segunda-feira, 7 de julho de 2014

MOTIM DE 1994: SITUAÇÃO FORA DE CONTROLE E PÂNICO EM POA

CORREIO DO POVO 07/07/2014 08:19

Textos de Álvaro Grohmann e Karina Reif
Especial: 20 anos da fuga de apenados do Presídio Central



Melara se entregou e saiu cercado por PMs
Crédito: José Ernesto / CP Memória


Uma grade separava o juiz da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, Marco Antonio Scapini, dos amotinados do Central, na noite de 7 de julho de 1994. Escolhido como negociador pelos presos, precisou voltar às pressas da Colônia Penal Agrícola de Charqueadas, assim que recebeu a notícia de que dezenas de pessoas eram feitas reféns em Porto Alegre. “Eles só queriam falar comigo ou com o Marcos Rolim”, destaca.

Para o desembargador aposentado, o que estava em jogo eram as vidas das vítimas e dos demais detentos. “Perguntei para o representante da BM na comissão de negociação qual seria a estimativa de mortos, caso aquilo se tornasse uma rebelião. Ele respondeu 200”, lembra. Além disso, por causa do motim, foi chamado reforço do Interior e as outras prisões do Estado estavam praticamente desprotegidas. “Nunca haviam feito uma rebelião simultânea, porque não tinham uma forma de comunicação imediata, mas naquele caso todas as rádios estavam noticiando. Os grandes presídios eram controlados por, no máximo, dois agentes penitenciários e haveria uma fuga em massa. A situação seria incontrolável”, conta.

Uma invasão do Central, portanto, acarretaria um banho de sangue, prometido por um dos apenados, o Fernandinho. “Os reféns estavam vestidos com as mesmas roupas dos presos e não seria possível distinguir”, diz. A decisão tomada em conjunto entre os representantes da Polícia Civil, BM e Judiciário foi atender às reivindicações. O grupo pedia automóveis para fugir e as autoridades formularam um plano. Deixariam o grupo escapar nos veículos. Depois montariam um cerco e esperariam a rendição. “Todas as forças policiais estavam conectadas em Porto Alegre. O plano era seguir os carros até uma zona desabitada, e a partir daí, seria uma questão de tempo, pois eles ficariam sem água e comida”, observa.

Mas os negociadores não contavam com uma falha, que custou a vida de um policial, de bandidos e ainda deixou várias pessoas feridas, além de causar pânico na Capital. “Houve uma precipitação de um delegado na saída do Central, que detonou uma imensa confusão”, ressalta. Quando o conflito se transferiu para o Plaza, o desembargador deixou de ser o negociador.

"Tinham que negociar, não dar tudo"

Responsável pela captura de Chardozinho nas buscas aos fugitivos, o delegado Alexandre Vieira, que integrou a comissão de negociação com os amotinados, isentou Melara de ser o mentor da rebelião no Presídio Central. “Melara não sabia”, contou. “Ele entrou depois”, assegurou o delegado.

A transferência de Melara da Pasc para o Central foi considerada pelo delegado como um dos maiores erros no episódio. Vieira confirmou que a Polícia Civil e a BM foram contra a incorporação de Melara junto aos amotinados. “Tinham que negociar. Concordaram com os amotinados e deram tudo”, opinou.

O delegado confirma que os apenados descumpriram sua parte ao levar os reféns e não restou outra opção senão os agentes seguirem os veículos. “Nossa função constitucional é prender e não soltar”, assinala.

Vieira avalia que o saldo final do episódio foi negativo pelo número de mortos e feridos, além da exposição da população ao risco. Ele concorda que ocorreu muita ingerência das autoridades nas negociações em vez de deixar o trabalho para os policiais. “As negociações foram mal conduzidas. Cada um deve atuar na sua área”, considera. “Houve muita emoção ao invés da razão”, resume.

As críticas foram rebatidas na época pelo então chefe de Polícia, delegado Newton Müller Rodrigues. “Nós fizemos o que deveríamos ter feito”, afirmou.

"Collares: ‘A ordem era negociar' "

A ordem era negociar. “Antes de qualquer ato de violência, era para haver o diálogo. No meu entendimento, preso, por maior bandido que seja, não perde a condição do ser humano”, analisa o ex-governador Alceu Collares, chefe do Executivo na época do motim. Ele participava do casamento da enteada no Palácio Piratini, enquanto ocorria o motim no Hospital Penitenciário do Presídio Central. “Recebia informações de 5 em 5 minutos”, diz. Outra preocupação era manter os reféns com vida. “É sempre muito difícil a negociação entre o preso e os responsáveis pela segurança”, comenta. “Um está querendo sair da prisão e o outro tem o dever de impedir”, avalia.

Collares assegura que não houve interferência política nas decisões sobre o plano de deixar os criminosos saírem, para depois capturá-los. Entretanto, lamenta a forma “amarga” como se desenrolou o caso, com criminosos e um policial mortos, após perseguição em vários pontos da cidade, confronto e invasão do Plaza São Rafael. Naquela noite, havia a informação de que a quadrilha pretendia seguir até a sede de governo. Porém, Collares afirma que a equipe de segurança não identificou uma possibilidade de o grupo ir até o casamento. Portanto, a festa seguiu.

O destino dos dez amotinados

• Dilonei Francisco Melara, o Melara, nascido em 24/12/58 em São José do Ouro, apareceu morto em janeiro de 2005, em Dois Irmãos, após fuga do regime semiaberto em novembro de 2004.

• Carlos Jefferson Souza dos Santos, o Bicudo, nascido em Canoas em 08/11/71, morreu em confronto com policiais militares dias depois da fuga do Presídio Central, após assalto a banco em Canoas.

• Vladimir Santana da Silva, o Sarará da Vovó, nascido em Porto Alegre em 29/11/1966, morreu em tiroteio com policiais civis na Lomba do Pinheiro, durante a fuga do Presídio Central, em julho de 1994.

• Pedro Ronaldo Inácio, o Bugigão, nascido em Porto Alegre em 9/2/1961, recebeu indulto em 2002, devido a problemas graves de saúde.

• Luiz Paulo Schardosin Pereira, o Chardozinho, nascido em Porto Alegre em 5/1/1965, morreu em uma queda acidental de um prédio em julho de 2010, em Florianópolis, Santa Catarina.

• José Carlos Pureza, o Pureza, nascido em Encruzilhada do Sul em 7/9/64, morreu em[TEXTO_BOX] tiroteio com policiais civis na Lomba do Pinheiro, durante a fuga do Presídio Central, em julho de 1994.

• Francisco dos Reis Cavalheiro, o Chico Cavalheiro, nascido em Santa Maria em 16/10/63, morreu esfaqueado em outubro de 2006 na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).

• Fernando Rodolfo Dias, o Fernandinho, nascido em Caxias do Sul em 16/7/62, morreu vítima de doença, em janeiro de 2008.

• Celestino dos Santos Linn, o Linn, nascido em Uruguaiana em 16/4/61, morreu dias depois de ser baleado no Hotel Plaza São Rafael, em julho de 1994.

• Nairo Ferreira Soares, o Boró, nascido em Porto Alegre em 14/11/72, morreu em tiroteio com policiais civis na Lomba do Pinheiro durante a fuga do Presídio Central em julho de 1994.



2008, PRESIDIO CENTRAL - UMA VERGONHA REVELADA

EM 2008

DIÁRIO GAÚCHO - Especial ZH: Presídio Central - Uma vergonha revelada. Equipe de Zero Hora é a primeira a percorrer os pavilhões mais degradados da cadeia

por Carlos Etchichury, 15/11/2008 | 13h56


Em um prédio que nunca foi reformado, celas do pavilhão C são a maior chaga do Presídio CentralFoto: Daniel Marenco


Responsável pela segurança da maior cadeia do país, o metódico capitão Ricardo de Souza Rocha, 48 anos, começa a conversa com a equipe de Zero Hora dissertando sobre a aparente tranqüilidade no Presídio Central de Porto Alegre:

— Há quase 4,8 mil presos e, como vocês percebem, temos o total controle da situação. Há quanto tempo não tem rebeliões? Isso ocorre graças ao nosso trabalho...

Um estampido interrompe o capitão.



Clique e conheça mais sobre as galerias do Central

Cozinha para uma cidade
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A pior tarefa no Central
Ofício nobre para indignos
Diálogo com “sua excelência”
É no C que o inferno arde


O oficial fixa os olhos em um monitor com imagens de quatro câmeras localizadas em corredores do Central. Nada de anormal. No mesmo tom de voz, retoma o raciocínio:

— Como em turmas de colégio ou nas universidades, acontecem brigas. Nada fora de controle...

Um segundo estampido interrompe novamente o capitão.



Clique e assista aos bastidores da visita
aos corredores do presídio




— Acho que estão dando tiros no corredor, capitão – diz um dos interlocutores.

— É. Parece tiro – concorda.

No monitor de Rocha surgem dezenas de PMs armados com espingardas, revólveres, pistolas e cassetetes e correndo pelos corredores. Ouve-se murmúrios.

— Parece que o problema é no Jumbo (cela destinada aos recém-chegados ao Central) – interpreta Rocha.

Um sargento invade a sala impecavelmente limpa e confirma a especulação do oficial:

— Com licença, capitão. Houve um probleminha no Jumbo, mas o GAM(Grupamento de Apoio e Movimentação) foi acionado e está tudo sob controle.

Demonstrando domínio da situação, Rocha contém a tensão.

Um terceiro estampido volta a interromper o capitão.


O oficial, então, decide sair. Veste colete à prova de balas e avisa:

— Vou conferir e já retorno.

A calma dá lugar à apreensão. O chefe da segurança, policial que comanda o contato dos PMs com os presos, retorna minutos mais tarde. Tratava-se de uma ocorrência isolada. Dois jovens, rivais nas ruas, resolveram suas desavenças com socos e pontapés ao se encontrarem na mesma cela.

Para garantir a integridade de ambos e de outros 70 presos, PMs dispararam três vezes com balas de plástico – munição não-letal, usada para conter distúrbios.

— Faz parte da nossa rotina – diz Rocha.

Era terça-feira, 4 de novembro, segundo dia em que a equipe de ZH percorria o mais superlotado cárcere do Brasil. Durante uma semana, foi possível vasculhar galerias dos pavilhões A, F e C, entrar em celas que abrigam 38 pessoas, quando deveriam alojar oito, e entrevistar traficantes, líderes de quadrilha, estupradores e chefes de galerias. Também se presenciou a disposição diária de duas centenas de PMs mobilizados para conter 4,7 mil detentos.

Acompanhe a jornada de ZH pelo Central, uma prisão abandonada há decadas pelo Estado.



Em infográfico animado, faça uma viagem pelas galerias do Central




O primeiro contato com o inferno ocorre no plantão 24 horas do presídio. Na manhã de terça-feira, o sargento Vanderlei Chagas Costa, 36 anos, chefe do setor, prevê:

— Temos 90 audiências (presos sairão escoltados e retornarão ao Central), mais os que chegam, os transferidos, os que ganham liberdade... Será um plantão agitado.

Natural de Santana do Livramento, o sargento Chagas e dois soldados conferem os documentos de quem chega ou sai. O movimento é frenético. Entre a 0h de terça-feira e a 0h de quarta, passarão diante dos olhos de Chagas 210 presos, 168 visitantes masculinos (a maioria pais, avôs ou irmãos de presidiários) e 38 advogados.

— Qualquer descuido, alguém pode virar refém – avisa o sargento.

Cumpridas as formalidades, presos trazidos das ruas submetem-se a uma revista.

Com um cassetete na mão direita, onde se lê Dorflex, e um cigarro na esquerda, um soldado anuncia para um recém-chegado:

— Tira os sapatos, a camiseta, as calças e as cuecas. Encosta na parede. Ergue os pés.

— Posso fazer uma ligação? – quer saber o detento.

— Antigamente tinha até orelhão no pátio. Agora, não pode mais – responde.

— Qual o teu artigo? – questiona o PM.

— Porte de arma.

— Primário? Porte de arma? Sai no mesmo dia – complementa o soldado.

Com o recluso já despido e as mãos protegidas por luvas cirúrgicas, o policial ordena:

— Dois agachamentos. Pronto. Agora vira pra parede. Abre a boca. Põe a língua para fora. Solta o cabelo. Pronto. Veste a roupa.

Enquanto o jovem se organiza, regras são despejadas:

— Sabonete branco não entra aqui. Pasta de dente branca, também não(misturados, transformam-se numa massa clara, compacta e espessa, capaz de ocultar objetos em orifícios nas paredes). Roupa verde (semelhante às da Brigada) é proibida. Abrigo com capuz não pode. Se a jaqueta tiver forro, a gente tira.

No corredor, próximo à porta de acesso aos pavilhões, ouve-se um berro:

— Vai passar!

É a senha para informar que presos irão circular pelos corredores. Naquela terça-feira, 15 das 90 audiências ocorreriam pela manhã. Em grupos de seis, os detentos, a maioria de chinelos, bermudas e camisetas esfarrapadas, ocupam uma cela provisória.

— Cruza os braços! – berra o soldado.

Sem algemas, circulam em um espaço delimitado por uma linha amarela pintada no chão, de braços cruzados e cabeça baixa. Quando deparam com mulheres, viram-se de costas para a parede. São normas da casa que, aos poucos, desnudam-se diante dos visitantes. Em frente à cela, outra ordem ecoa:

— Pode abrir, jaleco!

Jaleco são prisioneiros que gozam da confiança da direção, trabalham em serviços estratégicos como abertura e fechamento das grades. Por isso, são malvistos pelos demais.

Do plantão, são levados ao "fundo da cadeia", interrogados por sargentos e, de acordo com suas trajetórias, espalhados pelos pavilhões: integrantes de facções para um lado, primários para outro. Matadores de crianças e estupradores (os chamados Duque 13, numa referência ao artigo 213 do Código Penal, considerados desprezíveis até pelos bandidos) serão apartados.

Entres os foras-da-lei, correm risco de vida. Ex-policiais ficarão num pavilhão imune a animosidades. Neófitos no Central conhecerão o inferno. Os reincidentes descobrirão que, a cada dia, torna-se mais dramática a sobrevivência.

PRESÍDIO CENTRAL, MOTINS CONFRONTAM MUDANÇAS NO MODELO DE GESTÃO

DIÁRIO GAÚCHO 17/02/2009 | 02h42

Motins confrontam mudanças no modelo do Presídio Central.  Detentos reivindicavam menos rigidez em nova área da cadeia da Capital



À noite, presidiários usaram os problemas de falta de energia e água como pretexto para incendiar colchões e lençóis, em manifestação sufocada pela BrigadaFoto: Marcos Nagelstein

Na maior cadeia do país, o dia foi de confronto. Em funcionamento há 45 dias, o pavilhão J — a nova área do Presídio Central, que representa um novo modelo — registrou ontem o primeiro motim. Ao quebrar mesas do refeitório, os 68 presos tentaram intimidar a direção e instaurar à força as mesmas regras impostas por facções criminosas nas galerias antigas.

Seis horas depois, em nova revolta, os detentos de outros pavilhões, mais antigos, incendiaram colchões. Eles usaram a falta de energia e água como pretexto para o motim, que serviu para apoiar os pedidos dos presos do prédio J.

Contrariados com as regras mais rígidas impostas pela Brigada Militar, os detentos do pavilhão J começaram o primeiro protesto às 14h30min. Eles se recusaram a voltar para as celas após o banho de sol. Os presos tentaram impedir a aproximação dos policiais militares quando retornaram do pátio para o pavilhão. O grupo rebelado montou barricadas no refeitório, localizado no térreo do prédio, e ameaçou atear fogo em móveis.

— Eles queriam fazer pressão para que pudessem transitar livremente pelos corredores, como faziam em outras galerias. Queriam aquelas regalias que não vão ter nesse novo pavilhão — explicou o diretor do Central, tenente-coronel Jainer Pereira Alves.

Para controlar o tumulto, 20 PMs cercaram o refeitório e usaram balas de borracha para conter os detentos. Um interno foi ferido no pescoço e foi levado ao Hospital Pronto Socorro. O motim foi controlado em 15 minutos.

— Todos foram levados para as celas, depois de uma minuciosa revista — disse o diretor, que enfrentou seu primeiro motim desde que assumiu a casa no final de janeiro.

O superintendente dos Serviços Penitenciários, Paulo Zietlow, elogiou a ação da Brigada.

— Temos regras rígidas nesta nova ala do Central e nos novos presídios, como em Caxias do Sul, que desagradam aos detentos. Mas é uma questão de disciplina. Por isso, elas serão cumpridas — disse.

COMO É NO PAVILHÃO J

O novo pavilhão do Central tem um perfil diferente

> Cada cela abriga oito presos

> As celas permanecem fechadas durante todo o dia

> É proibido o trânsito de presos nos corredores, exceto em horários pré-determinados, como almoço, janta e banho de sol

> As galerias são controladas pela Brigada Militar

COMO É EM OUTROS PAVILHÕES

> Algumas celas abrigam mais de 30 presos, que permanecem abertas na maior parte ia dos pavilhões

> Presos podem transitar livremente pelos corredores de suas galerias

> As regras nas galerias são impostas por facções criminosas

> Um preso eleito controla a galeria

HISTÓRIA DE PERCALÇOS

Mesmo antes da inauguração, a nova área no Central já enfrentou obstáculos:

> Prevista para 2006, a inauguração dos quatro novos pavilhões só ocorreu em 19 de dezembro passado

> No dia 19 de janeiro, apenas 40 presos ocupavam parte do único pavilhão concluído. Os demais prédios teriam problemas de infiltração, segundo entrevista do diretor a ZH

> No dia seguinte, o Comando-geral da BM decide transferir Eden para o Estado Maior do Comando de Policiamento da Capital

INVASÃO DO PLAZA EM 1994

DIÁRIO GAÚCHO 07/07/2014 | 04h02

Psicóloga revela que ideia de invadir hotel Plaza em 1994 foi dela. Simone Munareto Penteado tinha 26 anos quando tornou-se a refém mais emblemática da rebelião do Presídio Central, em julho de 1994



Em entrevista concedida a Zero Hora, ela responde às críticas de que foi vítima da Síndrome de Estocolmo e estabeleceu uma relação de afeto com o assaltante Dilonei MelaraFoto: Félix Zucco / Agencia RBS

Carlos Wagner e Mauricio Tonetto


A psicóloga Simone Munareto Penteado, 46 anos, rompeu um silêncio de duas décadas. Em 7 de julho de 1994, a então estudante de Psicologia estagiava no Hospital Penitenciário do Presídio Central de Porto Alegre, quando acabou se tornando a refém mais emblemática do maior motim da história do sistema penitenciário gaúcho, participando do começo ao fim da rebelião, já no hotel Plaza São Rafael.

Na ocasião, ela foi levada em um carro pelos assaltantes Dilonei Melara, Celestino Linn e Fernando Rodolfo Dias, o Fernandinho, e ficou na mira de Melara até os instantes finais, dentro do Plaza. Durante a fuga, a psicóloga foi retirada do veículo e colocada um táxi – que acabou invadindo o hall do hotel, em uma cena cinematográfica –, interceptado pelos criminosos próximo ao Parque da Redenção.

Simone revela que a ideia de ir para o Plaza foi dela, por temor de que os bandidos conseguissem escapar pela freeway. Em entrevista concedida a Zero Hora, ela responde às críticas de que foi vítima da Síndrome de Estocolmo e estabeleceu uma relação de afeto com Melara, líder do motim. Confira os principais trechos:

Documentário mostra como foi a maior rebelião do RS:

Qual é a sua principal lembrança do estouro do motim no Presídio Central?
Estava na cozinha, ajudando a organizar o trabalho, e um dos presos falou que havia iniciado uma rebelião. Outros vieram e eles perguntaram onde estava a "doutora" psicóloga e eu me apresentei. A partir daquele momento, todas as vezes que eles se locomoviam, me usavam como escudo. Eles iam abaixados e eu na frente. A todo instante pensava que não podia morrer. Lembro que eles usavam drogas, cheiravam, estavam nervosos. Olhando agora, 20 anos depois, eu não tinha noção da gravidade de tudo aquilo.

Como ocorreu a fuga?
Lembro de ter ouvido que nós, estagiários, não seríamos usados como escudo na fuga, mas um dos apenados achou uma colega parecida com uma ex-namorada e a pegou. Vendo aquilo, me apavorei e disse que se ela fosse, todos iriam. Eu achava que tinha algum poder de barganha. Me colocaram com ela no carro e o Claudinei (Santos, diretor do Hospital Penitenciário). Estavam também o Melara e o Fernandinho. Eles queriam uma rota de fuga. Em um lugar que não recordo, o carro parou e foi uma cravejada de tiros. Abri a janela e joguei a carteira de identidade, gritando "aqui tem reféns, não são só bandidos". O Claudinei, que dirigia o veículo, foi atingido, e ninguém mais sabia dirigir. Eu tinha carteira, mas não queria dizer. Eles mandaram eu assumir o volante. O meu desespero é que estávamos perto do acesso à freeway. Depois que pegasse a estrada, o que podia acontecer conosco? Logo em seguida, eles pegaram um táxi. A ideia principal era ir até o Palácio Piratini. O Melara e o Fernandinho estavam muito nervosos, eles não tinham preparado para onde ir e o que fariam.

Como o táxi foi parar dentro do Plaza?
Naquela altura, a minha fantasia é que eles não pegassem a estrada. Eu queria que eles me trocassem por outro refém. Aí eu lembro que falei do Plaza. O Plaza era superfamoso, luxuoso. Então, vamos para lá. É dinheiro que querem? Vamos lá. Já que querem um lugar que tenha muita gente, vamos até lá. Foi isso que eu falei. Quando eles entraram com o carro no Plaza, a sensação é que tive é de que estava livre. No meio de tanta riqueza, teria alguém mais importante do que eu para ser feito de refém. Essa era a sensação.

Mas não foi o que ocorreu. O que houve nos momentos finais, dentro do hotel?
Lembro do táxi entrando, do impacto da batida e de uma escadaria. Eu ainda acreditava que eles pegariam outra pessoa, só que isso não aconteceu e aí foram os momentos mais tensos. O Melara disse "vamos subir ou seremos mortos". Paramos numa sala grande, envidraçada. Um pessoal de preto, com cordas e armas (Gate), atirou. Fui arrastada atrás dele, meu corpo estava muito exposto. No lugar onde ficamos, não tinha saída. O Melara começou a jogar caixas para baixo e ameaçar tocar fogo para os policiais não subirem. Achei que morreríamos queimados. Tentei acalmá-lo, que a melhor coisa a fazer era se entregar, que não tinha escapatória. Ele perguntou se eu era casada, tinha filhos. Eu não tinha namorado, mas a tensão era grande e eu dizia que sim, que estava com casamento marcado. Ele tinha muito medo de morrer. Depois que ele se entregou, vi um tio meu e o abracei. Despenquei. Quando cheguei em casa, percebi que estava viva, caiu a ficha.

Você foi vítima da Síndrome de Estocolmo?
Eu estava com a vida nas mãos de alguém. Ele me disse que a intenção não era me matar. Obviamente saí com um ato de agradecimento pelo fato de sair fisicamente ilesa. Não tocaram em mim. O momento era tenso, a ameaça constante, mas em nunca ouvi "você será morta". As coisas foram confusas, talvez eu não tenha me expressado bem na época. Eu era grata de estar viva, é isso, quantas coisas poderiam ter acontecido? Síndrome de Estocolmo? Vamos colocar uma interrogação.


ZERO HORA

domingo, 6 de julho de 2014

NA COPA DE 94. 48 HORAS DE PÂNICO E MEDO EM PORTO ALEGRE

CORREIO DO POVO 06/07/2014 09:56

 Textos de Álvaro Grohmann e Karina Reif

Especial: 20 anos de motim no Presídio Central




Melara e Fernandinho forçaram taxista a entrar no Plaza São Rafael de carro
Crédito: José Ernesto / CP Memória


Um dos maiores motins penitenciários gaúchos completa 20 anos nesta segunda-feira. Na fria tarde de uma quinta-feira, dia 7 julho de 1994, ocorria uma rebelião com reféns, promovida por apenados ligados à então facção Falange Gaúcha, no antigo Hospital Penitenciário do Presídio Central de Porto Alegre, seguida depois de uma fuga cinematográfica pelas ruas da cidade. O episódio mobilizaria centenas de policiais militares e civis, além das autoridades, deixando ainda a população em pânico. O desfecho ocorreria após a invasão de dois fugitivos ao Hotel Plaza São Rafael, sendo pegos mais reféns.

O saldo final do episódio foi de cinco mortos, sendo quatro criminosos e um policial civil. Houve também 11 feridos, entre eles o diretor do hospital, quatro policiais civis, um monitor e dois agentes penitenciários, além de um garçom do hotel e um motorista de lotação.

Dias antes da eclosão do motim já havia algo no ar e alguns detentos simulavam enfermidades para serem levados ao Hospital Penitenciário, cujo diretor era Claudinei dos Santos, já falecido. Com o álibi de que tinha problemas pulmonares, Pedro Ronaldo Inácio, o Bugigão, pediu atendimento no setor especializado e imobilizou um funcionário. Ao mesmo tempo, o apenado Vladimir Santana da Silva, o Sarará da Vovó, rendeu o diretor no gabinete, usando um arma artesanal que levava escondida dentro de uma tipoia no braço, após solicitar audiência. Outros detentos, ente eles Francisco dos Reis Cavalheiro, o Chico Cavalheiro; Nairo Ferreira Soares, o Boró; e José Carlos Pureza, o Pureza; também se amotinaram. A liderança inicial ficou com o detento Fernando Rodolfo Dias, o Fernandinho. Todos estavam armados de revólveres e pistolas.

No total foram 27 pessoas mantidas reféns no Hospital Penitenciário, incluindo as estagiárias de Psicologia Simone Munareto e Luciana dos Santos. Houve então a exigência da presença das autoridades, como o presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, deputado estadual Marcos Rolim, e do juiz da Vara de Execuções Criminais, Marco Scapini.

O Presídio Central ficou cercado pela Brigada Militar e Polícia Civil. Enquanto isso, vindo de Brasília, o governador Alceu Collares determinava a criação de uma comissão de negociação, inclusive com participação do Executivo e do Judiciário, para falar com os rebelados. Esses exigiram que fossem trazidos de outro pavilhão da casa prisional os presos Luiz Paulo Schardozin Pereira, o Chardozinho, e Carlos Jeferson Souza dos Santos, o Bicudo, que assumira então a liderança do motim.

A transferência de Dilonei Melara e Celestino dos Santos Linn, recolhidos na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), para o Presídio Central, também foi exigida, sendo atendida na noite de sexta-feira, dia 8. Depois foram pedidos veículos para a fuga, ocorrendo a entrega de três carros, todos modelo Gol, em vez de Ômega como exigiram.

Entre as autoridades havia o temor de que acontecesse um banho de sangue, como o motim de 1987, e que o resultado fosse ser grave, com muitas mortes e alastramento da rebelião em caso de entrada do então Batalhão de Polícia de Choque (hoje 1º Batalhão de Operações Especiais). A fuga foi aceita pois as autoridades acreditavam que seria mais fácil capturá-los do que deixá-los amotinados. A saída de Melara, Bicudo, Fernandinho, Linn, Chico Cavalheiro, Chardozinho, Boró, Pureza, Bugigão e Sarará da Vovó, com nove reféns, todos enrolados em cobertores, ocorreu no final da noite do dia 8. O acordo era que não haveria perseguição aos três carros, mas não foi cumprido.

Invasão do Plaza e muita negociação

O início da fuga dos dez amotinados foi marcado por muita tensão na noite de sexta-feira, dia 8. Em um dos três carros embarcaram Melara, Fernandinho, Bicudo e Linn. No segundo automóvel ficaram Chardozinho, Chico Cavalheiro e Bugigão, enquanto no terceiro estavam Pureza, Boró e Sarará da Vovó. Cada veículo rumou para uma direção diferente, levando os reféns.

A promessa de que não haveria perseguição acabou sendo descumprida e policiais civis foram atrás dos fugitivos, dando início a uma caçada. Próximo do Shopping Center Iguatemi, Chardozinho, Chico Cavalheiro e Bugigão abandonaram o carro que havia colidido. Eles invadiram até uma festa no Country Club. Nas buscas, os policiais civis capturaram Chardozinho, enquanto os outros dois sumiram em um veículo roubado. Por sua vez, Pureza, Boró e Sarará da Vovó foram executados na Lomba do Pinheiro após confronto com agentes. Um dos reféns, o filho do diretor do Hospital Penitenciário, ficou ferido.

Já no Gol de Melara, Bicudo, Fernandinho e Linn estavam sendo levados juntos o diretor do Hospital Penitenciário, Claudinei dos Santos, e as estagiárias de Psicologia Simone Munareto e Luciana dos Santos. No bairro Petrópolis, o carro teve uma pane na rua Ivo Corsseiul. Bicudo saltou fora e desapareceu antes da chegada dos policiais civis. Em um dado momento, Claudinei foi baleado gravemente e ficaria paraplégico. Ele foi colocado para fora do carro. Um policial civil também acabou sendo baleado e morto no local.

Os fugitivos exigiram um novo carro para a fuga, sendo entregue uma Parati de uma emissora de televisão. Na avenida João Pessoa, trocaram de veículo e embarcaram no táxi Passat que invadiu o hall de entrada Hotel Plaza São Rafael, na avenida Alberto Bins, onde ocorria um congresso de psiquiatria, já no final da noite. Linn correu para o local do evento, onde fez alguns reféns e foi baleado e ferido por um policial civil. Hospitalizado, ele morreria dias depois.

Melara e Fernandinho ficaram encurralados em uma escadaria de acesso com as estagiárias de Psicologia e uma funcionária do hotel. Entre as exigências para a rendição, Melara e Fernandinho queriam retornar para a Pasc. E voltaram horas antes de o Brasil despachar a Holanda na Copa de 1994.

Negociação com dose de humor

Passadas duas décadas, o advogado e desembargador aposentado Décio Erpen ainda recorda o momento da rendição que obteve de Melara e Fernandinho, quando estavam entrincheirados no Hotel Plaza São Rafael. Ao lado do capitão Rodolfo Pacheco, da BM, o então corregedor-geral de Justiça estabeleceu um diálogo com os amotinados, visando obter a confiança deles, que mantinham reféns as duas estagiárias de Psicologia e uma funcionária do hotel. Melara perguntou se ele estava armado, recebendo como reposta que portava apenas uma caneta e um terço. “O Melara falou que a caneta mandava mais que a arma”, lembra.

Durante as negociações, Erpen também brincou ao pedir pressa na rendição pois pretendia ver o jogo entre Brasil e Holanda, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1994. “Eu disse que queria ver o gol do Dunga”, acrescenta. Após a rendição, a saída do Hotel Plaza São Rafael foi tensa. Erpen faz questão de frisar que acompanhou os presos até as celas da Pasc, em Charqueadas.



"Poucos fomos ouvidos", diz coronel da BM


Principal negociador da Brigada Militar em 1994, o coronel da reserva Rodolfo Pacheco, na época, comandava a Companhia de Operações Especiais do Batalhão de Choque (atualmente 1º Batalhão de Operações Especiais), tendo assumido a função de negociador em 1993. “A notícia veio para o Batalhão de Choque de uma rebelião no Presídio Central na quinta-feira às 15h30min”, diz. “Desloquei junto com todo o efetivo, onde ficamos até as 21h de sexta-feira, quando as autoridades resolveram liberar para a fuga dez amotinados com nove reféns”, conta. Depois, o oficial foi com o Grupo de Ações Táticas Especiais da BM para o Hotel Plaza São Rafael, que havia sido invadido por Melara e Linn.

Entre as lições que ficaram do episódio, Pacheco destaca os erros cometidos pelas autoridades. “Houve cedência nos pedidos em troca de quase nada ou muito pouco, chegando ao extremo de entregar carros, permitindo a fuga”, afirma. Ele ressalva, porém, que a BM e a Polícia Civil tinham posição contrária a essa decisão. “Pouco fomos ouvidos na questão dos aconselhamentos técnicos. Praticamente as sugestões não foram aceitas desde o início das negociações no interior do Presídio Central”, assinala. “Tínhamos três veículos rodando em Porto Alegre, com marginais de histórico de violência lutando pela sobrevivência em razão de uma negociação dentro do Central, que foi mal conduzida, com decisões equivocadas, causando pânico em uma cidade”, avalia.

O coronel aponta ainda outras cedências que não deveriam ter ocorrido, como permitir que Bicudo, Chardozinho, Melara e Linn se juntassem aos amotinados. “Quem tem poder de decisão, não negocia”, analisa. No entanto, o oficial reconhece que, a partir da invasão de Fernandinho e Melara no Plaza, “tivemos liberdade para atuar tecnicamente”.

Pacheco acredita que a partir do episódio ocorreram modificações de conduta do Estado como um todo. De acordo com ele, as autoridades políticas passaram a admitir que ocorrências policiais são com a Polícia. “Foi o último e o mais violento motim do RS”, ressalta. Pacheco lança um livro sobre o assunto nesta segunda-feira no QG da BM.


Uma vida de assaltos e confontos

Natural de São José do Ouro, Dilonei Francisco Melara deixou a vida de agricultor para virar um dos criminosos mais ousados da história do Rio Grande do Sul. Na década de 1970, mudou-se para Caxias do Sul, onde começou a assaltar táxis e ônibus. Mas foi com uma quadrilha de ataques a bancos que ganhou fama, foi preso e participou de fugas cinematográficas. Comandou a facção Falange Gaúcha, a qual passou, mais tarde, a se chamar Os Manos. Condenado a 70 anos de prisão por latrocínios, roubo, motim, cárcere privado e invasão, Melara progrediu para o semiaberto por decisão judicial e fugiu, aparecendo morto com 15 tiros, aos 46 anos, em Dois Irmãos, em 2005.

A família faz questão de esquecer tudo o que aconteceu. “Gostaríamos que nem falassem mais nele. Tem milhões na situação em que ele estava. Se as pessoas fossem ver as cadeias. Ele foi uma pessoa que sempre falou que errou”, desabafa uma das irmãs.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA

SOBRE O CRIMINOSO - Dilonei Francisco Melara ficou conhecido por liderar o maior motim da história de Porto Alegre, no sul do Brasil. No episódio, acontecido em julho de 1994, ele e parceiros de prisão tomaram 27 reféns, escaparam do Presídio Central de Porto Alegre e invadiram, em um táxi, o saguão do hotel mais luxuoso da época, o Plaza São Rafael, no centro de Porto Alegre. O incidente causou a morte de cinco pessoas e um dos reféns ficou paraplégico. A partir de então, o assaltante de bancos fugiu várias vezes da prisão. Ex-agricultor nascido em São José do Ouro, Melara ingressou na carreira criminosa assaltando táxis e ônibus em Caxias do Sul, nos anos 70. Uma década depois, integrou a mais famosa quadrilha de ladrões de banco do estado. Melara foi assassinado em 2005. (wikipedia)


Redação Terra, 26 de janeiro de 2005 

Bandido mais procurado do RS é encontrado morto

O bandido mais procurado do Rio Grande do Sul, Dilonei Francisco Melara, foi encontrado morto na noite de ontem no interior do Rio Grande do Sul, com cinco tiros no rosto. A morte foi confirmada hoje à tarde pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Estado, após exame de impressões digitais.

O corpo foi encontrado na noite de ontem numa estrada de chão que liga os municípios gaúchos de Estância Velha e Ivoti. O exame foi fundamental para a identificação de Melara, pois o rosto ficou desfigurado.

Por volta das 22h30 de terça-feira, moradores da região ouviram tiros e saíram para verificar o que estava acontecendo. Então encontraram um corpo na Estrada do Leite, próximo ao número 3.100 e avisaram a Brigada Militar local.

O corpo foi levado para o Posto Médico de Novo Hamburgo e hoje pela manhã, transferido para o Departamento Médico Legal (DML) de Porto Alegre, onde foi feito o exame de impressões digitais para confirmar se o corpo encontrado era realmente de Melara.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Segurança ainda serão feitas a necropsia e os exames laboratoriais, comuns em casos de homicídios.

O crime será investigado pela Delegacia de Homicídio do Estado. Ainda não há suspeitos.

A trajetória

Dilonei Francisco Melara foi responsável pelo maior e mais violento motim da história gaúcha, em julho de 1994, quando quatro presos e um policial morreram no Presídio Central. Durante a fuga ele invadiu um hotel no centro de Porto legre com um táxi. Melara esteve preso no regime fechado por 25 anos. Ele acumulava uma pena de 77 anos de prisão.

Em 30 de agosto de 2004, o então detento Melara foi transferido do Presídio de Alta Segurança de Charqueadas, no Rio Grande do Sul, em direção à Colônia Penal Agrícola (CPA) do mesmo município, distantes pouco mais de nove quilômetros entre si.

A última fuga de Dilonei Melara foi no dia 29 de novembro de 2004 do regime semi-aberto da Penitenciária Estadual de Jacuí (PEJ), onde estava somente havia uma semana. O detento trabalhava na cozinha e tinha total acesso ao pátio que não é cercado. A Brigada Militar e a Polícia Rodoviária montaram barreiras na Região Metropolitana de Porto Alegre para localizar o fugitivo.



http://prisional.blogspot.com.br/2013/01/morre-ex-diretor-baleado-em-motim-de.html



quinta-feira, 3 de julho de 2014

CELULAR EM CAIXA DE MAISENA

Do G1 RR - 29/06/2014 19h04

Mulher esconde celular em caixa de maisena e é detida em presídio de RR. Celular seria para o marido da suspeita, que está preso em regime fechado.. Caso ocorreu neste domingo, na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo.

Valéria Oliveira



Celular e carregador estavam dentro de um preservativo escondidos na caixa de maisena (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma mulher foi detida após tentar entrar na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo com um celular escondido dentro de uma caixa de maisena. O caso ocorreu neste domingo (29), em Boa Vista. Conforme os agentes penitenciários reponsáveis pela revista obrigatória durante a visita, a mulher pretendia entregar o aparelho ao marido, que está preso em regime fechado e responde por roubo qualificado e tráfico de drogas.

Ainda segundo os agentes penitenciários, a caixa de maisena estava dentro da bolsa da mulher, e em nenhum momento, ela tentou esconder o produto. Os servidores perceberam que a caixa estava um pouco "pesada" e resolveram verificar o que havia dentro.

"Ela tentou entrar na 'cara de pau'. Só que como trabalhamos todo o dia com revista, sabemos diferenciar algumas coisas pelo peso. Abrimos a caixa e achamos o celular e o carregador que estava dentro de um preservativo no meio da maisena", relatou um agente penitenciário, que pediu para não ser identificado.

A mulher foi detida e encaminhada ao Plantão Central I, no 5º Distrito Policial. Em depoimento ao delegado plantonista, ela alegou que não era mais casada com o detento e que ele não sabia que ela iria levar o aparelho. Depois de ser ouvida, a mulher assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberada.

Conforme o delegado, ela deverá responder judicialmente pelo crime de ingresso de pessoa portando aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional, previsto no Código Penal. A pena para este crime é de detenção de três meses a um ano.

GELADEIRAS E TVS NAS CELAS DE RORAIMA

ZERO HORA 03 de julho de 2014 | N° 17848


PRESÍDIOS



Uma sobrecarga na rede elétrica do maior presídio de Roraima revelou a existência de várias TVs, geladeiras e até videogames dentro das celas.

A lei prevê que cada uma das 19 alas da unidade tenha uma TV e uma geladeira para uso coletivo, mas mais de cem televisores foram retirados do local. Havia até comércio interno entre os presos, com cobrança de aluguel no valor de R$ 10 por dia, segundo o Ministério Público.

A Secretaria de Justiça e Cidadania tinha conhecimento das regalias e só decidiu retirar os aparelhos por conta da sobrecarga no local. O secretário Waney Vieira disse, no entanto, que algumas TVs foram deixadas para que os 1.064 presos não percam os jogos do Brasil na Copa.

PARA LEMBRAR...

G1 16/03/2013 13h57

Polícia encontra geladeira e TV dentro de celas em penitenciária de Roraima. Ainda foi descoberto 'mercadinho' gerenciado pelos detentos. As duas pessoas que administravam o negócio foram presas novamente.

Do G1, em São Paulo, com informações do Jornal Hoje




A Polícia encontrou uma geladeira, uma caixa de som e televisões dentro das celas na Penitenciária Agrícola de Boa Vista (RR). Ainda foi descoberto um 'mercadinho' administrado pelos detentos. Segundo a polícia, os presos usavam a rede de esgoto para esconder drogas, cartões de compras e dinheiro, inclusive dólares. As duas pessoas que gerenciavam os negócios foram presas novamente desta vez em flagrante por tráfico de drogas dentro do presídio.