quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O CAOS CARCERÁRIO

ZERO HORA 11 de dezembro de 2013 | N° 17641


PAULO SANT’ANA


O canal 40, Globo News, apresentou agora ao público brasileiro em geral um estafante e talentoso trabalho sobre a situação penitenciária no Brasil.

Chamou atenção o estudo detalhado das prisões gaúchas, não à beira, mas na profundidade do caos.

Uma vergonha.

*

Chegamos agora ao cúmulo: estamos livrando pessoas que deveriam estar presas por não termos onde colocá-las para cumprir suas penas.

E, quando eu advertia durante 40 anos de que a situação de caos dos presídios acabaria por tornar as ruas um inferno, ninguém ligou para minha advertência.

Até que chegamos a esta atualidade aterrorizante de hoje: convivemos em igualdade de condições, nas ruas e em torno de nossas casas, com criminosos soltos que tinham de estar presos. Mas não há lugar para mais ninguém nas prisões e então escolhem aqueles que viverão a liberdade quando a ordem e a lei imperativamente tinham de recolhê-los a presídios.

*

E o pior: os milhares de detentos que estão recolhidos às prisões no Rio Grande do Sul, em sua maioria, vivem em situação pior do que a de animais, haja vista a reportagem que se viu agora na Globo News.

As condições de higiene em que vivem os detentos do Presídio Central são abomináveis, sujeitos à sujeira mais pérfida e condenados assim pelas doenças a morrerem abandonados.

*

Todos os governos estaduais que se sucederam nos últimos 50 anos são culpados desse crime que se comete contra a sociedade.

Mas o interessante é que foi esta mesma sociedade gaúcha que licenciou todos esses governos a cometer essa sandice monumental e tropelia.

*

É o fim. E ninguém se envergonha desse fim. Seguem a vida como se não fossem responsáveis por este grave e continuado atentado aos direitos humanos.

Mas agora estourou. Agora a sociedade que sempre declarou que os detentos tinham é que morrer se vê atacada ou ameaçada pelo crime impune solto pelas ruas.

Durmo em paz como minha consciência: não resolvi coisa nenhuma, mas avisei, bradei, durante mais de 40 anos, para esse fim trágico que agora vivemos. Todos me foram surdos.

E eu nunca vi, nesses 40 anos, nenhum gaúcho, repito, nenhum gaúcho recusar-se a votar em alguém para governador ou deputado estadual e federal porque foi leniente ao caos carcerário. Por isso é que todos os eleitos passaram quatro décadas se omitindo, ninguém lhes cobrava, quando não os estimulava à pérfida desídia.

Nenhum fez nada.

E deu no que deu.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

OS 10 PAÍSES COM MAIS PRESOS NO MUNDO

REVISTA EXAME, Segurança 09/12/2013 18:36

População carcerária cresceu 30% em 15 anos e chegou a 10,2 milhões; Estados Unidos têm mais presos


Guilherme Dearo, de


São Paulo – Uma nova pesquisa do Centro Internacional de Estudos Penitenciários (ICPS, em inglês) constatou que a população carcerária mundial chegou a 10,2 milhões de pessoas.

Os Estados Unidos concentram o maior número de presos, 2,24 milhões. Em seguida, vem a China, com 1,64 milhões. Os dados se referem a setembro de 2013.

Essa população cresceu entre 25% e 30% nos últimos 15 anos. Ou seja, mais rápido que a população mundial como um todo - uma taxa de 20%.

Quatro países não divulgaram dados para compor o estudo: Coreia do Norte, Eritreia, Guiné-Bissau e Somália. Na Coreia do Norte, o número é estimado em 150 mil.

Outros países, como a China, apresentam números distorcidos. Os 1,64 milhões de presos são apenas os que já foram condenados. Estima-se que 650 mil estão na cadeia e aguardam julgamento. Logo, o número tende a ser muito maior que o divulgado.


Confira a seguir os 10 países com mais presos no mundo:

Prisão no Arizona, nos Estados Unidos
1. Estados Unidos - 2.239.751 presos (716 para cada 100 mil habitantes)
Prisão em Weinan, China
2. China - 1.640.000 presos (121 para cada 100 mil habitantes)


Prisão em Moscou, Rússia
3. Rússia - 681.000 presos (475 para cada 100 mil habitantes)

Presídio Bangu 8
4. Brasil - 548.003 presos (274 para cada 100 mil habitantes)


Prisão em Nova Déli, Índia
5. Índia - 385.135 presos (30 para cada 100 mil habitantes)

Preso em Ranong, Tailândia
6. Tailândia - 279.854 presos (398 para cada 100 mil habitantes)


Pesos em Sinaloa, México
7. México - 246.226 presos (210 para cada 100 mil habitantes)


Prisioneiros políticos em Teerã, Irã
8. Irã - 217.000 presos (284 para cada 100 mil habitantes)

Cela de Nelson Mandela
9. África do Sul - 156.370 presos (294 para cada 100 mil habitantes)

Prisão em Bali, Indonésia
10. Indonésia - 144.332 presos (59 para cada 100 mil habitantes)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ESCRITÓRIO DO CRIME

Jornal NH Digital
JORNAL DE NH - 07/12/2013 20h30


Galeria de presos se tornou uma central de extorsões. Detentos ligam e exigem dinheiro para não matar, sequestrar, assaltar ou incendiar


Sílvio Milani


Novo Hamburgo - A galeria 2 do complexo B da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, virou uma central de extorsões. Presos vêm telefonando para casas e empresas com ameaças aterrorizadoras. Exigem dinheiro para não matar, sequestrar, assaltar ou queimar propriedades. O poder de convencimento está nas informações que têm sobre as vítimas. Contam a elas detalhes da família, como endereço, nomes e escola dos filhos, para que se sintam observadas pelos bandidos.

Pelo menos 13 foram atormentadas desde o início do mês passado, entre empresários, comerciantes, médica e dentista da região metropolitana. "Essas são as que chegaram ao nosso conhecimento, mas acreditamos que haja número bem maior, considerando que muitas não procuram a Polícia", declara o chefe de Investigação da 1ª DP de Novo Hamburgo, inspetor José Urbano Lourenço. Sete são hamburguenses, quatro de Porto Alegre, uma de Alvorada e uma de Sapiranga. "Não é coincidência que a maioria das vítimas documentadas até agora seja da nossa cidade, pois o líder dos presos também é daqui", observa o inspetor. Condenado por assaltos e estupro, o apenado de 34 anos caiu em interceptações telefônicas autorizadas pelo Judiciário. Foram ainda identificados três colegas de cela, recolhidos por roubos à mão armada – um deles, também de Novo Hamburgo, ganhou liberdade na semana passada e os outros dois são de São Leopoldo e da Capital.

O delegado da 1.ª DP, Nauro Marques, pediu na sexta-feira a prisão preventiva dos quatro detentos e de duas mulheres que estariam dando suporte ao esquema. "Elas são parentes dos detentos. Disponibilizaram suas contas bancárias para depósitos das vítimas", explica o delegado. Nos casos investigados por ele, pelo menos três vítimas pagaram os criminosos. Em um caso apurado pela DP de Sapiranga, o dono de uma revenda de veículos pagou R$ 15 mil para os presos depois de sua casa ser alvejada por tiros.

O GOLPE

A vítima é escolhida por meio de consultas a redes sociais e listas telefônicas, mas também pode estar sendo observada por criminosos em liberdade.

A pessoa recebe ligações de um homem que geralmente diz ser de um "escritório de investigação" contratado para fazer mal a ela, filhos ou negócios.

O homem cobra entre R$ 2 mil e R$ 20 mil para não executar o plano. Assustada com o conhecimento do bandido sobre a rotina da família, a vítima acaba pagando.

"Fiquei três noites sem dormir"

Quatro telefonemas na segunda semana de novembro deixaram marcas profundas na vida de uma família do bairro Liberdade, em Novo Hamburgo. "A gente passou a desconfiar de tudo. Parece que estamos sendo seguidos. Eles sabiam muito sobre nós", comenta o comerciante de 46 anos, que chegou a sacar R$ 5 mil para pagar a quadrilha. "Os caras ameaçaram sequestrar meus filhos. Liguei desesperado para a escola do meu caçula para que não deixassem ele passar pelo portão até eu chegar. Fiquei três noites sem dormir. Só não depositei o dinheiro na conta deles porque minha irmã me alertou a procurar a Polícia."

TRECHOS DE ESCUTAS

Às 14h40 de 27 de novembro, o preso líder do esquema liga para a empresa onde trabalha uma publicitária de 30 anos, em Porto Alegre, que ele quer extorquir. O plano é se identificar como Murilo, um matador profissional contratado para executar um dos dois filhos da mulher. E alegar que, como não concorda em fazer mal para criança, aceita delatar os mentores da execução por R$ 2 mil.

Preso - Eu liguei pra (nome da publicitária). O telefone dela não atende...

Colega da vítima - Só um minutinho!

Preso - Tá, olha só, não temos muito que perder tempo, eu preciso falar com a (nome da publicitária) urgente. Tá acontecendo uns negócio com o (nome do filho da publicitária). Pede pra ela entrar urgente em contato comigo...

Colega da vítima - Quem tá falando?

Preso - Oi, é o Murilo. Anota o meu número aí!

Colega da vítima - Tu é de onde, Murilo?

Preso - De Porto Alegre.

Colega da vítima - Mas o que tá acontecendo com o (nome do filho da publicitária)?

Preso - Tu vai fazer muita pergunta ou vai pedi pra ela me ligar? Aí é contigo, se acontecer alguma coisa com o filho dela, é contigo!

O DRAMA DE UMA MÃE

Seis minutos depois, a publicitária recebe o recado e telefona para o número deixado por Murilo. A conversa dura 11 minutos e 43 segundos.

Preso - Tu vai fazer o que na Polícia? Que tu recebeu um telefonema? Que o Murilo tal e tal... te ligou e falou isso e aquilo? Que vai te adiantar? Amanhã ou depois acontece alguma coisa pros teus filhos, claro, eu não vou fazer!

Vítima - Pelo amor de Deus!

Preso - Depois acontece uma coisa pro teus filhos, o que tu vai fazer? No final da tarde o casal vai vir aqui pra fala comigo!

Vítima - Mas eu não tenho, é impossível conseguir o dinheiro até o final da tarde... preciso pelo menos até amanhã pra conseguir!

Leia reportagem completa no ABC Domingo

sábado, 7 de dezembro de 2013

JUDICIÁRIO ENCERROU MUTIRÃO CARCERÁRIO

O SUL Porto Alegre, Sábado, 07 de Dezembro de 2013.


WANDERLEY SOARES

Corregedor-geral aponta que se a sociedade pretende que aquele indivíduo condenado venha a cumprir tempo mais longo de prisão, deve exigir mudanças legislativas na política de execução penal, mas também aceitar, no âmbito de sua localidade, a construção de novos e adequados presídios.

Após sete meses percorrendo 165 Comarcas gaúchas, o Mutirão Carcerário 2013 se encerrou oficialmente, ontem, tendo analisado a situação jurídica de 28.541 detentos de 137 estabelecimentos prisionais. Realizada em seis etapas, divididas por Regiões Administrativas do Poder Judiciário, a ação concedeu 10,6 mil benefícios, entre remição de penas, saídas temporárias e progressão de regime. Dos 28.541 presos, 1.778 (6,23%) foram libertados, através dos seguintes benefícios: indulto (171), liberdade condicional (664), prisão domiciliar (471), liberdade provisória (354), outras medidas (118).

A cerimônia de encerramento foi realizada no Palácio da Justiça, Centro Histórico de Porto Alegre. Na ocasião, o corregedor-geral da Justiça, desembargador Orlando Heemann Jr., destacou o comprometimento dos servidores e magistrados que integraram o mutirão. Disse ainda que a ação serviu para delinear panorama completo da situação carcerária do RS e da área de execuções criminais. Todas as casas foram fiscalizadas. Todos os presos que encaminharam postulação ao grupo de trabalho lograram algum retorno e puderam perceber a efetiva presença do Judiciário e dos resultados alcançados. Esses dados coletados nos possibilitam assumir postura propositiva e não meramente crítica, afirmou o corregedor, ressaltando a parceria da Susepe. Na avaliação de Heemann Jr., a ação capitaneada pela Corregedoria também serve para reflexão da sociedade quanto aos gargalos da situação carcerária do Estado. Se a sociedade pretende que aquele indivíduo condenado venha a cumprir tempo mais longo de prisão, deve exigir mudanças legislativas na política de execução penal, mas também aceitar, no âmbito de sua localidade, a construção de novos e adequados presídios, afirmou.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

REVISTA APREENDE ARMAS, DROGAS E CELULARES


RADIO PROGRESSO DE IJUI Sexta-Feira, 06/12/2013

Revista no albergue de Ijuí resulta na apreensão de armas, drogas e celulares

Produtos que foram apreendidos




Operação policial envolvendo Susepe, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Brigada Militar, foi realizada no início da manhã de hoje, 06, no Instituto Penal de Ijuí, o antigo albergue, localizado à rua Marechall Mallet, proximidades do 27º GAC. Participaram mais de 100 agentes de Ijuí e região.

Nas celas da casa prisional foram apreendidos cerca de 20 celulares, facas artesanais e drogas. Três detentos que estavam no IPI, Eliseu Silveira, Célio Rosa e Altamir Gonçalves Azevedo, foram conduzidos à Penitenciária Modulada, pois eles no momento da operação estavam de posse de telefones móveis. Existe a possibilidade deles terem regressão de regime, ou seja, passarem do semi aberto para o fechado.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

NOVA FACÇÃO MAIS VIOLENTA SE ORGANIZA EM PRESÍDIOS DE SP


FOLHA.COM 05/12/2013 - 03h15

JOSMAR JOZINO
DO "AGORA"



Uma nova facção criminosa tem atuado nos presídios de São Paulo sob a marca de ações violentas, como a decapitação de inimigos.

A organização chamada de Cerol Fino já foi responsável pela morte de pelo menos sete detentos neste ano em penitenciárias paulistas.

O nome do grupo, segundo agentes penitenciários, é uma alusão às linhas de pipa feitas com cola de madeira e caco de vidro moído, que cortam como navalha.

O preso Anderson de Castro Moraes Borges, 28, da Penitenciária de Andradina (627 km de SP), foi a última vítima da facção criminosa.

Borges dividia uma cela com outros dois detentos no setor disciplinar. Ele foi decapitado no último dia 28. O coração foi arrancado. A barriga foi cortada e a cabeça, colocada dentro dela.

Os dois presos acusados pelo crime foram transferidos para a Penitenciária 1 de Presidente Venceslau (611 km de SP). O presídio abriga, em setores separados, integrantes de diversas facções que cometeram falta grave no sistema prisional. Ao menos 50 deles são do Cerol Fino.

Segundo agentes penitenciários, detentos da facção também já mataram neste ano dois rivais na Penitenciária 1 de Itirapina (212 km de SP), um na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau, dois na Penitenciária de Presidente Prudente (558 km de SP) e um em Sorocaba (99 km de SP).

INQUÉRITO

A Secretaria da Administração Penitenciária não comentou a existência da facção, mas informou que abriu procedimento disciplinar para apurar a morte do preso e que foi instaurado inquérito.

Segundo a pasta, também será solicitada a internação em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) dos presos envolvidos na morte de Borges.

A pasta informou ainda que os presos já estão cumprindo sanção disciplinar.


JORNAL O SÃO GONÇALO, Redação 21/5/2012 10:16:35


'Cerol fino' leva oito em São Gonçalo


Parece ‘trabalho’ da ‘Besta’, do ‘Capeta’, ‘Belzebu’, ‘Coisa Ruim’ ou coisa parecida. Mas foram ações de bandidos de carne e osso mesmo. Uma série de oito assassinatos em sete bairros aterrorizou São Gonçalo neste final de semana. O ‘cerol’ passou ‘fino’ no Barro Vermelho, Colubandê, Venda da Cruz, Laranjal, Neves, Bairro Almerinda e Jardim Catarina. Nos sete casos nenhum criminoso foi identificado e preso pela polícia.

Somente na madrugada de sábado, a polícia registrou três homicídios em apenas três horas no município. Os crimes confirmam os dados do Instituto de Segurança pública (ISP) que mostram que, nos quatro primeiros meses deste ano, o número de homicídios dolosos - ou intencionais - na cidade, aumentou 7,62%, somando uma média de 1,8 pessoas assassinadas a cada dois dias no município.

Às 4h de ontem, alertada por uma denúncia anônima, uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrou corpos de dois homens no interior de um Fiesta vermelho, placa KOY-0704, na Rodovia Niterói-Manilha (BR-101), Km 319, em Neves. Segundo a polícia, um dos rapazes é Rogério Miranda da Silva Júnior, 17 anos, que estava no banco de trás do carro vestindo bermuda e uma meia branca. Ele tinha marca de tiro no tórax. O outro jovem foi encontrado na mala do veículo, trajando apenas bermuda e com ferimentos na cabeça.

Os corpos foram removidos para o Instituto Médico legal (IML) de Tribobó, no início da manhã. A investigação sobre os homicídios será feita por policiais da 73ª DP (Neves), responsáveis pelo registro do caso.

Laranjal - Às 20h de ontem, o corpo de um homem, aparentando ter entre 25 a 30 anos, foi encontrado jogado numa rua deserta, no Laranjal, por moradores que ouviram os tiros e, em seguida, acioram policiais do 7º BPM (São Gonçalo). A vítima, que foi executada de joelhos e baleada na nuca, não era conhecida no local. O caso está sendo investigado pela 74ª DP (Alcântara).

Almerinda - Alfredo Fernandes de Melo, 30, morador do Bairro Almerinda, foi morto com tiros na cabeça e no tórax, na Estrada do Anaia, por volta das 16h30 de ontem. Segundo testemunhas, um Monza com três pessoas parou e chamou a vítima pelo nome, efetuando os disparos em seguida. Segundo familiares, Alfredo tinha quatro filhos e sua mulher estava grávida. O caso foi registrado na 75ª DP (Rio do Ouro).

Jardim Catarina - Policiais do 7º BPM (São Gonçalo) encontraram o corpo de um homem não identificado, na tarde de sábado, no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Ainda não há informações sobre a causa da morte.

O cadáver apresentava sinais de decomposição e nenhum documento foi encontrado. O corpo foi localizado por uma moradora dentro de um terreno usado para o abastecimento de carros-pipa. Uma equipe do Corpo de Bombeiros recolheu o corpo para o Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó.

Execuções - Às 2h30 de sábado, o ajudante de pedreiro André Luiz Abad dos Santos, 41 anos, foi morto em frente a um bar na Rua Sá Pinto, no Morro do Martins. em Venda da Cruz. Às 4h, no Morro da Cruz, no Barro Vermelho, um corpo foi carbonizado no porta malas de um carro Agile, estacionado na Rua Egberto Magalhães. O sexo da vítima não foi identificado.

Às 5h30, o corpo de Antônio José de Souza, 72 anos, foi encontrado boiando dentro do Rio Colubandê, que corta a Estrada do Anaia, na localidade conhecida como Balanção. Todos os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, onde aguardam a liberação de parentes. Os casos serão investigados pela 73ª DP (Neves) e 74ª DP (Alcântara).

Nova Cidade - Um homem de 27 anos, foi ferido por tiros de metralhadora, na noite de sexta-feira, quando conversava com amigos na Travessa Alexandre Cruz, em um dos acessos à comunidade da Chumbada, em Nova Cidade, São Gonçalo. Após ser atingido, ele foi socorrido e levado ao Pronto Socorro de São Gonçalo. De acordo com testemunhas, quatro homens armados, um deles com metralhadora, passaram atirando pela travessa. No momento do ataque, houve correria e pânico. A vítima não conseguiu fugir a tempo e acabou atingida. O caso será investigado pela 72ª DP (Mutuá).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

FUGA E DESCONTROLE

Imagens revelam fugas e descontrole durante um mês no presídio de Novo Hamburgo



RADIO GAÚCHA 28 de novembro de 2013
A verdadeira escalada da fuga. Enquanto a estatística mostra que a cada duas horas um preso escapa das cadeias gaúchas, imagens revelam o descontrole durante um mês nopresídio de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. A Reportagem da Rádio Gaúcha e daTVCOM passou quase 30 dias no local e flagrou em média dois presos por dia pulando o muro do Instituto Penal.
Campana
Dentro de veículos ou até mesmo passando pelas ruas no entorno da cadeia, a equipe fez campana no mês de novembro em frente ao Instituto Penal do município e gravou vídeos de diversas fugas.
* Veja o vídeo com o flagrante de diversas fugas de presos que saíram livremente para passear, fazer compras e ir em festas:
Como consumidores normais, os presos dos regimes aberto e semiaberto têm até hora marcada para ir às compras em um mercado próximo, sempre por volta de 9h30m e 15h30m. E nas sextas-feiras ou em véspera de feriados, o motivo da saída do presídio era outro. A reportagem também flagrou um apenado que pulou o muro, puxou o celular do bolso e falou ao telefone. Logo em seguida, duas mulheres em um carro apareceram para buscá-lo. Tudo em frente a vizinhos da cadeia ou em meio a pessoas que passavam pela rua. Em outro flagrante, também gravado em vídeo, a reportagem pode ver o malabarismo de um apenado para pular o muro com pelo menos cinco sacolas de compras. Em outro momento, um preso sobe a parede, fica sentado no local e retira parte de arame farpado.
Prisão de preso
Um dos apenados que pulou o muro acabou sendo detido pela Brigada Militar (durante quase 30 dias houve duas prisões verificadas pela equipe) e todas as compras que fez, como legumes, salsicha, frango, refrigerante, entre outras, foram apreendidas. Com 23 anos de idade, o preso disse que todo o dia alguém pula o muro, já que não gostam da alimentação fornecida na cadeia.
“Amanhã certamente alguém vai pular. Quando tapam o buraco que a gente abre na cerca, abrimos de novo. Todo mundo pula, quem não pula paga pra outro pular”, diz o preso.
Ações
Até junho deste ano, o Instituto Penal de Novo Hamburgo registava média de 20 fugas por mês, número oficial aquém do que a Reportagem pode comprovar de fato em novembro. Naquela época, houve a promessa de cercamento eletrônico, colocação de câmeras de vídeo e de alarmes. Mas o que se pode ver, cinco meses depois, foi um muro sem qualquer tipo de obstáculo e guaritas vazias.
Fugas
Mas este problema não é só em Novo Hamburgo, ocorre no Instituto Penal de Viamão, Charqueadas, Mariante e muitos outros. Em um levantamento de 14 anos do Ministério Público, foram registradas mais de 73 mil fugas, sendo cerca de 75% dos regimes aberto e semiaberto. Assim como no primeiro semestre deste ano, a média tem sido de uma fuga a cada duas horas das cadeias gaúchas.
No 1º semestre de 2013…
65 fugas do regime fechado
482 do aberto
1.983 do semiaberto
24 presos mortos
Ministério Público
O promotor Gilmar Bortolotto diz que estes dados denotam dos nossos presídios.
“Sem que a gente mexa nesse nó, sem que a gente procure de fato encarar de maneira corajosa esse problema, o que hoje, no meu modo de ver não se faz, não há nenhuma política, nenhum plano, nenhum projeto de segurança pública que vá dar certo”, relata o promotor.
Justiça
O juiz Sidinei Brzuska  destaca que o estado não pode mais pagar aluguel para quadrilha de traficantse, de ladrões e homicidas.
“O nosso semiaberto tem que acabar, da forma que ele está, está produzindo efeito totalmente contrário do desejado. O semiaberto que seria aquele, para fazer um elo de transição para o sujeito voltar à sociedade, está se tornando um principal fator criminógeno, das pessoas mais cometerem crime ali, quer dizer, isso tem que resolver”, diz Brzuska.
Susepe
O superintendente dos Serviços Penitenciários, Gelson Treiesleben, diz que todo o sistema falha quando se trata de semiaberto.
“É, então, eu te diri,a que o sistema prisional é parte de um sistema que falha e não somente o sistema prisional falha. É lógico que nós falhamos no momento que nós conseguimos cumprir com a integralidade do homem que está saindo para que ele não volte a delinquir”, relalta o superintendente.
De acordo com especialistas em segurança pública, enquanto não forem revistos o sistema carcerário e a legislação penal, situações como a do Rio Grande do Sul, que em 14 anos o número de fugas é duas vezes e meia maior do que a atual população carcerária (cerca de 28 mil apendos), a farra e o descontrole vão continuar ou aumentar.
Ouça a reportagem:
* Por Cid Martins, da Rádio Gaúcha, e Vanessa da Rocha, da TVCOM
* Vídeo editado por Nícolas Andrade
* Mais informações no programa TVCOM 20 horas.