sábado, 4 de janeiro de 2014

GOVERNADORA DEVE EXPLICAR VIOLÊNCIA EM PRESÍDIOS DO MARANHÃO

CORREIO DO POVO 04/01/2014 16:06

Governadora do Maranhão deve explicar violência em presídio até segunda. Sociólogo avalia que sequência de mortes em Pedrinhas reflete situação carcerária do Brasil


A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, tem até segunda-feira para prestar informações ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre as providências tomadas para evitar novas mortes no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Este ano, dois detentos morreram no interior do presídio. Um deles foi encontrado morto em uma cela de triagem com sinais estrangulamento e o outro foi vítima de golpes de uma arma artesanal com ponta de ferro aguda (chuço), durante briga de integrantes de uma facção criminosa.

A crise prisional no Maranhão é emblemática e evidencia a incapacidade do Estado brasileiro, em todas as suas instâncias e Poderes, para lidar com a questão carcerária, avalia o sociólogo Renato Sérgio Lima, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para ele, é fundamental e urgente haver uma reformulação da política de segurança pública no país, com efetiva articulação entre a União e os estados, a garantia de condições mínimas de sobrevivência para os presos enquanto cumprem a pena privativa de liberdade e a implementação de punições alternativas.

No maior complexo penitenciário maranhense, os mortos foram Josivaldo Pinheiro Lindoso, de 35 anos, e Sildener Pinheiro Martins, de 19 anos. No ano passado, 60 pessoas morreram no interior do presídio, incluindo três decaptações, segundo relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) O documento aponta uma série de irregularidades e violações de direitos humanos no local, como superlotação de celas, forte atuação de facções criminosas cuja marca é a "extrema violência" e abuso sexual praticado contra companheiras dos presos sem posto de comando nos pavilhões. Atualmente, 2.196 detentos estão presos no complexo penitenciário, que tem capacidade para 1.770 pessoas.

"Não adianta continuar do mesmo jeito, em que o Brasil é o terceiro ou quarto país que mais aprisiona no mundo sem que isso resolva o problema. Segurança pública não é só direito penal, em que se prende mas não são oferecidas condições mínimas de sobrevivência e convívio pacífico dentro dos presídios, sem que isso signifique defender luxo ou benefícios descabidos aos presos", pondera Lima. "E não adianta achar, como muita gente diz, que é melhor deixar para lá situações como as que vêm ocorrendo no Maranhão porque, afinal, são bandidos matando bandidos. Na verdade, são cidadãos morrendo que, na prática, vão ajudar a manter o sentimento de medo e insegurança em todo o Brasil, trazendo prejuízos a toda a sociedade", enfatizou.

O especialista em segurança pública defende que a implementação de uma política eficiente nesta área precisa incluir a modernização dos presídios, que devem contar com unidades menores, capazes de garantir a separação dos presos de acordo com o tipo de delito cometido, o grau de violência verificado e a periculosidade que oferecem. Ele defende que presídios como o de Pedrinhas sejam interditados e passem por uma ampla reforma, que obedeça conceitos mais modernos de construção. Lima afirma que o reforço da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança em Pedrinhas não resolvem o problema, apenas funcionam como "curativo em uma ferida aberta".

Fonte: Agência Brasil

BANDIDOS ATACAM QUATRO ÔNIBUS E DP NO MARANHÃO

ZERO HORA 05 de janeiro de 2014 | N° 17664

AUDÁCIA. Crimes são uma represália contra ação da PM nos presídios do Estado, segundo o governo


Em possível retaliação ao endurecimento da segurança em presídios no Maranhão, criminosos atacaram ônibus e uma delegacia em São Luís na noite de sexta-feira. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, bandidos incendiaram pelo menos quatro veículos, em episódios sem feridos. A polícia reagiu, aumentando o número de blitze nas ruas e avenidas da capital maranhense.

O procedimento dos bandidos foi semelhante nos três casos. Conforme informações da Polícia Militar, os cinco criminosos entraram nos ônibus, assaltaram os passageiros e, ao sair, atearam fogo aos veículos.

Em razão dos ataques, empresas de ônibus começaram a retirar veículos de circulação às 21h (22h, no horário de Brasília). Em todas as ocorrências, bombeiros e policiais civis e militares precisaram ser acionados. Há o registro de pelo menos quatro feridos em um dos ataques.

Em outro ataque, a fachada do 9º Distrito Policial da cidade, no bairro São Francisco, foi alvejada por ao menos oito tiros. Também houve registro de uma morte de policial militar aposentado, mas as autoridades policiais descartaram relação com os ataques. O PM Antonio Cesar Cerejo foi morto no bairro Maracanã.

A Polícia Civil maranhense suspeita que os atentados sejam uma represália do crime organizado a uma ação da Polícia Militar em presídios do Estado no último dia 31. No total, foram recolhidas 300 armas improvisadas, entre facas, facões e estiletes, além de drogas, bebidas alcoólicas e celulares.

No complexo prisional de Pedrinhas, dois presos morreram em um intervalo de 12 horas no início de 2014. Em 2013, foram 60 vítimas.

Polícia identificou de onde saiu ordem para os ataques

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que já identificou de onde saiu a ordem para os ataques, mas não revelou detalhes. Ela afirma que a polícia busca os envolvidos nos atos de vandalismo. Além de mobilizar equipes de inteligência, os policiais analisam as imagens do sistema de videomonitoramento, que ajudou a identificar suspeitos.

SÃO LUÍS (MA)

O COLAPSO PRISIONAL - As prisões do Maranhão enfrentam uma grave crise nos últimos meses, provocando resposta do governo maranhense

- O Batalhão de Choque da PM foi destacado no final do mês passado para fazer a segurança no complexo prisional de Pedrinhas, que soma 62 mortes de detentos desde 2013.

- Diante das constantes rebeliões, com decapitação de presos, órgãos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Procuradoria Geral da República e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) cobram uma solução da governadora Roseana Sarney (PMDB).

- Para o governo maranhense, a ação da PM gerou os ataques do crime organizado. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública diz que não irá se intimida com a ação criminosa e que “continua agindo em conjunto com todos os setores e órgãos que atuam na defesa dos direitos humanos e daqueles que promovem a garantia da justiça e da segurança”.

- Entre as ações para melhorar a situação nas prisões, estão a ampliação da vigilância com câmeras de monitoramento, a intensificação das revistas nas celas e o reforço da fiscalização interna, com o batalhão de choque da PM, e do lado de fora, com rondas de carros da polícia.

PRESOS REAGEM CONTRA CONTROLE DOS PRESÍDIOS E MANDAM INCENDIAR ÔNIBUS


ZERO HORA 04/01/2014 | 09h20

Criminosos incendeiam quatro ônibus no Maranhão. Ataques seriam reação a reforço na segurança dos presídios



Foto: Site do Estado do Maranhão / Reprodução


Ataques de grupos criminosos no Maranhão resultaram, entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado, em pelo menos quatro ônibus incendiados e uma delegacia metralhada na capital, São Luís. Um policial militar reformado foi assassinado, mas, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, o crime não tem relação com a onda de violência, que seria uma reação ao reforço de segurança em presídios.

Leia a íntegra da nota divulgada pela secretaria:

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informa que já identificou de onde saiu a ordem e quem a recebeu para a execução dos ataques ocorridos na noite desta sexta-feira (3), em São Luís, e já está trabalhando para prender os envolvidos nos atos de vandalismo e violência.

A SSP ressalta que trabalha para garantir a segurança e a tranquilidade da população maranhense. Esclarece, ainda, que essas ações de bandidos são uma tentativa de reação às medidas adotadas, por meio da Polícia Militar, visando disciplinar, organizar e combater a criminalidade nas unidades prisionais da capital.

De acordo com o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), foram registrados quatro atos de vandalismo envolvendo ônibus coletivo, que foram incendiados, alguns parcialmente. O primeiro ocorreu no bairro João Paulo, onde cerca de 5 homens interceptaram o veículo, mandaram os passageiros descerem e atearam fogo. Houve atos também na Vila Sarney, Ilhinha e uma tentativa no Jardim América.

Em todas as ocorrências, as polícias Militar, Civil e o Corpo de Bombeiros foram acionados. O 9º Distrito Policial (São Francisco) também foi alvo dos bandidos, que dispararam tiros contra o prédio.

A SSP confirmou a morte do policial militar reformado Antonio Cesar Cerejo, no bairro do Maracanã, mas ainda não há indícios de que o crime esteja relacionado com os ataques.

Várias diligências estão sendo feitas neste momento, com reforço das operações, blitz e incursões do Sistema de Segurança em conjunto com as equipes de inteligência para localizar e prender os participantes destes atos criminosos. Imagens captadas pelo Sistema de Videomonitoramento também estão sendo analisadas pelas polícias e alguns envolvidos já foram identificados.

O Governo do Maranhão reafirma que não compactua com atos de violência e que continua agindo em conjunto com todos os setores e órgãos que atuam na defesa dos direitos humanos e daqueles que promovem a garantia da justiça e segurança.

Informa, ainda, que a Polícia Militar já está adotando providências complementares nas unidades prisionais de São Luís, como no Centro de Detenção Provisória (CDP), do Complexo Prisional de Pedrinhas.

Entre elas, estão a ampliação da vigilância com videomonitoramento; a intensificação das revistas nas celas; o aumento da fiscalização interna com o Batalhão de Choque e da fiscalização externa com rondas.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CORTAR A LOTAÇÃO PELA METADE


ZERO HORA 03 de janeiro de 2014 | N° 17662


SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI



Reduzir substancialmente a lotação no interior do Presídio Central de Porto Alegre. Esta é, no meu entender, a principal medida sugerida pelos inspetores da OEA que visitaram aquela que já foi apontada como a pior prisão do Brasil. Todas as demais são periféricas, pois atendem a problemas derivados do excesso de presos na maior penitenciária do Rio Grande do Sul.

Além de paredes infectas, sistema de esgotos falho e infiltrações nas paredes, o presídio é uma armadilha, no tocante à possibilidade de incêndio. Com apenas 12 policiais bombeiros e 19 extintores reservados para edifícios labirínticos que acomodam mais de 4 mil pessoas, trancafiadas, a possibilidade da cadeia virar tocha e de uma tragédia 10 vezes pior que a da boate Kiss (a maior da história gaúcha) é muito concreta. Surpreendente, também, a admissão de que o controle interno é dos criminosos.

As autoridades penitenciárias têm se esforçado para atacar os problemas mais graves do Central, é preciso reconhecer. O problema é que são décadas de improvisações acumuladas. A longo prazo, a solução ideal é a demolição desse presídio, mas a curto prazo isso seria um desastre. Primeiro, porque não estão prontas as várias prisões que seriam necessárias para acomodar os detentos do Central. Depois, porque inaugurar presídios para logo lotá-los com presos que estavam noutra prisão é enxugar gelo. Que tal uma solução intermediária? Cortar a lotação pela metade seria um belo exemplo. Deixar o presídio dentro da sua capacidade, sem extingui-lo, seria razoável e atenderia à principal recomendação da OEA, sem inviabilizar o investimento em prisões necessárias para a crescente demanda por lugares para guardar outros apenados.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Com certeza, a curto prazo reduzir a lotação é a principal e mais urgente medida a ser implementada, já direcionada para a implosão do Presídio. Porém, para fazer isto só construindo unidades prisionais para abrigar os apenados do central, alguns de extrema periculosidade. O grande problema é a rejeição das comunidade contra a instalação de presídios em seus municípios. O motivo desta rejeição está no descaso da justiça criminal, na negligência do Poder Executivo e na permissividade das leis e da justiça que colocam em risco a segurança das comunidades, pois atraem famílias de apenados sem assistência e ficam a mercê da ação criminosa de apenados que recebem benefícios e licença da justiça sem monitoramento ou controle.  E se justifica na medida que a política estatal é depositar presos, sob supervisão inoperante da justiça e sem a implementação do objetivo, das prioridades e dos programas previstos na Constituição do RS ( artigo 137) e na Lei de Execuções Penais.

"Capítulo II
DA POLÍTICA PENITENCIÁRIA
Art. 137 - A política penitenciária do Estado, cujo objetivo é a reeducação, a reintegração social e a
ressocialização dos presos, terá como prioridades:
I - a regionalização e a municipalização dos estabelecimentos penitenciários;
II - a manutenção de colônias penais agrícolas e industriais;
III - a escolarização e profissionalização dos presos.
§ 1º - Para implementação do previsto no inciso III, poderão ser estabelecidos programas alternativos de
educação e trabalho remunerado em atividade industrial, agrícola e artesanal, através de convênios com
entidades públicas ou privadas."



CORTE INTERNACIONAL SOLICITA QUE GOVERNO ADOTE PROVIDÊNCIAS

ZERO HORA 02/01/2014 | 19h36

Resolução de corte internacional solicita que governo adote medidas para resolver problemas no Presídio Central. Documento foi uma resposta à denúncia feita por entidades gaúchas há um ano


Foto: Lauro Alves / Agencia RBS


Letícia Costa


Pedidos de medidas que parecem básicas, mas inexistem na maior cadeia do Estado, compõem a primeira decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), sobre a situação do Presídio Central de Porto Alegre.

Denunciada pelo Fórum da Questão Penitenciária, grupo de entidades lideradas pela Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), as condições indignas da casa prisional entraram na mira da corte internacional.

Na medida cautelar da CIDH, o Brasil tem o prazo de 15 dias para adotar as normas aprovadas na segunda-feira, 30 de dezembro. Conforme o juiz Gilberto Schäfer, diretor de Assuntos Constitucionais da Ajuris, a decisão da Comissão não demanda um efeito imediato, mas mostra que o direito à vida e integridade dos detentos do Presídio Central é considerada internacionalmente grave.

— Foi insuficiente o que o governo brasileiro tem feito até agora. Esperamos que o governo se agilize e cumpra a decisão para dar efeito prático às medidas da Comissão — comenta Schäfer.

O secretário-geral da OAB/RS, Ricardo Breier, que integra o Fórum da Questão Penitenciária, explica que o descumprimento das medidas pode afetar os laços políticos do Brasil internacionalmente. A tentativa de uma cadeira permanente na Organização das Nações Unidas (ONU) é um dos pontos que pode ser atingido.

— O não cumprimento revela que o Brasil não respeita a questão dos Direitos Humanos — afirma Breier, que visitou o Central no final de dezembro e diz que há situação caótica continua igual a da época da denúncia.

Desde a representação, feita há um ano, a CIDH acompanha a situação da cadeia, que abriga o dobro da população carcerária projetada para o espaço. No penúltimo dia de 2013, emitiu a resolução onde aponta que o Central apresenta requisitos de gravidade (sério impacto de uma ação ou omissão), urgência (risco iminente) e irreparabilidade (no caso da violação dos direitos já cometidas).

Para amenizar os problemas, as medidas a serem tomadas tratam desde pontos básicos, como higiene e instalação de extintores de incêndio, até a tão repetida necessidade de reduzir a superlotação e acabar com os comandos internos entre os presos.

Para o juiz de Execuções Criminais Sidinei Brzuska, o cumprimento exige, praticamente, o fechamento do Central. Questões como a presença de canos de esgoto quebrados e lixo por toda parte, que afetam diretamente a higienização do local, e a existência de representantes de galeria, que barram o controle da segurança interna por parte do Estado, são de fácil comprovação e de muita dificuldade de execução, avalia Brzuska.

As solicitações

- Adote medidas necessárias para salvaguardar a vida e integridade pessoal dos internos

- Assegure condições de higiene e proporcione tratamentos médicos adequados

- Implemente medidas para recuperar o controle de segurança em todas as áreas do Central (...) garantindo que os agentes do Estado sejam os encarregados das funções de segurança interna e assegurem que não sejam conferidas funções disciplinares, de controle ou de segurança aos internos

- Implemente um plano de contingência e disponibilize extintores de incêndio e outras ferramentas necessárias

- Tome ações imediatas para reduzir a lotação

Contraponto

O que diz Gelson Treiesleben, chefe da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) - Ainda não fomos notificados nem por meio eletrônico, nem físico. Como não sei o teor da medida cautelar, não vou me manifestar. Só depois de ter acesso, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-RS) irá se pronunciar.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O que acontece se o governador não adotar as medidas "determinadas" pela OEA? Tenho minhas dúvidas se um órgão internacional será capaz de fazer o que as Cortes Supremas do Judiciário, o Tribunal de Justiça do RS, o Congresso Nacional e a Assembleia Legislativa do RS não conseguiram até agora - obrigar o Piratini a resolver a calamidade nas cadeias gaúchos. Se conseguir êxito, será o Brasil um país soberano?





Jorge Bengochea -  Apesar do meu descrédito, toda pressão é importante para colocar na parede o verdadeiro responsável pelas violações de direitos humanos nas cadeias. Pena que a pressão vem do exterior e não dos poderes que são pagos e constituídos com a devida competência legal e constitucional para fazer esta pressão e não fazem. O Presídio Central de Porto Alegre já deveria ter sido implodido por estar depredado, inseguro, insalubre e dominado pelas facções. Deveria ser construído outro prédio com controle e segurança máxima de fato, possibilitando condições dignas, humanas, salubres e seguras para os agentes e apenados.

"Salvaguardar a vida e a integridade dos internos", "assegurar as condições de higiene" e implementar medidas de controle em todo o presídio são as observações do OEA que todo mundo sabe serem necessárias em todo e qualquer presídio do planeta. Não são alternativas de outro mundo. Pena que as autoridades brasileiras precisam ouvir isto de uma organização do exterior. É uma vergonha!!!

Acompanho a luta árdua e solitária dos juízes que são supervisores da execução penal pela falta de apoio dos Tribunais e das Cortes superiores no enfrentamento das negligências, descaso e improbidades do poder administrativo nesta ponta essencial da justiça criminal. Todas as denúncias parecem não ter continuidade ou eco. De outro lado, os representantes do povo e fiscais dos atos do Executivo, dominados pela maioria aliada do governo, não conseguem reagir contra a calamidade no sistema prisional, salvo visitas midiáticas sem resultados práticos.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

OEA RECONHECE CONDIÇÕES PRECÁRIAS DO PRESÍDIO CENTRAL

AJURIS - Publicado em: 2-janeiro-2014


A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) concedeu liminar obrigando o Estado brasileiro a empregar medidas cautelares para amenizar a caótica situação do Presídio Central de Porto Alegre (PCPA). A medida foi solicitada pelas entidades componentes do Fórum da Questão Penitenciária*, entre elas a AJURIS, no ano passado, tendo em vista a evidente violação dos direitos humanos e a falta de condições mínimas de encarceramento na casa prisional.

A decisão de conceder a liminar leva em conta os requisitos de gravidade, urgência e irreparabilidade do caso. Em 15 dias, o Estado brasileiro deverá informar as medidas que tomará para o imediato cumprimento da liminar.

Entre as ações a serem implantadas, estão a adoção de medidas necessárias para salvaguardar a vida e integridade física dos detentos; disponibilizar condições de higiene e de tratamentos médicos adequados e implementar ações para que o Estado recupere o controle da segurança em todas as áreas do PCPA, atualmente entregue a facções criminosas.

Também exige um plano de prevenção contra incêndio, reconhecendo o risco iminente de um sinistro no local. A liminar também impõe a tomada de medidas urgentes para reduzir a superlotação no Presídio – são 4.591 presos para uma capacidade de 1.984.

Para o vice-presidente Administrativo da AJURIS, Eugênio Couto Terra, a liminar representa o reconhecimento, por parte da OEA, das péssimas condições do Presídio Central, denunciadas pelo Fórum da Questão Penitenciária. “Foi uma vitória importante para que o patamar civilizatório se faça presente no sistema penitenciário.”

O juiz de Direito salienta, ainda, que a decisão poderia ter sido menos genérica e ter detalhado mais concretamente as medidas a serem tomadas pela União. Para um primeiro passo foi importante e impõe a necessidade de o Fórum dar continuidade à forte mobilização para uma mudança definitiva do atual cenário. “Vamos ampliar a cobrança para a execução das medidas. A resposta da liminar da Comissão Interamericana tem que ser dada com ações claras e concretas que atendam a necessidade de melhorias das condições prisionais do Presídio Central”, ressalta.

Na próxima terça-feira (7/1), às 10h, representantes das entidades componentes do Fórum realizarão um encontro para analisar a liminar e decidir sobre os próximos passos da mobilização.


Principais fatos:

10 de janeiro – entidades que compõem o Fórum da Questão Penitenciária denunciam à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) a grave situação do Presídio Central de Porto Alegre.

Março – a União informa, em reposta à solicitação feita pela CIDH, estar realizando melhorias na casa prisional.

16 de maio – representantes do Fórum efetuaram uma vistoria para conferir a aplicação de medidas anunciadas.

31 de maio – Fórum envia à CIDH réplica à resposta apresentada pela União ao pedido de informações feito pela Comissão sobre as medidas que o Estado brasileiro está tomando para assegurar a integridade e os direitos dos apenados do PCPA.

Dezembro – A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) concedeu liminar obrigando o Estado brasileiro a empregar as medidas cautelares.

* Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS), Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE), Instituto Transdisciplinar de Estudos Criminais (ITEC), Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS), Clínica de Direitos Humanos Uniritter, Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, Conselho da Comunidade para Assistência aos Apenados das Casas Prisionais Pertencentes às Jurisdições da Vara De Execuções Criminais e Vara De Execução De Penas e Medidas Alternativas De Porto Alegre, Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção do Rio Grande do Sul (OAB/RS), Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do SUL (ADPERGS) e Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMPRS).

Departamento de Comunicação
Imprensa/AJURIS
(51) 3284.9125








RÉVEILLON EM PRESÍDIO DO AMAZONAS


Polícia acaba com Réveillon em presídio no Amazonas. Festa da virada organizada por presos teria cerveja, música e drogas

O GLOBO, COM G1
Atualizado:1/01/14 - 22h45

PM encontrou bebidas e aparelho de karaokê em celas de presídio no Amazonas PM / Divulgação


RIO — A Polícia Militar do Amazonas encontrou latas de cerveja, um celular, bicarbonato de sódio e até um aparelho de karaokê na unidade prisional de Coari, a 363 quilômetros de Manaus. O material, apreendido na manhã de terça-feira em celas do presídio, seria usado pelos detentos em uma festa de Réveillon.

Na manhã do último dia de 2013, policiais do 5° Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Coari receberam denúncias anônimas de que os presos estariam consumindo bebidas alcoólicas e usando e vendendo drogas dentro da unidade prisional.

Durante revista feita na própria terça-feira, foram encontradas 47 latas de cerveja, um celular e três carregadores, um aparelho de DVD com função karaokê e um microfone. Os policiais também recolheram uma porção de bicarbonato de sódio, a ser utilizada na preparação de drogas.

Uma semana antes da operação que apreendeu bebidas e drogas para a festa de Ano Novo dentro do presídio, dois homens já haviam sido presos na tarde do dia 24, véspera de Natal, por tentarem entrar com um saco de gelo, latas e garrafas de cerveja na penitenciária de Coari. Eles teriam sido pagos pela mulher de um detento, que queria presentear o marido com uma ceia de Natal. Ela também foi detida.

De acordo com a polícia, a dupla chegou a entrar no presídio com as mercadorias para a ceia, mas foi abordada por policiais da unidade. Os dois homens foram encaminhados à delegacia de Coari. A mulher do preso, após ser identificada, também foi levada para a delegacia. Eles deverão aguardar decisão judicial na própria cadeia.