Fugitivo da Pasc é recapturado dentro de colônia penal em Charqueadas. Sandro Alexandre de Paula, 27 anos, estava em um alojamento da Colônia Penal Agrícola de Charqueadas - ZERO HORA ONLINE, 13/06/2011 | 17h16min
O fugitivo da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) Sandro Alexandre de Paula 27 anos, foi recapturado às 15h50min desta segunda-feira em um alojamento da Colônia Penal Agrícola de Charqueadas. O local é um um abergue com presos do semiaberto.
O assaltante apelidado de Zorelha e condenado a 113 anos de prisão fugiu na tarde de domingo das Pasc ao usar uma escada de pano para escalar o muro do presídio, por volta das 13h30min, no momento em que os apenados recebiam a visita de familiares.
De acordo com a Brigada Militar, Zorelha estava sozinho em uma unidade da colônia penal. Ele carregava um revólver calibre 38 e seis munições. O assaltante não reagiu à ação dos policiais e estava com ferimentos no pé direito.
— Zorelha não esboçou nenhuma reação. Estava com uma atadura do pé direito, provavelmente machucado na queda da fuga — afirma o coronel João Diniz Prates Godoi, comandante do Batalhão de Operações Especiais, responsável pela prisão.
Segundo o policial, a operação foi montada por volta das 11h desta segunda-feira, quando os setores de inteligência da BM e da Susepe repassaram a informação de que Zorelha poderia estar na colônia penal.
— Cercamos o local no final da manhã. Quando entramos no complexo, o foragido foi encontrado já na primeira unidade — diz Godoi.
A Execução Penal é um dos extremos do Sistema de Justiça Criminal, importante na quebra do ciclo vicioso do crime pela reeducação, ressocialização e reinclusão. Entretanto, há descaso, amadorismo, corporativismo e apadrinhamento entre poderes com desrespeito às leis e ao direito, submetendo presos provisórios e apenados da justiça às condições desumanas, indignas, inseguras, ociosas, insalubres, sem controle, sem oportunidades e a mercê das facções, com reflexo nocivo na segurança da população.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
PASC - FALHAS EM PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA
Juiz da Vara de Execuções Criminais não se surpreende com fuga de preso. Sidinei Brzuska afirmou que há falhas em procedimentos de segurança da Pasc - Luciano Nagel / Rádio Guaíba, CORREIO DO POVO, 13/06/2011
O juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre Sidinei Brzuska afirmou não estar surpreso com a fuga de mais um detento da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), ocorrida nesse domingo. Ele disse que existe uma deficiência de servidores para atender a demanda. Além disso, segundo ele, presos fazem alguns serviços que deveriam ser realizados por servidores. “A Pasc vem sendo renegada ao longo dos tempos”, explicou.
Brzuska disse ainda que as guaritas ao redor do presídio não possuem policiais militares. “As câmeras de vigilância nas áreas coletivas – refeitórios, pátios e corredores – não funcionam há muito tempo.”
Nesta segunda-feira, mais de 50 policiais militares estão mobilizados na captura do assaltante Sandro Alexandre de Paula, 27 anos, conhecido como Zoreia. Os policiais realizam barreiras para revistar carros na ERS 401.
O superintendente da Susepe, Gelson Treiesleben, anunciou a abertura de uma sindicância, com a corregedoria da instituição e agentes de inteligência, para investigar a segunda fuga da história da Pasc.
Comissão da OAB já havia constatado problemas na Pasc em maio
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já havia detectado problemas na Pasc durante inspeção em maio. Segundo a entidade, o sistema eletrônico de portas das celas, por exemplo, não existe mais. Além disso, havia carência de servidores.
Uma comitiva formada pela OAB, Ministério Público do Estado, Tribunal de Justiça do Estado, Defensoria Pública, Procuradoria Geral do Estado, Assembleia Legislativa e Associação dos Advogados Criminalistas do Rio Grande do Sul (Acriergs) constatou “o visível abandono” da penitenciária. O objetivo da visita foi verificar as condições de funcionamento e propor medidas e soluções para os problemas encontrados. “Fiz uma visita às galerias e não encontrei guardas nas guaritas”, observou o juiz Sidinei Brzuska, que participou da comitiva.
Na ocasião, Roque Reckziegel, da Comissão de Direitos Humanos, disse que a direção da Pasc “obriga-se a verdadeiros exercícios de criatividade para administrar a casa, ante a falta de recursos humanos e materiais”. Segundo ele na época, a “Pasc é, ou deveria ser, a penitenciária de segurança máxima do nosso Estado".
Plebiscito aponta desistência de greve de agentes penitenciários - Tatiane de Sousa / Rádio Guaíba
Resultado final da votação realizada pelo sindicato será divulgado no início da noite
O resultado parcial do plebiscito aberto pela Associação dos Monitores e Agentes Penitenciários do Rio Grande do Sul (Amapergs) aponta que a categoria desistiu da paralisação marcada para esta quarta-feira. Conforme a direção da Amapergs, o anúncio da Casa Civil do pagamento das promoções atrasadas para os servidores do sistema prisional influenciou a decisão da categoria. O benefício é esperado desde setembro de 2010. O resultado final do plebiscito será divulgado no início da noite de hoje.
O juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre Sidinei Brzuska afirmou não estar surpreso com a fuga de mais um detento da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), ocorrida nesse domingo. Ele disse que existe uma deficiência de servidores para atender a demanda. Além disso, segundo ele, presos fazem alguns serviços que deveriam ser realizados por servidores. “A Pasc vem sendo renegada ao longo dos tempos”, explicou.
Brzuska disse ainda que as guaritas ao redor do presídio não possuem policiais militares. “As câmeras de vigilância nas áreas coletivas – refeitórios, pátios e corredores – não funcionam há muito tempo.”
Nesta segunda-feira, mais de 50 policiais militares estão mobilizados na captura do assaltante Sandro Alexandre de Paula, 27 anos, conhecido como Zoreia. Os policiais realizam barreiras para revistar carros na ERS 401.
O superintendente da Susepe, Gelson Treiesleben, anunciou a abertura de uma sindicância, com a corregedoria da instituição e agentes de inteligência, para investigar a segunda fuga da história da Pasc.
Comissão da OAB já havia constatado problemas na Pasc em maio
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já havia detectado problemas na Pasc durante inspeção em maio. Segundo a entidade, o sistema eletrônico de portas das celas, por exemplo, não existe mais. Além disso, havia carência de servidores.
Uma comitiva formada pela OAB, Ministério Público do Estado, Tribunal de Justiça do Estado, Defensoria Pública, Procuradoria Geral do Estado, Assembleia Legislativa e Associação dos Advogados Criminalistas do Rio Grande do Sul (Acriergs) constatou “o visível abandono” da penitenciária. O objetivo da visita foi verificar as condições de funcionamento e propor medidas e soluções para os problemas encontrados. “Fiz uma visita às galerias e não encontrei guardas nas guaritas”, observou o juiz Sidinei Brzuska, que participou da comitiva.
Na ocasião, Roque Reckziegel, da Comissão de Direitos Humanos, disse que a direção da Pasc “obriga-se a verdadeiros exercícios de criatividade para administrar a casa, ante a falta de recursos humanos e materiais”. Segundo ele na época, a “Pasc é, ou deveria ser, a penitenciária de segurança máxima do nosso Estado".
Plebiscito aponta desistência de greve de agentes penitenciários - Tatiane de Sousa / Rádio Guaíba
Resultado final da votação realizada pelo sindicato será divulgado no início da noite
O resultado parcial do plebiscito aberto pela Associação dos Monitores e Agentes Penitenciários do Rio Grande do Sul (Amapergs) aponta que a categoria desistiu da paralisação marcada para esta quarta-feira. Conforme a direção da Amapergs, o anúncio da Casa Civil do pagamento das promoções atrasadas para os servidores do sistema prisional influenciou a decisão da categoria. O benefício é esperado desde setembro de 2010. O resultado final do plebiscito será divulgado no início da noite de hoje.
PASC NÃO PODE SER CONSIDERADA DE ALTA SEGURANÇA
Pasc não pode ser considerada penitenciária de alta segurança, diz Michels - correio do povo, 13/06/2011
Após fuga de detento, secretário admite que tecnologia de monitoramento está defasada
A Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) não pode mais ser considerada de segurança máxima, segundo o secretário estadual da pasta, Airton Michels, em entrevista à Rádio Guaíba, na manhã desta segunda-feira. “É uma cadeia que não atende mais aos padrões necessários de hoje. Ela é de segurança média”, admitiu, depois que um preso, conhecido como Zoreia, fugiu durante o horário de visitas, nesse domingo.
O sistema de monitoramento desse presídio “está se deteriorando”, disse o secretário para explicar o motivo para a maior parte das 40 câmeras existentes na Pasc estarem desligadas no domingo. “Se joga dinheiro público fora, consertando um carro velho que não funciona mais. Nós queremos implementar outro tipo de sistema.” A ideia, de acordo com Michels, é desenvolver um método para que a penitenciária seja supervisionada em tempo real pelos servidores de dentro da Secretaria da Segurança. “Enquanto isso, estamos suprindo a falta de tecnologia com o material humano.”
Segundo o secretário, havia 27 agentes na casa prisional quando ocorreu a fuga. Ele disse que esse é um número alto, cerca de um servidor para casa 11 presos. “Era suficiente para que não ocorresse uma fuga tão primária e à luz do dia”, destacou. “Os agentes cuidam muito bem das cadeias. Ontem foi um fato excepcional. Houve um descuido, que não poderia tem ocorrido.”
Essa foi a segunda fuga registrada na Pasc desde a sua criação. A primeira ocorreu em 1999, quando o assaltante de bancos Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, escapou do local. Na época, Michels era superintendente da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). “Houve falha humana na fuga do Papagaio.”
O secretário ressaltou também, durante a entrevista, que a prioridade do governo é acabar com a superlotação no Presídio Central, em Porto Alegre. “A nossa tarefa principal é resolvermos o problema do Central, que tem mais de 5 mil presos. Em quatro anos, reformularemos o presídio para atender cerca de 1 mil.”
Nesta segunda-feira, mais de 50 policiais militares estão mobilizados na captura. A suspeita é de que Sandro Alexandre de Paula, 27 anos, esteja escondido em uma mata às margens da ERS 401. O titular da delegacia de Capturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Eduardo de Oliveira Cesar, disse que o criminoso tem condenações por tráfico de drogas e assalto a bancos.
O superintendente da Susepe, Gelson Treiesleben, anunciou a abertura de uma sindicância, com a corregedoria da instituição e agentes de inteligência, para investigar a segunda fuga da história da Pasc.
Após fuga de detento, secretário admite que tecnologia de monitoramento está defasada
A Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) não pode mais ser considerada de segurança máxima, segundo o secretário estadual da pasta, Airton Michels, em entrevista à Rádio Guaíba, na manhã desta segunda-feira. “É uma cadeia que não atende mais aos padrões necessários de hoje. Ela é de segurança média”, admitiu, depois que um preso, conhecido como Zoreia, fugiu durante o horário de visitas, nesse domingo.
O sistema de monitoramento desse presídio “está se deteriorando”, disse o secretário para explicar o motivo para a maior parte das 40 câmeras existentes na Pasc estarem desligadas no domingo. “Se joga dinheiro público fora, consertando um carro velho que não funciona mais. Nós queremos implementar outro tipo de sistema.” A ideia, de acordo com Michels, é desenvolver um método para que a penitenciária seja supervisionada em tempo real pelos servidores de dentro da Secretaria da Segurança. “Enquanto isso, estamos suprindo a falta de tecnologia com o material humano.”
Segundo o secretário, havia 27 agentes na casa prisional quando ocorreu a fuga. Ele disse que esse é um número alto, cerca de um servidor para casa 11 presos. “Era suficiente para que não ocorresse uma fuga tão primária e à luz do dia”, destacou. “Os agentes cuidam muito bem das cadeias. Ontem foi um fato excepcional. Houve um descuido, que não poderia tem ocorrido.”
Essa foi a segunda fuga registrada na Pasc desde a sua criação. A primeira ocorreu em 1999, quando o assaltante de bancos Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, escapou do local. Na época, Michels era superintendente da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). “Houve falha humana na fuga do Papagaio.”
O secretário ressaltou também, durante a entrevista, que a prioridade do governo é acabar com a superlotação no Presídio Central, em Porto Alegre. “A nossa tarefa principal é resolvermos o problema do Central, que tem mais de 5 mil presos. Em quatro anos, reformularemos o presídio para atender cerca de 1 mil.”
Nesta segunda-feira, mais de 50 policiais militares estão mobilizados na captura. A suspeita é de que Sandro Alexandre de Paula, 27 anos, esteja escondido em uma mata às margens da ERS 401. O titular da delegacia de Capturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Eduardo de Oliveira Cesar, disse que o criminoso tem condenações por tráfico de drogas e assalto a bancos.
O superintendente da Susepe, Gelson Treiesleben, anunciou a abertura de uma sindicância, com a corregedoria da instituição e agentes de inteligência, para investigar a segunda fuga da história da Pasc.
DESCONTROLE - PRESÍDIO PARA CHEFÕES RECEBE ATÉ LADRÃO DE BICICLETA
Presídios para chefões recebem até ladrão de bicicleta. Autoridades que lidam com o sistema carcerário estão preocupadas com esse desvio de função, devido ao excesso de lotação - Agência Estado, jornal O Estado de S. Paulo.13/06/2011 - 09:48
Criadas para receber detentos de alta periculosidade em caráter excepcional, as penitenciárias federais têm virado "solução improvisada" para abrigar presos comuns na tentativa de desafogar os caóticos presídios estaduais. Autoridades que lidam com o sistema carcerário estão preocupadas com esse desvio de função, já que presos que cometeram crimes considerados menos graves estão recebendo o mesmo tratamento conferido a chefes do crime organizado - e podem ser cooptados por eles. A questão tem sido tratada por um grupo de trabalho formado por representantes da Defensoria Pública da União (DPU) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
Um dos principais temores é de que haja aliciamento de presos comuns pelo crime organizado, sob forma de pagamento de advogados e viagem de parentes para visitas às penitenciárias. Hoje, 463 detentos estão nas quatro penitenciárias federais existentes - Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).
"A partir do momento em que não se faz uma seleção por perfil, é evidente que, ao colocar uma pessoa sem periculosidade com outras, ela vai aderir a um grupo dominante, mais forte", diz o juiz corregedor do presídio de Mossoró, Mário Jambo. Durante as férias do juiz federal, em fevereiro, um grupo de seis presos acabou transferido para a penitenciária, entre eles o traficante Fernandinho Beira-Mar. Jambo recorreu da decisão, mas o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, no Recife, manteve Beira-Mar em Mossoró.
Segundo o juiz corregedor, que considera precárias as condições de segurança na penitenciária, um caso emblemático foi o de um rapaz de 20 anos condenado por furto de bicicleta, que acabou enviado a Mossoró, mas já saiu do presídio. "Está havendo um desvio da finalidade, até para socorrer o sistema penitenciário estadual, que sofre com excesso de lotação", diz o defensor público César Gomes, que presta assistência jurídica a presos de Catanduvas.
Autoridades ouvidas pelo Estado não souberam precisar quantos presos sem perfil estariam hoje nas penitenciárias federais, mas acreditam que, em algumas delas, a porcentagem pode chegar a 50%. Jambo disse que no início do ano mandou de volta a Rondônia cerca de 50 presos comuns que estavam na penitenciária de Mossoró.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - é muito amadorismo junto.
Criadas para receber detentos de alta periculosidade em caráter excepcional, as penitenciárias federais têm virado "solução improvisada" para abrigar presos comuns na tentativa de desafogar os caóticos presídios estaduais. Autoridades que lidam com o sistema carcerário estão preocupadas com esse desvio de função, já que presos que cometeram crimes considerados menos graves estão recebendo o mesmo tratamento conferido a chefes do crime organizado - e podem ser cooptados por eles. A questão tem sido tratada por um grupo de trabalho formado por representantes da Defensoria Pública da União (DPU) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
Um dos principais temores é de que haja aliciamento de presos comuns pelo crime organizado, sob forma de pagamento de advogados e viagem de parentes para visitas às penitenciárias. Hoje, 463 detentos estão nas quatro penitenciárias federais existentes - Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).
"A partir do momento em que não se faz uma seleção por perfil, é evidente que, ao colocar uma pessoa sem periculosidade com outras, ela vai aderir a um grupo dominante, mais forte", diz o juiz corregedor do presídio de Mossoró, Mário Jambo. Durante as férias do juiz federal, em fevereiro, um grupo de seis presos acabou transferido para a penitenciária, entre eles o traficante Fernandinho Beira-Mar. Jambo recorreu da decisão, mas o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, no Recife, manteve Beira-Mar em Mossoró.
Segundo o juiz corregedor, que considera precárias as condições de segurança na penitenciária, um caso emblemático foi o de um rapaz de 20 anos condenado por furto de bicicleta, que acabou enviado a Mossoró, mas já saiu do presídio. "Está havendo um desvio da finalidade, até para socorrer o sistema penitenciário estadual, que sofre com excesso de lotação", diz o defensor público César Gomes, que presta assistência jurídica a presos de Catanduvas.
Autoridades ouvidas pelo Estado não souberam precisar quantos presos sem perfil estariam hoje nas penitenciárias federais, mas acreditam que, em algumas delas, a porcentagem pode chegar a 50%. Jambo disse que no início do ano mandou de volta a Rondônia cerca de 50 presos comuns que estavam na penitenciária de Mossoró.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - é muito amadorismo junto.
PASC - PROBLEMAS DE UM PRESÍDIO DE "SEGURANÇA MÁXIMA"
A Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) pode não oferecer segurança máxima, mas é a mais inexpugnável prisão gaúcha. ZERO HORA 13/06/2011
Confira os mecanismos de segurança que funcionavam na época da fuga de 1999 e os que funcionam hoje:
GRADES - Cada pavilhão tem quatro galerias (uma por andar) formadas por celas individuais. Cada cela tem duas grades, uma na porta e outra por fora desta, tornando difícil ao preso serrá-las. Na época, Papagaio teria serrado a grade da janela da cela (foto acima), que é única. Ontem a fuga teria sido pela janela de uma cozinha, mais vulnerável do que as grades das celas.
MUROS - Se conseguir sair do pavilhão, o preso tem de pular dois muros. O interno tem quatro metros de altura. O externo, cerca de cinco metros. Os muros seguem iguais desde 1999.
PORTAS ELETRÔNICAS - O sistema de portas nos corredores dos pavilhões da Pasc foi concebido para atuar de forma estanque: quando uma abre, a outra fecha, de forma automática. Isso nunca funcionou, nem em 1999, nem agora, atesta um promotor de Justiça que costuma visitar a prisão. As portas são abertas e fechadas por funcionários.
CERCAS - Entre os dois muros existem três telas de arame farpado.
DETECTORES DE METAIS - Funcionam e são de dois tipos: raquete (portáteis) e portão de raio X.
LOTAÇÃO - A superlotação, comum nas cadeias gaúchas, não é problema na Pasc. Das 280 vagas, só 218 estão ocupadas. As celas continuam individuais. Vários espaços destinados ao trabalho dos presos, no entanto, estão abandonados.
CIRCUITO FECHADO DE TV - Existem mais de 20 câmeras de TV monitorando, via circuito fechado, os corredores da Pasc (foto acima). Auditoria realizada em 1999 por Carlos Hebeche, diretor de engenharia da Susepe, constatou que as câmeras funcionavam. A situação mudou. Inspeção realizada em 26 de maio passado pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) constatou que a maior parte das câmeras está inoperante.
A FUGA DE ONTEM - Dois presos tentaram a fuga. Um foi recapturado no pátio interno, usado por quem vai ao refeitório. O outro, Sandro Alexandre de Paula, o Zorelha, fugiu.Os dois estavam num pátio interno usado pelos presos que trabalham na cozinha, portanto não fugiram das celas. É um dos locais que estão sem câmeras de monitoramento. A jiboia (corda feita por presos) usada na fuga estava pendurada embaixo, quase junto a uma guarita da BM (foto acima). A guarita estava vazia, segundo as primeiras informações fornecidas pela Susepe. Apenas quatro PMs estariam fazendo a guarda externa da Pasc, que tem 10 guaritas.
SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi - Difícil escapar sem ajuda
Fazia frio, mais frio que ontem, naquele 5 de junho de 1999 que entraria para a história por registrar a primeira fuga da Pasc. Basta ver as fotos de Airton Michels de capote em cima do muro da outrora inexpugnável cadeia gaúcha, espantado ao ver que alguém conseguira vencer todos aqueles obstáculos e empreender uma escapada que os projetistas do presídio alegavam ser impossível.
Pois o mesmo Airton Michels, que na época era superintendente dos Serviços Penitenciários, agora, como secretário da Segurança Pública, tem pela frente o desafio de explicar a segunda fuga da penitenciária que se pretendia de segurança máxima.
Doze anos depois daquela fuga misteriosa, a Justiça Criminal de Charqueadas condenou 17 policiais militares pela escapada. Concluiu que eles foram negligentes, ao não vigiar com cuidado e permitir que o preso Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, serrasse grades da cela e fugisse. A suspeita de que os policiais teriam recebido suborno nunca foi provada judicialmente.
Uma autoridade que participou da visita da comissão da OAB, integrada também por servidores do Judiciário e Ministério Público, constata: apesar das falhas nas portas e nas câmeras, é quase impossível alguém fugir sem ajuda da Pasc.
– O sujeito precisa ter cordas, alicates, serras para cortar grades e contar com a sorte de ninguém vê-lo durante a fuga, o que é improvável - pondera esse especialista.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Concordo com o Trezzi. É difícil escapar das PASC sem ajuda. E esta "ajuda" só pode vir de quem não está comprometido. Portanto, é preciso avaliar as pessoas que estão no sistema e comprometer estas pessoas para que funcionem os recursos. E este, para mim, é o principal óbice do sistema prisional gaúcho.
A SUSEPE é um órgão anacrônico geralmente comandado por pessoas estranhas e fora do quadro de agentes prisionais. Não existe nos quadros de agentes pessoas formadas, capacitadas e adestradas especificamente para fazer a gestão administrativa e comandar os demais servidores.
Por este motivo, defendo a necessidade do RS criar a GUARDA PENITENCIÁRIA DO RS, uma organização fardada e estruturada em duas categorias de servidores - nível superior para a gestão administrativa e operacional e nível médio para a execução. Com isto, estrutura a guarda aos demais níveis da segurança, valorizando os agentes e assumindo o carácter organizacional e institucional. Estrutura e clima organizacional, carreira, salários, prerrogativas e direitos assumirão um novo status. Com este status o controle, a fiscalização, o monitoramento, as reivindicações e o zelo dos recursos serão muito mais efetivos.
O descaso dos governantes, a fraqueza da justiça em impor duas decisões, a falta de organização específica para a execução penal, as forças tarefas utilizando agentes de outros órgãos e cidades em troca de um aumento nos salários, o aliciamento de presos para tarefas de controle e serviços externos, e o descomprometimento de todos com a política prisional é que estão falindo o sistema prisional. Só não vê quem não quer.
Confira os mecanismos de segurança que funcionavam na época da fuga de 1999 e os que funcionam hoje:
GRADES - Cada pavilhão tem quatro galerias (uma por andar) formadas por celas individuais. Cada cela tem duas grades, uma na porta e outra por fora desta, tornando difícil ao preso serrá-las. Na época, Papagaio teria serrado a grade da janela da cela (foto acima), que é única. Ontem a fuga teria sido pela janela de uma cozinha, mais vulnerável do que as grades das celas.
MUROS - Se conseguir sair do pavilhão, o preso tem de pular dois muros. O interno tem quatro metros de altura. O externo, cerca de cinco metros. Os muros seguem iguais desde 1999.
PORTAS ELETRÔNICAS - O sistema de portas nos corredores dos pavilhões da Pasc foi concebido para atuar de forma estanque: quando uma abre, a outra fecha, de forma automática. Isso nunca funcionou, nem em 1999, nem agora, atesta um promotor de Justiça que costuma visitar a prisão. As portas são abertas e fechadas por funcionários.
CERCAS - Entre os dois muros existem três telas de arame farpado.
DETECTORES DE METAIS - Funcionam e são de dois tipos: raquete (portáteis) e portão de raio X.
LOTAÇÃO - A superlotação, comum nas cadeias gaúchas, não é problema na Pasc. Das 280 vagas, só 218 estão ocupadas. As celas continuam individuais. Vários espaços destinados ao trabalho dos presos, no entanto, estão abandonados.
CIRCUITO FECHADO DE TV - Existem mais de 20 câmeras de TV monitorando, via circuito fechado, os corredores da Pasc (foto acima). Auditoria realizada em 1999 por Carlos Hebeche, diretor de engenharia da Susepe, constatou que as câmeras funcionavam. A situação mudou. Inspeção realizada em 26 de maio passado pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) constatou que a maior parte das câmeras está inoperante.
A FUGA DE ONTEM - Dois presos tentaram a fuga. Um foi recapturado no pátio interno, usado por quem vai ao refeitório. O outro, Sandro Alexandre de Paula, o Zorelha, fugiu.Os dois estavam num pátio interno usado pelos presos que trabalham na cozinha, portanto não fugiram das celas. É um dos locais que estão sem câmeras de monitoramento. A jiboia (corda feita por presos) usada na fuga estava pendurada embaixo, quase junto a uma guarita da BM (foto acima). A guarita estava vazia, segundo as primeiras informações fornecidas pela Susepe. Apenas quatro PMs estariam fazendo a guarda externa da Pasc, que tem 10 guaritas.
SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi - Difícil escapar sem ajuda
Fazia frio, mais frio que ontem, naquele 5 de junho de 1999 que entraria para a história por registrar a primeira fuga da Pasc. Basta ver as fotos de Airton Michels de capote em cima do muro da outrora inexpugnável cadeia gaúcha, espantado ao ver que alguém conseguira vencer todos aqueles obstáculos e empreender uma escapada que os projetistas do presídio alegavam ser impossível.
Pois o mesmo Airton Michels, que na época era superintendente dos Serviços Penitenciários, agora, como secretário da Segurança Pública, tem pela frente o desafio de explicar a segunda fuga da penitenciária que se pretendia de segurança máxima.
Doze anos depois daquela fuga misteriosa, a Justiça Criminal de Charqueadas condenou 17 policiais militares pela escapada. Concluiu que eles foram negligentes, ao não vigiar com cuidado e permitir que o preso Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, serrasse grades da cela e fugisse. A suspeita de que os policiais teriam recebido suborno nunca foi provada judicialmente.
Uma autoridade que participou da visita da comissão da OAB, integrada também por servidores do Judiciário e Ministério Público, constata: apesar das falhas nas portas e nas câmeras, é quase impossível alguém fugir sem ajuda da Pasc.
– O sujeito precisa ter cordas, alicates, serras para cortar grades e contar com a sorte de ninguém vê-lo durante a fuga, o que é improvável - pondera esse especialista.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Concordo com o Trezzi. É difícil escapar das PASC sem ajuda. E esta "ajuda" só pode vir de quem não está comprometido. Portanto, é preciso avaliar as pessoas que estão no sistema e comprometer estas pessoas para que funcionem os recursos. E este, para mim, é o principal óbice do sistema prisional gaúcho.
A SUSEPE é um órgão anacrônico geralmente comandado por pessoas estranhas e fora do quadro de agentes prisionais. Não existe nos quadros de agentes pessoas formadas, capacitadas e adestradas especificamente para fazer a gestão administrativa e comandar os demais servidores.
Por este motivo, defendo a necessidade do RS criar a GUARDA PENITENCIÁRIA DO RS, uma organização fardada e estruturada em duas categorias de servidores - nível superior para a gestão administrativa e operacional e nível médio para a execução. Com isto, estrutura a guarda aos demais níveis da segurança, valorizando os agentes e assumindo o carácter organizacional e institucional. Estrutura e clima organizacional, carreira, salários, prerrogativas e direitos assumirão um novo status. Com este status o controle, a fiscalização, o monitoramento, as reivindicações e o zelo dos recursos serão muito mais efetivos.
O descaso dos governantes, a fraqueza da justiça em impor duas decisões, a falta de organização específica para a execução penal, as forças tarefas utilizando agentes de outros órgãos e cidades em troca de um aumento nos salários, o aliciamento de presos para tarefas de controle e serviços externos, e o descomprometimento de todos com a política prisional é que estão falindo o sistema prisional. Só não vê quem não quer.
FRÁGIL - ASSALTANTE CONDENADO A 113 ANOS FOGE DA PASC
SEGURANÇA FRÁGIL. Fuga da Pasc deixa policiais em alerta. Assaltante condenado a 113 anos de prisão se tornou o segundo apenado a escapar de prisão de segurança máxima - FRANCISCO AMORIM
Ao usar uma escada de pano para escalar o muro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), um preso apelidado de Zorelha se tornou o segundo apenado a escapar da cadeia apontada por autoridades como a mais segura do Estado desde sua inauguração, em 1992.
Antes do assaltante Sandro Alexandre de Paula, 27 anos, apenas Claudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, havia escapado do cadeia que abriga os detentos mais perigosos.
Ainda cercada de meias respostas, a fuga de Sandro ocorreu no início da tarde de ontem, por volta das 13h30min, momento em que os demais apenados recebiam a visita de familiares. Segundo informações da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), ele e outro detento teriam aproveitado a movimentação para subir até uma área contígua à cozinha, onde funciona o refeitório, no segundo andar do pavilhão onde estavam recolhidos. Sem o funcionamento de câmeras de segurança no local, a dupla teria serrado as grades de uma das janelas, que dá acesso ao pátio usado para o banho de sol, sem que a ação fosse percebida pelos agentes penitenciários.
– No ponto em que serraram as grades, não existe câmera – confirmou o superintendente da Susepe, Gelson dos Santos Treiesleben.
Após sair pela janela no segundo piso, a dupla conseguiu se esgueirar até o topo do primeiro muro, que delimita a área destinada ao banho de sol. Dali, pularam para o chamado pátio externo, onde a circulação de apenados é proibida. Os detentos teriam seguido até o muro externo sem serem importunados pelos cães de guarda. Isso porque pelo menos dois deles foram sedados antes da fuga. A Susepe não explicou como os animais foram paralisados, tampouco como dupla driblou o penúltimo obstáculo à liberdade – a cerca de arame.
Policiais abriram fogo contra preso
Chegando ao muro externo, os presos arremessaram sobre ele uma jiboia – como é chamada a escada ou corda de pano usada para fugas. Sandro foi o primeiro a subir por ela. Ao chegar ao topo, foi visto por PMs de uma das guaritas de segurança. Após o alerta para que parasse, o apenado se jogou para fora da cadeia. Os policiais abriram fogo, mas Sandro conseguiu correr para o matagal. Seu comparsa, que não teve o nome divulgado, ainda estava dentro da Pasc e não teve tempo de escalar o muro, sendo rendido por agentes da Susepe. Sandro teria corrido em direção a uma estrada de chão vicinal, conhecida como Estrada da Produção. Segundo informações extraoficiais, o plano contava com um terceiro comparsa do lado de fora, que aguardaria a dupla de carro.
Minutos depois, PMs montavam as primeiras de seis barreiras no entorno do complexo prisional e estradas que ligam o município a outras cidades. Se somariam ao trabalho, agentes penitenciários do Grupo de Ações Especiais (Gaes). Até a noite de ontem, porém, não haviam pistas. Peças de roupas masculinas encontradas junto ao Arroio dos Ratos, na entrada de Charqueadas, indicam que ele pode ter escapado a nado, driblando as barreiras montadas pela Brigada Militar junto à rodovia Charqueadas-São Jerônimo (ERS-401).
– Vamos seguir nas buscas nesta segunda-feira (hoje), pois ele pode ainda estar escondido na mata esperando a poeira baixar – afirmou o capitão Fabio Almeida Cézar, que coordenava as ações da BM.
Integrantes da Corregedoria da Susepe ouviram agentes e outros detentos dentro da Pasc. Será deles a investigação administrativa que terá a missão de esclarecer como dois detentos conseguem serrar grades, sedar cães e escalar muros sem serem notados. Questionado sobre a possibilidade de os detentos terem contado com a colaboração de servidores, o superintendente foi direto:
– Não descarto nada. Só sei que foi uma grande distância percorrida por eles ao muro.
Sandro Alexandre de Paula, 27 anos - Com antecedentes por roubo e tráfico, o segundo
preso a escapar da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) cumpria atualmente pena por assalto. Natural de Tangará da Serra (MT), está condenado a 113 anos por crimes praticados em Porto Alegre, Marau, Passo Fundo e Carazinho. Antes de fugir da Pasc, Sandro também já havia fugido de outra cadeia considerada segura pelas autoridades. Em junho passado, ele escapou da Penitenciária Modulada de Osório. Quatro meses depois, foi recapturado, sendo conduzido à Pasc.
Ao usar uma escada de pano para escalar o muro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), um preso apelidado de Zorelha se tornou o segundo apenado a escapar da cadeia apontada por autoridades como a mais segura do Estado desde sua inauguração, em 1992.
Antes do assaltante Sandro Alexandre de Paula, 27 anos, apenas Claudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, havia escapado do cadeia que abriga os detentos mais perigosos.
Ainda cercada de meias respostas, a fuga de Sandro ocorreu no início da tarde de ontem, por volta das 13h30min, momento em que os demais apenados recebiam a visita de familiares. Segundo informações da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), ele e outro detento teriam aproveitado a movimentação para subir até uma área contígua à cozinha, onde funciona o refeitório, no segundo andar do pavilhão onde estavam recolhidos. Sem o funcionamento de câmeras de segurança no local, a dupla teria serrado as grades de uma das janelas, que dá acesso ao pátio usado para o banho de sol, sem que a ação fosse percebida pelos agentes penitenciários.
– No ponto em que serraram as grades, não existe câmera – confirmou o superintendente da Susepe, Gelson dos Santos Treiesleben.
Após sair pela janela no segundo piso, a dupla conseguiu se esgueirar até o topo do primeiro muro, que delimita a área destinada ao banho de sol. Dali, pularam para o chamado pátio externo, onde a circulação de apenados é proibida. Os detentos teriam seguido até o muro externo sem serem importunados pelos cães de guarda. Isso porque pelo menos dois deles foram sedados antes da fuga. A Susepe não explicou como os animais foram paralisados, tampouco como dupla driblou o penúltimo obstáculo à liberdade – a cerca de arame.
Policiais abriram fogo contra preso
Chegando ao muro externo, os presos arremessaram sobre ele uma jiboia – como é chamada a escada ou corda de pano usada para fugas. Sandro foi o primeiro a subir por ela. Ao chegar ao topo, foi visto por PMs de uma das guaritas de segurança. Após o alerta para que parasse, o apenado se jogou para fora da cadeia. Os policiais abriram fogo, mas Sandro conseguiu correr para o matagal. Seu comparsa, que não teve o nome divulgado, ainda estava dentro da Pasc e não teve tempo de escalar o muro, sendo rendido por agentes da Susepe. Sandro teria corrido em direção a uma estrada de chão vicinal, conhecida como Estrada da Produção. Segundo informações extraoficiais, o plano contava com um terceiro comparsa do lado de fora, que aguardaria a dupla de carro.
Minutos depois, PMs montavam as primeiras de seis barreiras no entorno do complexo prisional e estradas que ligam o município a outras cidades. Se somariam ao trabalho, agentes penitenciários do Grupo de Ações Especiais (Gaes). Até a noite de ontem, porém, não haviam pistas. Peças de roupas masculinas encontradas junto ao Arroio dos Ratos, na entrada de Charqueadas, indicam que ele pode ter escapado a nado, driblando as barreiras montadas pela Brigada Militar junto à rodovia Charqueadas-São Jerônimo (ERS-401).
– Vamos seguir nas buscas nesta segunda-feira (hoje), pois ele pode ainda estar escondido na mata esperando a poeira baixar – afirmou o capitão Fabio Almeida Cézar, que coordenava as ações da BM.
Integrantes da Corregedoria da Susepe ouviram agentes e outros detentos dentro da Pasc. Será deles a investigação administrativa que terá a missão de esclarecer como dois detentos conseguem serrar grades, sedar cães e escalar muros sem serem notados. Questionado sobre a possibilidade de os detentos terem contado com a colaboração de servidores, o superintendente foi direto:
– Não descarto nada. Só sei que foi uma grande distância percorrida por eles ao muro.
Sandro Alexandre de Paula, 27 anos - Com antecedentes por roubo e tráfico, o segundo
preso a escapar da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) cumpria atualmente pena por assalto. Natural de Tangará da Serra (MT), está condenado a 113 anos por crimes praticados em Porto Alegre, Marau, Passo Fundo e Carazinho. Antes de fugir da Pasc, Sandro também já havia fugido de outra cadeia considerada segura pelas autoridades. Em junho passado, ele escapou da Penitenciária Modulada de Osório. Quatro meses depois, foi recapturado, sendo conduzido à Pasc.
domingo, 12 de junho de 2011
INSEGURANÇA MÁXIMA - SEGUNDA FUGA DA PASC

Susepe abre sindicância para apurar fuga da Pasc. "Estou indignado, e ele vai ser encontrado", promete superintendente - Paulo Roberto Tavares, CORREIO DO POVO, 12/06/2011 22:54
O superintendente da Susepe, Gelson Treiesleben, anunciou a abertura de uma sindicância, com a Corregedoria da instituição e agentes de inteligência, para investigar a segunda fuga da história da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), ocorrida neste domingo. Depois da fuga de Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, em 2009, o assaltante Sandro Alessandro de Paula, 27 anos, o Zoreia, fugiu por volta das 13h30min, durante o horário de visitas, dando mostras da fragilidade do sistema. “Não está descartada nenhuma hipótese”, afirmou. “Vamos ouvir todos os que estavam na Pasc.”
Foram feitas barreiras em pontos estratégicos, cercando as saídas de Charqueadas, assim como nas cidades de Arroio dos Ratos e São Jerônimo. Um outro detento acompanhou Zoreia, mas entregou-se quando os PMs, que fazem a guarda externa da casa prisional, deram tiros de advertência. Até as 19h30min, Zoreia não tinha sido localizado. As buscas continuavam pela região. As visitas não foram suspensas.
A fuga foi a partir do refeitório da instituição. Conforme Treiesleben, os dois usaram a parte de cima da sala para sair ao pátio. Em uma parte, situada próximo à caixa d’água, os dois conseguiram evitar uma das cercas de arame farpado. No meio dessas, cães fazem a ronda. Os animais, segundo o superintendente, foram sedados. Dali, os dois detentos usaram uma jiboia (escada artesanal, feita com lençóis), inclusive contando com degraus de madeira. No muro, que tem uma altura de aproximadamente seis metros, Zoreia teria pulado. “É um fato lamentável, que não poderia ocorrer. Estou indignado, e ele (Zoreia) vai ser encontrado”, enfatizou o superintendente da Susepe.
A fuga do detento não é a primeira. Ele já teve fugas da Pentienciária Modulada de Osório, entre outras cadeias. Zoreia, de acordo com a Polícia Civil, tem condenações por assalto pelas comarcas de Santa Rosa e Santo Ângelo. A sua fuga ocorreu no dia de visitas, o que pode ter ajudado a desviar a atenção dos agentes penitenciários. “A Pasc tem um bom contingente e isso (a fuga) não é admissível”, criticou Treiesleben.
Cerca de 20 minutos após a fuga, integrantes do 28º BPM, inclusive os PMs que estavam em folga, foram chamados, para fazer as buscas. Além destes, agentes do Grupo de Ações Especiais (Gaes), da Susepe, da Polícia Civil e do Batalhão Aéreo da BM (Bav-BM) se uniram para tentar localizar o fugitivo. “Não temos hora para encerrar as barreiras e as buscas”, informou o tenente Cláudio Gilmar dos Santos. “Encontraram a roupa do fugitivo às margens do rio Arroio dos Ratos e estamos investigando.”
No entanto, ainda não está confirmado se as roupas pertenceriam ao detento. Nas estradas, todos os automóveis e ônibus eram parados e revistados. Equipes do Gaes fizeram buscas no meio da vegetação que cerca o complexo prisional, mas não encontraram nada.
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