduzidos pela Susepe, além dos que aguardam condução aos presídios em delegacias ou, em situações extremas, em ônibus e viaturas da Polícia Civil e da Brigada Militar.

"O Central só não explodiu ainda porque as delegacias estão abarrotadas de presos (provisórios)", reforça o presidente da Ajuris. Outros problemas envolvem a má qualidade da alimentação fornecida aos detentos e a ausência de políticas de ressocialização e de ensino. Há também, diz ele, um grave comprometimento da estrutura predial - o que, além de aumentar a insalubridade no complexo, multiplica o risco de tragédias coletivas, como incêndios.

Na avaliação de Schäfer, as ações do Estado têm sido "insuficientes" para lidar com a gravidade da situação. "Sempre colocamos que o problema do Central não se resume a ele. Reflete na Região Metropolitana e em todo o sistema penitenciário gaúcho. A superlotação força os presos a se filiarem a facções, transformando detentos que, originalmente, não eram perigosos em grandes ameaças à sociedade. É preciso um plano prisional efetivo para o Rio Grande do Sul, a partir de aportes do governo federal", defende.

O Fórum da Questão Penitenciária, responsável pela denúncia, tem prazo de quatro meses para apresentar uma manifestação final sobre o caso do Central, na qual poderá reforçar e acrescentar argumentos à denúncia inicial. Após essa fase, o Cidh procederá a apreciação do mérito, que resulta em um relatório sobre a responsabilidade das esferas federal e estadual no problema. Caso o Brasil não aceite o relatório, a questão vai ao Tribunal Administrativo da OEA.

Governo prevê R$ 50 milhões para novas casas prisionais


Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reconhece que o atual quadro da Cadeia Pública de Porto Alegre exige investimentos "necessários e prioritários" para melhorar suas condições estruturais, mas reforça que a situação existe há décadas e foi agravada pela destruição do pavilhão, em 2014. Em curto e médio prazos, a pasta prevê investimentos de até R$ 50 milhões na construção de novas unidades, além da utilização plena da Penitenciária de Canoas, que depende da formação de agentes penitenciários aprovados em concurso no começo do ano.

Para os próximos 60 dias, a SSP prevê a conclusão de um terceiro centro de triagem, com capacidade para 112 detentos, além de uma nova cadeia pública, erguida através da permuta de imóvel da Federação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) com o Grupo Zaffari e com previsão de 400 vagas. A assinatura da ordem de serviço deve ocorrer em 60 dias, com prazo de execução de 180 dias. "Há, ainda, os presídios já anunciados em Viamão (430 vagas) e Alegrete (286 vagas). Em 2017, o Estado também recebeu a confirmação da construção de um presídio federal de segurança máxima, com 208 vagas", conclui a nota.

As obras em Canoas são alvo de críticas por parte do presidente da Ajuris. Na visão de Schäfer, o complexo tem "problemas de concepção e infraestrutura", e o modelo de administração proposto pelo governo estadual não dá garantias de uma gestão adequada das unidades. "Não podemos permitir que o presídio de Canoas reproduza os problemas do Central. É preciso dar assistência aos apenados para que eles não precisem buscar essa assistência em associações criminosas", diz.


- Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/geral/584908-situacao-do-presidio-central-sera-analisada-pela-oea.html)



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - EXECUÇÃO PENAL CAÓTICA - É preciso que um organismo internacional decida sobre uma questão interna de justiça criminal se há no Brasil poderes com competência e incumbências para apurar responsabilidade, punir os culpados e exigir uma execução penal que atenda a finalidade, o direito e os objetivos? Está na hora de assumir deveres ao invés de empurrar estes deveres para os outros, lavando as mãos, pois nada mudará.

Igor Natusch Alvo de movimentações junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) desde 2013, a situação do Presídio Central de Porto Alegre volta a ter desdobramentos na esfera internacional. A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) da entidade confirmou que vai conduzir de forma imediata a análise da denúncia de violações no complexo, que sofre de forma crônica com a superlotação e com problemas estruturais e de gestão. O Estado brasileiro é o principal denunciado, mas o Executivo do Rio Grande do Sul também pode responder de forma subsidiária pelas irregularidades, uma vez que é responsável pela gestão do sistema prisional gaúcho. A análise de uma denúncia pelo Cidh passa por duas etapas. Na primeira, é definida a aceitação ou não da petição, passando depois à análise do mérito. Embora a primeira etapa não tenha sido concluída, a corte já havia emitido medidas cautelares, exigindo do País ações para melhorar a situação. Diante de indícios de que os problemas seguem ocorrendo, a Cidh decidiu conduzir o processo imediatamente - ou seja, irá avaliar admissibilidade e mérito ao mesmo tempo, um procedimento incomum por parte do colegiado. A divulgação do relatório ainda não tem data definida. "Os principais pontos continuam os mesmos", diz Gilberto Schäfer, presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), uma das signatárias da denúncia. O principal, argumenta, é a permanente superlotação do complexo. Atualmente, segundo a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), há 4.663 pessoas no Central, unidade tratada hoje pelo Executivo gaúcho como Cadeia Pública de Porto Alegre. A capacidade prevista para o complexo fica em torno dos 1,8 mil detentos. Ao todo, o Estado tem 37.041 pessoas em prisões e penitenciárias - mais de 13 mil acima da capacidade de engenharia definida pela própria Susepe, de 24 mil apenados. Há, ainda, 110 pessoas nos dois centros de triagem conduzidos pela Susepe, além dos que aguardam condução aos presídios em delegacias ou, em situações extremas, em ônibus e viaturas da Polícia Civil e da Brigada Militar. "O Central só não explodiu ainda porque as delegacias estão abarrotadas de presos (provisórios)", reforça o presidente da Ajuris. Outros problemas envolvem a má qualidade da alimentação fornecida aos detentos e a ausência de políticas de ressocialização e de ensino. Há também, diz ele, um grave comprometimento da estrutura predial - o que, além de aumentar a insalubridade no complexo, multiplica o risco de tragédias coletivas, como incêndios. Na avaliação de Schäfer, as ações do Estado têm sido "insuficientes" para lidar com a gravidade da situação. "Sempre colocamos que o problema do Central não se resume a ele. Reflete na Região Metropolitana e em todo o sistema penitenciário gaúcho. A superlotação força os presos a se filiarem a facções, transformando detentos que, originalmente, não eram perigosos em grandes ameaças à sociedade. É preciso um plano prisional efetivo para o Rio Grande do Sul, a partir de aportes do governo federal", defende. O Fórum da Questão Penitenciária, responsável pela denúncia, tem prazo de quatro meses para apresentar uma manifestação final sobre o caso do Central, na qual poderá reforçar e acrescentar argumentos à denúncia inicial. Após essa fase, o Cidh procederá a apreciação do mérito, que resulta em um relatório sobre a responsabilidade das esferas federal e estadual no problema. Caso o Brasil não aceite o relatório, a questão vai ao Tribunal Administrativo da OEA. Governo prevê R$ 50 milhões para novas casas prisionais Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reconhece que o atual quadro da Cadeia Pública de Porto Alegre exige investimentos "necessários e prioritários" para melhorar suas condições estruturais, mas reforça que a situação existe há décadas e foi agravada pela destruição do pavilhão, em 2014. Em curto e médio prazos, a pasta prevê investimentos de até R$ 50 milhões na construção de novas unidades, além da utilização plena da Penitenciária de Canoas, que depende da formação de agentes penitenciários aprovados em concurso no começo do ano. Para os próximos 60 dias, a SSP prevê a conclusão de um terceiro centro de triagem, com capacidade para 112 detentos, além de uma nova cadeia pública, erguida através da permuta de imóvel da Federação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) com o Grupo Zaffari e com previsão de 400 vagas. A assinatura da ordem de serviço deve ocorrer em 60 dias, com prazo de execução de 180 dias. "Há, ainda, os presídios já anunciados em Viamão (430 vagas) e Alegrete (286 vagas). Em 2017, o Estado também recebeu a confirmação da construção de um presídio federal de segurança máxima, com 208 vagas", conclui a nota. As obras em Canoas são alvo de críticas por parte do presidente da Ajuris. Na visão de Schäfer, o complexo tem "problemas de concepção e infraestrutura", e o modelo de administração proposto pelo governo estadual não dá garantias de uma gestão adequada das unidades. "Não podemos permitir que o presídio de Canoas reproduza os problemas do Central. É preciso dar assistência aos apenados para que eles não precisem buscar essa assistência em associações criminosas", diz. - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/geral/584908-situacao-do-presidio-central-sera-analisada-pela-oea.html)
Igor Natusch Alvo de movimentações junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) desde 2013, a situação do Presídio Central de Porto Alegre volta a ter desdobramentos na esfera internacional. A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) da entidade confirmou que vai conduzir de forma imediata a análise da denúncia de violações no complexo, que sofre de forma crônica com a superlotação e com problemas estruturais e de gestão. O Estado brasileiro é o principal denunciado, mas o Executivo do Rio Grande do Sul também pode responder de forma subsidiária pelas irregularidades, uma vez que é responsável pela gestão do sistema prisional gaúcho. A análise de uma denúncia pelo Cidh passa por duas etapas. Na primeira, é definida a aceitação ou não da petição, passando depois à análise do mérito. Embora a primeira etapa não tenha sido concluída, a corte já havia emitido medidas cautelares, exigindo do País ações para melhorar a situação. Diante de indícios de que os problemas seguem ocorrendo, a Cidh decidiu conduzir o processo imediatamente - ou seja, irá avaliar admissibilidade e mérito ao mesmo tempo, um procedimento incomum por parte do colegiado. A divulgação do relatório ainda não tem data definida. "Os principais pontos continuam os mesmos", diz Gilberto Schäfer, presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), uma das signatárias da denúncia. O principal, argumenta, é a permanente superlotação do complexo. Atualmente, segundo a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), há 4.663 pessoas no Central, unidade tratada hoje pelo Executivo gaúcho como Cadeia Pública de Porto Alegre. A capacidade prevista para o complexo fica em torno dos 1,8 mil detentos. Ao todo, o Estado tem 37.041 pessoas em prisões e penitenciárias - mais de 13 mil acima da capacidade de engenharia definida pela própria Susepe, de 24 mil apenados. Há, ainda, 110 pessoas nos dois centros de triagem conduzidos pela Susepe, além dos que aguardam condução aos presídios em delegacias ou, em situações extremas, em ônibus e viaturas da Polícia Civil e da Brigada Militar. "O Central só não explodiu ainda porque as delegacias estão abarrotadas de presos (provisórios)", reforça o presidente da Ajuris. Outros problemas envolvem a má qualidade da alimentação fornecida aos detentos e a ausência de políticas de ressocialização e de ensino. Há também, diz ele, um grave comprometimento da estrutura predial - o que, além de aumentar a insalubridade no complexo, multiplica o risco de tragédias coletivas, como incêndios. Na avaliação de Schäfer, as ações do Estado têm sido "insuficientes" para lidar com a gravidade da situação. "Sempre colocamos que o problema do Central não se resume a ele. Reflete na Região Metropolitana e em todo o sistema penitenciário gaúcho. A superlotação força os presos a se filiarem a facções, transformando detentos que, originalmente, não eram perigosos em grandes ameaças à sociedade. É preciso um plano prisional efetivo para o Rio Grande do Sul, a partir de aportes do governo federal", defende. O Fórum da Questão Penitenciária, responsável pela denúncia, tem prazo de quatro meses para apresentar uma manifestação final sobre o caso do Central, na qual poderá reforçar e acrescentar argumentos à denúncia inicial. Após essa fase, o Cidh procederá a apreciação do mérito, que resulta em um relatório sobre a responsabilidade das esferas federal e estadual no problema. Caso o Brasil não aceite o relatório, a questão vai ao Tribunal Administrativo da OEA. Governo prevê R$ 50 milhões para novas casas prisionais Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reconhece que o atual quadro da Cadeia Pública de Porto Alegre exige investimentos "necessários e prioritários" para melhorar suas condições estruturais, mas reforça que a situação existe há décadas e foi agravada pela destruição do pavilhão, em 2014. Em curto e médio prazos, a pasta prevê investimentos de até R$ 50 milhões na construção de novas unidades, além da utilização plena da Penitenciária de Canoas, que depende da formação de agentes penitenciários aprovados em concurso no começo do ano. Para os próximos 60 dias, a SSP prevê a conclusão de um terceiro centro de triagem, com capacidade para 112 detentos, além de uma nova cadeia pública, erguida através da permuta de imóvel da Federação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) com o Grupo Zaffari e com previsão de 400 vagas. A assinatura da ordem de serviço deve ocorrer em 60 dias, com prazo de execução de 180 dias. "Há, ainda, os presídios já anunciados em Viamão (430 vagas) e Alegrete (286 vagas). Em 2017, o Estado também recebeu a confirmação da construção de um presídio federal de segurança máxima, com 208 vagas", conclui a nota. As obras em Canoas são alvo de críticas por parte do presidente da Ajuris. Na visão de Schäfer, o complexo tem "problemas de concepção e infraestrutura", e o modelo de administração proposto pelo governo estadual não dá garantias de uma gestão adequada das unidades. "Não podemos permitir que o presídio de Canoas reproduza os problemas do Central. É preciso dar assistência aos apenados para que eles não precisem buscar essa assistência em associações criminosas", diz. - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/geral/584908-situacao-do-presidio-central-sera-analisada-pela-oea.html)
Igor Natusch Alvo de movimentações junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) desde 2013, a situação do Presídio Central de Porto Alegre volta a ter desdobramentos na esfera internacional. A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) da entidade confirmou que vai conduzir de forma imediata a análise da denúncia de violações no complexo, que sofre de forma crônica com a superlotação e com problemas estruturais e de gestão. O Estado brasileiro é o principal denunciado, mas o Executivo do Rio Grande do Sul também pode responder de forma subsidiária pelas irregularidades, uma vez que é responsável pela gestão do sistema prisional gaúcho. A análise de uma denúncia pelo Cidh passa por duas etapas. Na primeira, é definida a aceitação ou não da petição, passando depois à análise do mérito. Embora a primeira etapa não tenha sido concluída, a corte já havia emitido medidas cautelares, exigindo do País ações para melhorar a situação. Diante de indícios de que os problemas seguem ocorrendo, a Cidh decidiu conduzir o processo imediatamente - ou seja, irá avaliar admissibilidade e mérito ao mesmo tempo, um procedimento incomum por parte do colegiado. A divulgação do relatório ainda não tem data definida. "Os principais pontos continuam os mesmos", diz Gilberto Schäfer, presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), uma das signatárias da denúncia. O principal, argumenta, é a permanente superlotação do complexo. Atualmente, segundo a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), há 4.663 pessoas no Central, unidade tratada hoje pelo Executivo gaúcho como Cadeia Pública de Porto Alegre. A capacidade prevista para o complexo fica em torno dos 1,8 mil detentos. Ao todo, o Estado tem 37.041 pessoas em prisões e penitenciárias - mais de 13 mil acima da capacidade de engenharia definida pela própria Susepe, de 24 mil apenados. Há, ainda, 110 pessoas nos dois centros de triagem conduzidos pela Susepe, além dos que aguardam condução aos presídios em delegacias ou, em situações extremas, em ônibus e viaturas da Polícia Civil e da Brigada Militar. "O Central só não explodiu ainda porque as delegacias estão abarrotadas de presos (provisórios)", reforça o presidente da Ajuris. Outros problemas envolvem a má qualidade da alimentação fornecida aos detentos e a ausência de políticas de ressocialização e de ensino. Há também, diz ele, um grave comprometimento da estrutura predial - o que, além de aumentar a insalubridade no complexo, multiplica o risco de tragédias coletivas, como incêndios. Na avaliação de Schäfer, as ações do Estado têm sido "insuficientes" para lidar com a gravidade da situação. "Sempre colocamos que o problema do Central não se resume a ele. Reflete na Região Metropolitana e em todo o sistema penitenciário gaúcho. A superlotação força os presos a se filiarem a facções, transformando detentos que, originalmente, não eram perigosos em grandes ameaças à sociedade. É preciso um plano prisional efetivo para o Rio Grande do Sul, a partir de aportes do governo federal", defende. O Fórum da Questão Penitenciária, responsável pela denúncia, tem prazo de quatro meses para apresentar uma manifestação final sobre o caso do Central, na qual poderá reforçar e acrescentar argumentos à denúncia inicial. Após essa fase, o Cidh procederá a apreciação do mérito, que resulta em um relatório sobre a responsabilidade das esferas federal e estadual no problema. Caso o Brasil não aceite o relatório, a questão vai ao Tribunal Administrativo da OEA. Governo prevê R$ 50 milhões para novas casas prisionais Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reconhece que o atual quadro da Cadeia Pública de Porto Alegre exige investimentos "necessários e prioritários" para melhorar suas condições estruturais, mas reforça que a situação existe há décadas e foi agravada pela destruição do pavilhão, em 2014. Em curto e médio prazos, a pasta prevê investimentos de até R$ 50 milhões na construção de novas unidades, além da utilização plena da Penitenciária de Canoas, que depende da formação de agentes penitenciários aprovados em concurso no começo do ano. Para os próximos 60 dias, a SSP prevê a conclusão de um terceiro centro de triagem, com capacidade para 112 detentos, além de uma nova cadeia pública, erguida através da permuta de imóvel da Federação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) com o Grupo Zaffari e com previsão de 400 vagas. A assinatura da ordem de serviço deve ocorrer em 60 dias, com prazo de execução de 180 dias. "Há, ainda, os presídios já anunciados em Viamão (430 vagas) e Alegrete (286 vagas). Em 2017, o Estado também recebeu a confirmação da construção de um presídio federal de segurança máxima, com 208 vagas", conclui a nota. As obras em Canoas são alvo de críticas por parte do presidente da Ajuris. Na visão de Schäfer, o complexo tem "problemas de concepção e infraestrutura", e o modelo de administração proposto pelo governo estadual não dá garantias de uma gestão adequada das unidades. "Não podemos permitir que o presídio de Canoas reproduza os problemas do Central. É preciso dar assistência aos apenados para que eles não precisem buscar essa assistência em associações criminosas", diz. - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/geral/584908-situacao-do-presidio-central-sera-analisada-pela-oea.html)
Igor Natusch Alvo de movimentações junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) desde 2013, a situação do Presídio Central de Porto Alegre volta a ter desdobramentos na esfera internacional. A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) da entidade confirmou que vai conduzir de forma imediata a análise da denúncia de violações no complexo, que sofre de forma crônica com a superlotação e com problemas estruturais e de gestão. O Estado brasileiro é o principal denunciado, mas o Executivo do Rio Grande do Sul também pode responder de forma subsidiária pelas irregularidades, uma vez que é responsável pela gestão do sistema prisional gaúcho. A análise de uma denúncia pelo Cidh passa por duas etapas. Na primeira, é definida a aceitação ou não da petição, passando depois à análise do mérito. Embora a primeira etapa não tenha sido concluída, a corte já havia emitido medidas cautelares, exigindo do País ações para melhorar a situação. Diante de indícios de que os problemas seguem ocorrendo, a Cidh decidiu conduzir o processo imediatamente - ou seja, irá avaliar admissibilidade e mérito ao mesmo tempo, um procedimento incomum por parte do colegiado. A divulgação do relatório ainda não tem data definida. "Os principais pontos continuam os mesmos", diz Gilberto Schäfer, presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), uma das signatárias da denúncia. O principal, argumenta, é a permanente superlotação do complexo. Atualmente, segundo a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), há 4.663 pessoas no Central, unidade tratada hoje pelo Executivo gaúcho como Cadeia Pública de Porto Alegre. A capacidade prevista para o complexo fica em torno dos 1,8 mil detentos. Ao todo, o Estado tem 37.041 pessoas em prisões e penitenciárias - mais de 13 mil acima da capacidade de engenharia definida pela própria Susepe, de 24 mil apenados. Há, ainda, 110 pessoas nos dois centros de triagem conduzidos pela Susepe, além dos que aguardam condução aos presídios em delegacias ou, em situações extremas, em ônibus e viaturas da Polícia Civil e da Brigada Militar. "O Central só não explodiu ainda porque as delegacias estão abarrotadas de presos (provisórios)", reforça o presidente da Ajuris. Outros problemas envolvem a má qualidade da alimentação fornecida aos detentos e a ausência de políticas de ressocialização e de ensino. Há também, diz ele, um grave comprometimento da estrutura predial - o que, além de aumentar a insalubridade no complexo, multiplica o risco de tragédias coletivas, como incêndios. Na avaliação de Schäfer, as ações do Estado têm sido "insuficientes" para lidar com a gravidade da situação. "Sempre colocamos que o problema do Central não se resume a ele. Reflete na Região Metropolitana e em todo o sistema penitenciário gaúcho. A superlotação força os presos a se filiarem a facções, transformando detentos que, originalmente, não eram perigosos em grandes ameaças à sociedade. É preciso um plano prisional efetivo para o Rio Grande do Sul, a partir de aportes do governo federal", defende. O Fórum da Questão Penitenciária, responsável pela denúncia, tem prazo de quatro meses para apresentar uma manifestação final sobre o caso do Central, na qual poderá reforçar e acrescentar argumentos à denúncia inicial. Após essa fase, o Cidh procederá a apreciação do mérito, que resulta em um relatório sobre a responsabilidade das esferas federal e estadual no problema. Caso o Brasil não aceite o relatório, a questão vai ao Tribunal Administrativo da OEA. Governo prevê R$ 50 milhões para novas casas prisionais Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reconhece que o atual quadro da Cadeia Pública de Porto Alegre exige investimentos "necessários e prioritários" para melhorar suas condições estruturais, mas reforça que a situação existe há décadas e foi agravada pela destruição do pavilhão, em 2014. Em curto e médio prazos, a pasta prevê investimentos de até R$ 50 milhões na construção de novas unidades, além da utilização plena da Penitenciária de Canoas, que depende da formação de agentes penitenciários aprovados em concurso no começo do ano. Para os próximos 60 dias, a SSP prevê a conclusão de um terceiro centro de triagem, com capacidade para 112 detentos, além de uma nova cadeia pública, erguida através da permuta de imóvel da Federação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) com o Grupo Zaffari e com previsão de 400 vagas. A assinatura da ordem de serviço deve ocorrer em 60 dias, com prazo de execução de 180 dias. "Há, ainda, os presídios já anunciados em Viamão (430 vagas) e Alegrete (286 vagas). Em 2017, o Estado também recebeu a confirmação da construção de um presídio federal de segurança máxima, com 208 vagas", conclui a nota. As obras em Canoas são alvo de críticas por parte do presidente da Ajuris. Na visão de Schäfer, o complexo tem "problemas de concepção e infraestrutura", e o modelo de administração proposto pelo governo estadual não dá garantias de uma gestão adequada das unidades. "Não podemos permitir que o presídio de Canoas reproduza os problemas do Central. É preciso dar assistência aos apenados para que eles não precisem buscar essa assistência em associações criminosas", diz. - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/geral/584908-situacao-do-presidio-central-sera-analisada-pela-oea.html)

sábado, 2 de setembro de 2017

EXECUÇÃO PENAL IRRESPONSÁVEL. GANGUE EXPULSA DA GALERIA 164 DETENTOS

ZERO HORA 25/08/2017 -


Líderes de facção expulsam 164 detentos de galeria do Presídio Central. Presos desalojados estão sendo mantidos em um pátio e em bretes, nos corredores


Por: Renato Dornelles



Galeria onde ocorreram as expulsões foi mostrada no documentário Central Foto: Reprodução / Reprodução

A execução de João Carlos da Silva Trindade, o Colete, 39 anos, quarta-feira (23), na Vila Maria da Conceição, no bairro Partenon, na zona leste de Porto Alegre, teve entre as consequências o desalojamento de 164 presos na Cadeia Pública, conhecida como Presídio Central.

Eles foram expulsos pelos líderes da 2ª galeria do Pavilhão A, na quinta-feira. Até a tarde desta sexta-feira (25), permaneciam em um dos pátios e nos chamados bretes, localizados nos corredores, aguardando transferência para outras prisões.


O diretor da Cadeia Pública, tenente-coronel Marcelo Gayer, confirma a situação. Porém, garante que não há tensão na cadeia. A solução, segundo ele, será a remoção dos desalojados para outra prisão.


— A Vara de Execuções Criminais deverá providenciar, junto à Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários), a transferência deles — afirma.

Até ser solto no início deste ano, Colete era um dos líderes da 2ª Galeria do Pavilhão A. De acordo com a polícia, também comandava o tráfico de drogas na Vila Maria da Conceição. Sua morte, com vários tiros no rosto, na casa de familiares, foi a confirmação de que houve divisão na facção criminosa.Os 164 retirados da galeria seriam aliados de Colete, e a ordem de expulsão teria partido de líderes que mantêm o controle não só do alojamento, como da venda de drogas na Vila Maria da Conceição.

CLIMA NO PRESÍDIO CENTRAL MANTÉM CLIMA DE GUERRA EM BAIRRO DE POA

ZERO HORA 29/08/2017

Crise no Presídio Central mantém clima de guerra na Vila Maria da Conceição. Homem sem relação com a criminalidade foi morto a tiros na vila da zona leste da Capital na noite de segunda-feira (28). Há cinco dias, 164 presos dormem no pátio do pavilhão controlado por traficantes desta região

Por: Eduardo Torres



Presos foram expulsos de galeria e há cinco dias dormem em um dos pátios do Presídio Central Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Uma reunião no final da manhã desta terça-feira (29) entre a Brigada Militar — que administra a Cadeia Pública de Porto Alegre (nome oficial do Presídio Central) —, a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) e a cúpula da Segurança Pública tentava encontrar uma solução para um impasse entre detentos, que desde a última quinta-feira (24) mantém 164 presos dormindo em um dos pátios da cadeia. Enquanto isso, nas ruas da Vila Maria da Conceição, no bairro Partenon, o clima continua tenso e a população convive com policiamento reforçado. A crise na cadeia, acredita a polícia, representa o maior risco de explosão de uma nova guerra aberta do tráfico na vila da zona leste de Porto Alegre.

Na noite de segunda-feira (28), a morte de Alexandre Vieira da Silva, 38 anos, na Rua Irmã Neli, no coração da Vila Maria da Conceição, é, possivelmente, um novo capítulo de um racha interno no comando do tráfico da região. No mesmo ataque, uma mulher foi ferida em um dos braços. De acordo com o delegado Rodrigo Reis, da 1ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre (DHPP), o homem vitimado não tinha qualquer relação com o tráfico. Uma das suspeitas é de que a mulher fosse o alvo. A outra linha de investigação considera que os criminosos, trafegando em um Idea, tenham atirado a esmo contra a vila.


A ameaça de uma guerra do tráfico se tornou concreta na última quarta-feira (23), quando João Carlos da Silva Trindade, o Colete, foi executado a tiros dentro de casa. Ele era apontado pela polícia como um dos principais líderes do tráfico de drogas na Vila Maria da Conceição. A 2ª Galeria do Pavilhão A, do Presídio Central, é controlada pelos traficantes desta região de Porto Alegre. Até a morte de Colete, também ocupavam lugares na galeria criminosos ligados a uma quadrilha originária da Vila Cruzeiro, na zona sul de Porto Alegre. Foram justamente estes os presos expulsos pela liderança da facção na semana passada.


— Era o Colete quem mantinha o elo entre esses grupos. Desde o dia da sua morte estamos atentos, colhendo informações e tentando agir preventivamente, sobre possíveis represálias do grupo que levou a pior na cadeia — afirma o delegado Rodrigo Reis.


Policiamento foi reforçado na Vila Maria da Conceição logo após a morte de Colete Foto: Marcelo Kervalt / Agência RBS

Conforme o comandante do policiamento da Capital, coronel Jefferson Jaques, no momento em que aconteceram os disparos na Vila Maria da Conceição durante a noite de segunda, havia somente uma guarnição no local. Três linhas de ônibus que circulam pela vila tiveram a circulação suspensa. Logo após o crime, houve reforço no policiamento e, segundo o oficial, não há prazo para acabar. Dessa forma, os ônibus voltaram às ruas ao amanhecer.

— Além do policiamento reforçado do 19º Batalhão e do Batalhão de Operações Especiais (BOE), também estamos permanentemente recebendo informações do serviço de inteligência para nos anteciparmos a possíveis ações dos criminosos — explica o coronel.


Na cadeia, apesar da reunião da manhã, o problema ainda não foi solucionado.

— A situação é crítica, mas no Presídio Central não temos mais o que fazer por estes presos. Não há espaços em outras galerias para colocá-los. O que estamos fazendo é garantir alimentação e local para a higiene dos detentos — assegura o comandante da Cadeia Pública, tenente-coronel Marcelo Gayer.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Susepe limita-se a dizer que está buscando vagas em outras casas prisionais "na medida do possível". E não estabelece prazo para que a situação dos detentos seja solucionada. A Vara de Execuções Criminais (VEC), do Tribunal de Justiça, acompanha a discussão.